02
jun
2017
Crítica: “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales)

Espen Sandberg e Joachim Rønning, 2017
Roteiro: Jeff Nathanson
Disney / Buena Vista

2

A falta de foco de Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar é tanta que pode fazer Batman vs Superman parecer Os  Bons Companheiros. Sendo o quinto capítulo de uma saga que não deveria ter passado do terceiro, este novo filme consegue ser completamente desinteressante tanto pelo péssimo roteiro quanto pela direção sem personalidade.

Resumir toda a história com seus vários personagens e subtramas é uma perda de tempo, então basta dizer que no filme temos Salazar (Javier Bardem) buscando vingança do pirata Jack Sparrow (Johnny Depp), o filho de Will (lembram do terceiro filme?) em busca de um tridente mágico para salvar o pai, uma jovem acusada de bruxaria que está escapando da prisão e que, bem… não sei ao certo qual deveria ser sua função no filme. Há também alguns outros personagens já conhecidos dos filmes anteriores como o capitão Barbossa (Geoffrey Rush ), um cameo absurdamente desnecessário e aleatório (embora, sim, divertido) de Paul McCartney, e dezenas de personagens que aparecem apenas para alívio cômico.

Resumindo: a falta de foco é absurda do início ao fim. Logo de cara, o principal problema do roteiro é ficar acompanhando vários personagens em várias subtramas diferentes, que ficam se cruzando de maneiras inexplicáveis e convenientes demais. Além disso, ao quebrar a trama em vários núcleos, todos eles desinteressantes, o filme durante boa parte do tempo parece estar apenas se preparando para começar – um começo que nunca chega de fato.

E se por um lado os novos personagens são completamente inexpressivos e nem sequer têm tempo de tela o suficiente para estabelecer suas motivações básicas, até mesmo os personagens interessantes dos outros filmes têm muito o que fazer aqui: enquanto Jack Sparrow é tratado como a caricatura da caricatura do personagem que um dia foi muito divertido, o capitão Barbossa é completamente dispensável e não faz nada o filme inteiro apenas para no terceiro ato se tornar o centro de um (juro!) drama familiar.

A leve exceção é o vilão Salazar, que mesmo convencional em suas motivações e função na história, ao menos é vivido por um ator interessante que é o Javier Bardem, e que parece pelo menos estar interessado em criar uma figura assustadora e peculiar, apesar do excesso de CGI.

O senso de humor também é bem irregular: algumas sacadas são bem divertidas, gosto particularmente daquela que envolve a esposa de um oficial do exército e outra que fala sobre uma certa “inclinação horizontal”, mas a necessidade de fazer piada a cada minuto faz o roteiro incluir coadjuvantes dispensáveis e caricaturais e momentos onde o humor basicamente está no fato de Jack Sparrow estar sem calça ou então dormir no meio de uma conversa.

Já as sequências de ação são filmadas pelos diretores Espen Sandberg e Joachim Rønning quase todas no escuro, com muitos cortes e planos fechados – o que as torna praticamente incompreensíveis. Porém, há aqui e ali alguns bons conceitos, como um sangue pingando através do convés de um navio, ou então na divertida cena que traz Jack Sparrow preso a uma guilhotina.

Não tendo nenhum momento particularmente memorável seja pela estética ou pelo senso de humor, Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar pode até ter não ser um completo desastre, mas é um capítulo desnecessário, bagunçado, e aborrecido.



Cinéfilo. Crítico de cinema desde 2014. Músico.
“Quando os filmes são bons, nos fazem sentir mais vivos, e escrever sobre eles tem o mesmo efeito” – Pauline Kael