29
jul
2017
Crítica: “Os Meninos que Enganavam Nazistas”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Os Meninos que Enganavam Nazistas (Un Sac de Bills)

Christian Duguay, 2017
Roteiro: Christian Duguay, Benoît Guichard, Jonathan Allouche, Alexandra Geismar e Laurent Zeitoun
Paris Filmes

3

Acho que falo por muitos que a 2ª Guerra realmente foi um terreno muito fértil para várias histórias serem contadas nos mais diversos meios: livros, revistas, jogos de videogame, RPGs, histórias em quadrinhos, músicas, séries de tv, documentários, animações, e, principalmente filmes de guerra.

Mesmo depois de quase 100 anos do término da 1ª Guerra até os mais recentes 70 anos do término da 2ª Guerra, muitos relatos foram feitos, desde famílias despedaçadas, pais que abandonaram filhos que nunca conheceram, parentes que tiveram de sobreviver aos maiores infernos que uma pessoa pode suportar, enfim, coisas que estamos acostumados a ver, mesmo não acreditando.

Alguns sobreviventes que acabaram indo para campos de concentração e fugiram hoje contam como foram alguns dos piores dias de sua existência em palestras, vídeos a fim de termos um retrato maior do que aconteceu em menos de 1 século. E é isto o que está presente Os Meninos que Enganavam Nazistas.

No filme, acompanhamos a história de Joseph e Maurice Joffo, garotos judeus que moram em Paris, com seus pais e seus 2 irmãos mais velhos. O pai trabalha numa barbearia local, até que os filhos fazem uma pegadinha com dois nazistas que estão passando, os convencendo a entrar na barbearia do pai. Quando os nazistas descobrem que todos ali eram judeus, começa o pesadelo da família.

Joseph (cujo apelido é JoJo) e Maurice são obrigados pelos seus pais a saírem de casa, enquanto ainda é tempo, a fim de sair da França, que está dominada por Hitler e suas tropas. Os pais dão instruções de como devem sair sem serem notados pelos soldados a fim de ir a tal “zona livre”. Os meninos irão passar por vários perigos e desavenças pelo caminho.

A historia é contada pelo ponto de vista de JoJo, que mesmo agindo vez outra como uma criança que não compreende tão facilmente a situação ao qual estão, ainda assim consegue ter uma sensibilidade e senso de responsabilidade muito avançado para sua idade. Mesmo nas piores situações, JoJo sempre tenta se manter otimista, o que faz com que o sofrimento seja atenuado, mas menos impactante.

Os poucos momentos que conseguem passar com a família são os momentos mais prazerosos de JoJo e Maurice, que passam vários meses esperando noticias de seus pais. Só um comentário a ser feito: se a mãe conseguira o telefone em um momento mais avançado na hora em que decide coloca-los num internato, porque ela não liga já no primeiro dia?

Apesar de terem sido feitas adaptações para poder ter sido melhor elaborada no roteiro, ainda assim, o clima de tensão que se instala ao serem noticiadas as novidades da guerra é bem tenso. Quando JoJo é adotado por uma família que era apoiadora do nazismo, vira e mexe, o patriarca faz questão de falar que os judeus são a escória e que aqueles que não apoiavam os heróis do nazi-fascismo eram loucos.

Devo imaginar o quanto deve ter sido difícil para JoJo aguentar, já que esta obra não é produção autoral. É baseada num livro autobiográfico escrito pelo JoJo (sim, o personagem principal é o próprio escritor). Esta obra já havia sido filmada anteriormente em 1975, só que acabou por cair no esquecimento.

A montagem é muito bem feita, os momentos onde os garotos levam socos e tapas são muito bem feitas e coreografadas, além de ter uma ajuda da maquiagem que acaba por contribuir, principalmente na cara de JoJo, onde os cortes que ele sofre chegam a ser bem brutais.

Mesmo com alguns delizes no roteiro, como o momento já mencionado anteriormente, um final típico com dizeres do tipo eles ainda estão vivos ou o pai morrera no campo de concentração e a pressa para resolver o final deixam a desejar, mas, de longe, o que esta obra tem de ruim, em comparação Transformers ou Baywatch tem de péssimo (vou pegar no pé dos 2, pois mesmo os piores delizes que esta obra pode cometer, não chega aos pés do mal gosto deixado por estas duas obras. Baywatch e Transformers, deem as mãos e vão para o inferno).



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.