26
jul
2017
Crítica: “Dunkirk”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Dunkirk

Christopher Nolan, 2017
Roteiro: Christopher Nolan
Warner Bros. Pictures

3.5

Antes da crítica de hoje, é necessário relembrar um pouco de história. Vocês sabem o que foi a tal Batalha de Dunquerque, também podendo ser chamada de Evacuação/Milagre de Dunquerque ou mesmo Operação Dínamo? Se não sabem, melhor explicar um pouco os eventos anteriores. Este evento histórico se iniciou pouco tempo depois da chamada Guerra da Mentira ou Guerra de Araque. Este termo foi dado para designar o início do período da 2ª Guerra Mundial, durou de 3 de setembro de 1939 a 10 de maio de 1940.
Depois disso, teve início a Batalha da França ou Queda da França na qual unidades alemãs blindadas invadiram a região da Ardenas, um local cheio de colinas montanhosas, fazendo fronteira com Bélgica e Luxemburgo. As tropas do Eixo flanquearam as tropas aliadas e as sobrepujaram. Elas avançaram sobre a Linha Maginot, uma espécie de barreira de fortificações que cobria os limites territoriais entre a França, Alemanha e Itália.

O primeiro a propor isso foi o Marechal Joffre, em 1927. Ela foi batizada com o nome do ministro da Defesa francês André Maginot, veterano mutilado na 1ª Guerra e foi debatido na França durante quase 10 anos pelo Conselho Superior de Guerra. Os planos definitivos foram aprovados em 1929. Neste mesmo ano, o Parlamento votou um primeiro financiamento de mais de 1.000 milhões de francos franceses e os trabalhos começaram em 1930.

Os trabalhos foram realizados pela STG, sob a supervisão da CORF. Maginot tornou-se ministro da Guerra em 1929 e foi um ardente defensor da fortificação, mas morreu de intoxicação alimentar em 1932.A maior parte dos trabalhos estava terminada em 1936, no momento em que a ameaça hitlerista parecia lhe dar toda a justificação de que precisava: era a mais formidável linha defensiva militar jamais construída no mundo de grande complexidade tecnológica e militar.

Seu custo total foi de 5.000 milhões de francos. Planejada durante a década de 1920, a linha Maginot foi pensada para “guerra das trincheiras”. Com suprimentos próprios de energia, munição e alimentos, a linha era uma série de fortalezas e estruturas interligadas, paralela à fronteira franco-germânica. Era composta de 108 edificações principais (fortes) a 15 km de distância uns dos outros, mais edificações menores e casamatas, e mais de 100 km de galerias.

Já que os antecedentes estão devidamente explicados, vamos aos fatos. A Batalha/Evacuação de Dunquerque ou Operação Dínamo, foi uma retirada das forças ainda sobreviventes da Aliança na cidade litorânea, já que as forças alemãs estavam sob o comando da cidade.

No dia 22 de Maio, começaram as preparações para a evacuação, com o nome Operação Dínamo, comandada a partir de Dover, Inglaterra, pelo vice-almirante Bertram Ramsay. A intenção inicial era evacuar até cerca de 45.000 homens da Força Expedicionária Britânica em dois dias, mas em breve o objetivo foi alterado para resgatar 120 000 homens em cinco dias. Em 28 de Maio, além das embarcações para ajudar na operação, foram chamados mais dez contratorpedeiros, que tentaram naquela manhã uma nova operação de resgate.

Vários milhares acabaram por ser resgatados, embora os contratorpedeiros não pudessem se aproximar da praia. Outras operações de resgate no resto do dia 28 tiveram mais sucesso, tendo sido resgatados mais 16.000 homens, mas as operações aéreas alemãs aumentaram e várias embarcações foram afundadas ou bastante danificadas, incluindo nove contratorpedeiros. Durante a Operação, a RAF perdeu 177 aviões e a Luftwaffe, 132. No dia 29, a divisão alemã que se aproximava parou na cidade, deixando assim o resto da batalha para a infantaria e a força aérea.

