27
jun
2017
Crítica: “Uma Família de Dois”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Uma Familia de Dois (Demain tout commence)

Hugo Gélin, 2016
Roteiro: Hugo Gélin, Mathieu Oullion e Jean-André Yerles
Paris Filmes

2.5

Omar Sy em 2011 foi catapultado para o mundo inteiro saber de sua existência através do filme Intocáveis, onde contracena ao lado de François Cluzet. Seu papel de cuidador do homem tetraplégico foi logo colocado no topo, segundo os especialistas. Ele tenta repetir a dose em Uma Família de Dois, mas não dá certo.

Seu papel de galã boa pinta que faz de tudo não convence. Até a chegada de uma garota que esteve com ele há 1 ano atrás. Agora, ela volta de mala e cuia, dizendo que o bebê que está segurando é dele. Ela pede a ele dinheiro para pagar o táxi e ela some.

Então. Samuel (Omar Sy) parte em busca de Kristin (Clémence Poésy). Ele acha que ela mora em Londres, já que vê um café londrino em sua página de perfil no Facebook. Entre idas e vindas, ele descobre que ela não está mais em Londres e sim, que ela pegou um avião e não sabemos para onde ela foi.

Mais eis que Samuel se lembra de conversar com um homem na escada rolante chamado Bernie (Antoine Bertrand), que estava a procura de dublês para sua série. Ele vai até a porta da casa de Bernie e decide esperar lá. Bernie chega e ele aceita o emprego.

Samuel consegue levar sua vida bem, criando sua filha Gloria (Gloria Coulston). Ele acaba por fazer sua filha viver sua vida da maneira mais divertida que ele consegue fazer, mesmo sendo a contragosto da professora, mesmo sendo subornada com epísódios da série em que faz os momentos de ação e de Bernie, pois também não gosta do modelo de pai de Samuel.

Mesmo ainda pensando em Kristin, apesar de haver se passado 8 anos, ele disfarça um história para Gloria de que sua mãe é uma agente secreta que viaja pelo mundo inteiro, escrevendo e-mails a ela dizendo onde está e se há possibilidade de um dia voltar.

Um dia, Samuel olha o bate-papo que teve com Kristin, já que acontecia há 8 anos e um dia, milagrosamente, Kristin finalmente lê e responde.

Ela volta a Londres e agora pretende passar mais tempo com a filha. Mas, óbvio, não está sozinha, já que durante os últimos 4 anos, ela se envolveu com Lowell (Ashley Walters).  E logo, começa uma meia rivalidade, na qual Samuel tenta provar que é melhor na paternidade do que Kristin.

E Gloria logo dá seu jeito de tentar juntar seus pais ao fazer Samuel fazer uma acrobacia muito arriscada. Ele se dá bem, memso fingindo morrer só para Gloria vir ao seu encontro e dizer as palavras para “reanima-lo”, já que o considera imortal.

Logo, vem um julgamento a fim de decidir quem deve ficar com Gloria. Depois de toda a deliberação feita pelo juiz, Samuel vence a disputa. Kristin, inconsolada, logo pede um teste de paternidade, que acaba provando que Gloria não é filha biológica de Samuel com Kristin. O juiz determina que Kristin deve ter a guarda de Gloria, mas a garota não dá ouvidos e decide subir e fugir com Samuel.

É aí então que Bernie revela que Gloria tem um caso de doença terminal, mesmo nos vendo ambos num hospital tomando medicamentos, fazendo este ser um momento muito ambíguo, onde cremos que é Samuel quem está doente.

O filme tem muito erros de roteiro, começando com o porquê ela simplesmente deixar Samuel se ela só se dá conta depois de 8 anos que talvez ele possa não ser o pai? Se ela tinha dinheiro 8 anos depois para fazer o teste, porque só o faze-lo agora, enquanto ainda lhe é conveniente? Ela não teria como deixar a criança com qualquer outra pessoa? Ela só se lembra de Samuel, mesmo depois de 1 ano? Samuel, mesmo passado 8 anos em Londres, não tem sequer 10 segundos de conversa em inglês, mesmo fazendo parte de uma série muito famosa? Os plot-twists tendo ser feito as pressas tentando impressionar o espectador, mas não chegam a fazer cócegas?

São várias perguntas que não sabem ser respondidas, causando uma grande confusão e mostrando um amadorismo, já que a equipe que fez o filme já haviam trabalhado anteriormente num filme chamado Não Aceitamos Devoluções. É um filme feito em sua maior parte para ser um feel good movie, termo dado a filmes que são feitos com o intuito de fazer as pessoas se sentirem melhor, mas na outra metade, é um filme de tribunal misturado com um filme para ser uado para quem quer sofrer com a fossa.

Visualmente, ele é atraente, mas o roteiro e a direção não ajudam. A única que rouba a cena é Gloria Coulston, atriz estreante que acho que tem grandes chances de despontar.

Irregular e apressado, não é um filme indicado para aqueles que apreciam o cinema francês.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.