02
jun
2017
Netflix Radioativa 7# – “Onde os Fracos Não Têm Vez” e “Breaking Bad”
Categorias: Netflix Radioativa • Postado por: João Vitor Moreno

Depois de recomendarmos um documentário brasileiro e uma série em animação, nossa coluna Netflix Radioativa está de volta com dois jovens clássicos. Confira:

Filme

Poucos filmes recentes podem ser colocados imediatamente ao lado dos grandes clássicos do Cinema, mas Onde Os Fracos Não Têm Vez é um desses casos.

Escrito, produzido, dirigido e montado pelos geniais irmãos Coen, o longa acompanha três personagens no Texas de 1980: Llewelyn é um veterano de guerra que encontra uma mala de dinheiro perdida de uma venda de drogas que acabou em chacina, Anton Chigurh é um matador de aluguel contratado para recuperar o dinheiro, e o xerife Ed Tom Bell está prestes a se aposentar é se vê desolado no meio de tanta violência.

Não dá para dizer que o filme é para todo mundo, um espectador muito acostumado a filmes de respostas fáceis e finais felizes e redondinhos talvez tenham dificuldade de apreciar este trabalho cuidadoso, que faz questão de subverter expectativas convencionais.

O filme fala sobre a degradação do ser humano pela sua própria violência, e o faz em uma narrativa sofisticada, onde cada plano é previamente pensado e a tensão é construída de forma cuidadosa e gradativa.

Tendo também uma fotografia lindíssima do mestre Roger Deakins, Onde Os Fracos Não Têm Vez já é um jovem clássico mesmo tendo apenas 10 anos. É um filme que será lembrado por muito tempo como obra prima.

Série

TV não é e nunca será Cinema. Ao produzir conteúdo para uma tela menor, e para um público que, por estar em casa, é mais facilmente distraído por elementos externos, as séries contam com várias limitações estéticas e de linguagem que o cinema pode arriscar com mais ousadia.

Porém, ao contar uma única história ao longo de vários episódios e temporadas, as séries acabam tendo uma liberdade temática maior do que o Cinema para explorar personagens complexos e difíceis.

E Breaking Bad é um exemplo perfeito do que uma série pode alcançar se estiver realmente interessada em construir um personagem interessante e multifacetado, contando ainda com uma linguagem visual bastante sofisticada até mesmo para padrões “cinematográficos” (como o uso coerente de cores para comentar o estado de espírito dos personagens ao longo das temporadas).

Tendo também uma performance central fabulosa de Bryan Cranston, Breaking Bad envolve, diverte, mas acima de tudo, se mostra consciente de seu poder e constrói um épico digno de ser considerado clássico.

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Entrevista com o crítico de cinema Pablo Villaça



Cinéfilo. Crítico de cinema desde 2014. Músico.
“Quando os filmes são bons, nos fazem sentir mais vivos, e escrever sobre eles tem o mesmo efeito” – Pauline Kael