Na tarde do dia 30, um outro grande grupo de embarcações menores conseguiu resgatar 30.000 homens. No dia 31 as forças aliadas estavam encurraladas num espaço de 5 km de De Panne, Bray-Dunes a Dunquerque; nesse dia, mais de 68.000 soldados foram evacuados e outros 10.000 durante a noite. No dia 1º de Junho, mais 65.000 foram resgatados e as operações continuaram até o dia 4.

A retirada só foi efetivada devido a um erro estratégico, cuja motivação é desconhecida, sendo até hoje um mistério para os historiadores da 2ª Guerra. Uma das teses que pairam sobre isso é que Hermann Göring havia garantido a Hitler que a Luftwaffe sozinha faria eles se renderem, o que não aconteceu. Outra seria que Hitler queria mais uma vez tentar um acordo de paz com os ingleses, e por isso ordenou o cessar fogo. A evacuação, mesmo de uma pequena parte da Força Expedicionária Britânica, o que constituiria em um fato surpreendente, pois a cidade só se manteve graças a uma inexplicável reviravolta na estratégia alemã.

Agora que está explicado o fato, o diretor Christopher Nolan volta a dirigir depois de Interestelar. O diretor sofre do famoso “8 ou 80”, existem seus fãs chamados de “nolanzetes”, que são tratados como estúpidos por aqueles que o detestam e os mesmos fãs entram em birras absurdas na internet defendendo o mesmo, já que ele foi o responsável por devolver um pouco da dignidade do Homem-Morcego mais famoso do mundo, já os filmes antes da entrada dele haviam destruído e manchado a reputação do herói mais do que foi feito com a série de 1966 protagonizado pelo já falecido Adam West.

Seja qual for a sua opinião sobre ele, o fato é que ele, pelo menos, sabe fazer algo em tela, diferentemente de diretores como David Ayer ou Michael Bay. Eu gosto do diretor, mas devo dizer que seu último filme realmente foi deveras controverso. Mas a questão é: Nolan foi bem ou é mais um filme feito só para agradar os fãs dele que aceitam o que quer que ele decida fazer?

O resultado foi deveras impressionante. Muito poucos foram os filmes de guerra que realmente fazem o espectador ficar tenso com o que é apresentado em tela. As batalhas são de tirar o fôlego, Cillian Murphy que, para mim, sempre pareceu artificial em qualquer cena onde o via, aqui consegue fazer um atormentado soldado ilhado que é resgatado por um navio minúsculo que se voluntariou a ajudar a retirar alguns soldados da cidade.

As cenas dos aviões são muito bem coreografadas e você se sente em um ambiente claustrofóbico, mesmo não observando o tempo inteiro a janela do cockpit. Os navios bélicos, fortes, truculentos e frios conseguem fazer presença, mesmo que sejam muito poucas as cenas onde são mostrados.

As melhores cenas são as na praia, já que o mar parece deixar o clima ainda mais tenso, frio, cortante e melancólico do que já é. Hoje em dia, pessoas se perguntam se os games conseguiram alcançar o cinema em termos de narrativa. É possível ser respondido que sim, já que hoje existem jogos como Uncharted, The Last of UsGod of War que tem roteiros tão bons quantos muitos filmes abordando temáticas iguais as apresentadas por estes títulos.

Mas, agora, em questão de jogos de guerra, são muito poucos os que realmente fazem o espectador que ver mais desta história e se importar com os personagens apresentados. E justamente Dunkirk mostra que estes jogos ainda precisam correr atrás do prejuízo se quiserem ter algo similar a esta experiência. E finalmente, um filme que o IMAX tem uso justificável e não é 3D. Corajoso o sr., Nolan. Espero que continue assim.

A fotografia alterna entre o uso do digital e o uso da película para dar o ar de sujo, desgasto, como se fosse feito antigamente. E isso é muito bem usado e pensado. Um filme que é muito interessante e me lembra muito O Resgate do Soldado Ryan, pela ação frenética, cortes rápidos com a intenção de dar um ritmo mais acelerado ao filme e um clima hostil a qualquer criatura presente ali. Vale a pena se conferir.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.