21
jun
2017
Crítica: “Ao Cair da Noite”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Ao Cair da Noite (It Comes At Night)

Seth Gordon, 2017
Roteiro: Trey Edward Shults
Diamond Films

3.5

Quando The Last of Us virou uma grande mania, logo o mundo inteiro passou a querer que todo o tipo de trama envolvendo pessoas infectadas, mas com um teor sério, quase como um The Walking Dead, mas muito mais aflitivo. O jogo já vem sendo sinalizado como grande inspirador das próximas gerações de jogos de terror e existem planos para uma futura sequência. E o cinema, como sempre busca se reinventar para as novas gerações, agora, possivelmente está atendendo a um velho pedido das minorias em busca de representatividade. O filme Corra, surpreendeu este ano, pelo filme ser protagonizado por um negro. E agora Ao Cair da Noite vem reforçando o protagonismo das minorias.

A história fala da família composta por Paul (Joel Edgerton), Travis (Kelvin Harrison Jr.) e Sarah (Carmen Ejogo). Numa manhã, a família vai até um local onde o avô de Travis, pai de Sarah, Bud (David Pendleton), que está está mal de saúde: pálido, cheio de bolotas no corpo e com dificuldade para respirar, todos trajando máscaras de gás. Paul diz que levarão seu avô a um lugar. Eles pegam um carrinho de mão e o levam para a floresta. Lá, eles colocam o idoso numa espécie de túmulo improvisado. Lá, Paul pega um travesseiro, atira no homem, pega um galão de gasolina, joga, acende um fósforo e queima tudo.

Depois de um tempo, Travis acaba por ter pesadelos com seu avô. Na mesma noite, um homem chamado Will (Christopher Abbott) acaba por tentar entrar na casa da família. Paul pergunta se há pessoas com ele. Will responde não e leva uma coronhada de Paul na cabeça.

Na manhã seguinte, Will está amarrado à uma árvore. Ele explica a Paul que achava que a casa estava abandonada e estava à procura de suprimentos, já que tem uma mulher chamada Kim (Riley Keough) e seu filho Andrew (Griffin Robert Faulkner). Will pega a sua família e eles se mudam para a casa de Paul.

A família vive bem sob às regras de Paul, mas uma dia o cachorro da família Stanley acaba saindo em disparada para dentro da floresta. Na manhã seguinte, as famílias encontram Stanley sangrando. Paul mata Stanley e o incendeia. O clima fica pesado entre as famílias, principalmente já que ambas acabam por fazer perguntas umas as outras que acabam por fazer elas se exilarem umas das outras.

Travis acaba por ouvir Andrew tossindo e com dificuldade de respirar. Ele conta a Paul, que acaba por forçar a barra e tentar obter respostas de Will e sua família, já que eles estão de saída e a caminho de pegar seus suprimentos de volta.

Paul e Will entram num confronto bastante físico e Paul se sobressai, devido a um tiro disparado por Sarah. Kim foge com seu filho pela floresta, mas eles não sobrevivem muito, já que Paul mata Andrew e depois mata Sarah. Depois de um tempo, Travis está completamente consumido pelo vírus. Ele diz a sua mãe e ela lhe a chance para fugir. Ele adentra a floresta e seus pais nunca mais o vêem.

O filme é muito bom. Apesar das cenas jump-scares estarem concentradas nos pesadelos de Travis, ele ainda promete muita tensão. Eu meio classifiquei como um drama de terror, pois a carga dramática é muito maior do que a de terror, mas não é algo que prejudique. Apesar de não ser exatamente um vírus zumbi da vida, os elementos de ter de sobreviver em um mundo onde um vírus assola a humanidade e faz com que não seja possível de confiar naqueles que sobreviveram são muito presentes, mesmo não sendo o ponto principal da história.

Hoje em dia, histórias sobre este tipo já estão completamente batidas, sendo necessárias novas adaptações a serem feitas para cativar o coração do público, mas ele justamente pega carona naquilo que The Last havia estabelecido muito bem e acaba fazendo uma espécie de versão live action do idolatrado game.

Bastante interessante, com uma fotografia muito bem feita, além de uma maquiagem bastante convincente, é possivelmente um dos melhores filmes de terror que eu já vi. Muito imersivo e te deixa apreensivo do início ao fim. O destaque vai para Kelvin, que acaba por ser o motor do filme, mas Joel interpretando seu pai acaba contrastando com ele. Na minha opinião, Sarah ficou muito apagada e acho que ela poderia mais presença em tela, questionando se é certo ou não o que Paul está fazendo.

Kim e Andrew só recebem grande protagonismo só no fim do filme e isso acaba, para mim, gerando um ruído que incomoda. Não é tão ruim quanto o recém assistido Baywatch, mas não é perto. No resultado final, pode divertir e entreter os ávidos por filmes de terror com vírus infeccioso, mas que será melhor aproveitado por aqueles que já tenham jogado ou visto algum tipo de gameplay de The Last of Us.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.