30
jul
2017
Crítica: “Planeta dos Macacos – A Guerra”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Planeta dos Macacos – A Guerra (War for the Planet of the Apes)

Matt Reeves, 2017
Roteiro: Mark Bomback e Matt Reeves
20th Century Fox

4.5

Pierre Boulle. Quem diria que um engenheiro que trabalhava como agente secreto durante a 2ª Guerra, mas que fora capturado e durante dois anos submetido a trabalho forçado seria futuramente um grande nome no circuito literário. Pierre escreveu 2 grandes obras que hoje são mundialmente conhecidas A Ponte do Rio Kwai, que ganhou adaptação cinematográfica em 1957, vencedora de 7 Oscars. E também escreveu O Planeta dos Macacos, indicado a 2 Oscars, e pavimentou uma saga de mais 4 filmes.

Então, depois de 10 anos, a franquia vem com o objetivo de trazer uma prequel antes do primeiro filme que adapta o livro original. Foi sucesso de critica e bilheteria, então a 3 anos, veio o 2º e fez ainda mais sucesso.

Mas antes de falar do filme, só farei uma recapitulação dos eventos anteriores: o cientista Will Rodman (James Franco) desenvolve um soro para combater o mal de Alzheimer, já que seu pai Charles Rodman (John Litgow) sofre. Porém, seu efeito de curta duração, faz com que Will tenha de produzir uma nova espécie. Só que ele é eficaz em macacos, o os faz terem aumento de QI.

Então Will pega o filho da macaca em que fora injetado o soro, que havia se descontrolado e fugido, protegendo seu filho, e retira sangue dele a fim de fazer novo experimento e cura a doença do seu pai. Mas depois de um tempo, César se envolve em confusões, a doença volta e o macaco é mandado para um abrigo para macacos onde é maltrado.

César foge do abrigo e rouba a nova formula que poderia ser a cura definitiva para a doença de seu pai. César leva ao abrigo, deixando os símios inteligentes e a rebelião é liderada.

No 2º filme, termina exatamente do ponto em que a cena “pós créditos” termina, na qual o vírus se espalha e os macacos agora são os donos da Terra toda. Dez anos depois, César agora comanda uma legião de 8 mil animais. Um grupo acaba por entrar na floresta, sem o conhecimento da presença do macaco líder revolucionário e seu exército.

Malcolm (Jason Clarke), convence o líder do agrupamento humano, Dreyfus (Gary Oldman), a dar três dias obter acesso a um gerador hidrelétrico em uma barragem dentro do território símio. Dreyfus desconfia quanto aos macacos, e começa a armar os sobreviventes, em preparação para a guerra. Enquanto isso, Koba (Toby Kebbell), que havia sido cobaia dos seres humanos no passado, incentiva César a exterminar todos os seres humanos.

Koba toma conhecimento do armamento dos seres humanos, e confronta César sobre sua tolerância para com os seres humanos. César esmurra Koba por sua insolência. Koba convence Olhos Azuis (Nick Thurston), seu filho, a acreditar que Malcolm e os seres humanos são perigosos. Na noite em que a energia é restaurada para a cidade, Koba espalha fogo nas construções da floresta dos macacos e usa a arma humana clandestinamente para atirar em César, aparentemente matando-o e o corpo cai de uma laje. Olhos Azuis encontra a arma, e Koba aproveita a confusão resultante do resto dos macacos para colocar a culpa nos seres humanos e insuflar um frenesi em suas forças.

O novo filme segue algo tempo depois do ultimo filme na qual os macacos agora se preparam para a vindoura guerra, já que Dreyfus conseguiu mandar uma mensagem avisando a um grupo de humanos com mais poderio bélico a localização de César e seu bando. Um grupo entra floresta adentro para tentar matar César, mas é subjugado e mandado de volta a base de onde vieram.

Um dos macacos em posse humana chamado de Red (Ty Olsson), ex-seguidor de Koba, na esperança de tirar César do poder, seria julgado, mas antes de isso acontecer, acaba fugindo e ferindo um dos macacos chamado de Winter (Aleks Paunovic), um macaco albino, mas que acaba se bandeando pro lado inimigo por medo.

Retornando ao vilarejo macaco, Olhos e Rocket retornam de uma longa viagem e avisa a César sobre um local seguro que descobriram na qual, todos os primatas podem recomeçar. César então, começa a fazer planos de levar o clã através do deserto. Na noite antes da jornada, a equipe paramilitar Alpha-Omega se infiltra na base e Coronel (Woody Harrelson) mata Cornélia (Judy Greer), assim como Olhos.

Deixando seu filho mais novo, Cornelius, sob os cuidados de Lake, ex-mulher de Olhos. César parte para executar sua vingança no Coronel. Ele é acompanhado de Maurice, conselheiro de César , Luca e Rocket, enquanto o resto se dirige ao deserto. Durante a jornada, eles encontram um soldado vivendo numa abandonada vila e César atira nele. Lá, eles descobrem sua filha, que, aparentemente é muda e Maurice insiste que eles devem leva-la com eles.

No meio do caminha, César e o quarteto encontram Winter num acampamento da Alpha-Omega e ouve que Coronel  foi para um local conhecido como a “fronteira”. César acaba matando Winter, o que faz ele se preocupar que possa estar ficando parecido como Koba, que morrera no filme anterior e agora assombra seus sonhos. Algum tempo, eles percebem que alguns soldados foram baleados e deixados para morrer.

Mais tarde, o grupo conhece Macaco Mau, um inteligente símio eremita que vivia num zoológico antes do surto da Gripe Símia. Mau revela que os humanos estão acampados na fronteira, num antigo deposito de armas que foi transformado em unidade de quarentena quando o vírus começou a se espalhar e onde mantinham alguns primatas prisioneiros. Mau concorda em liderar o grupo, em troca de César resgatar seu filho, que ele ainda acredita que esteja lá.

Nesse terceiro capítulo, vemos o que pode ser o futuro ponto de virada da franquia, de algo fantasioso para um verdadeiro clima onde os exércitos irão se digladiar para fazer valer a supremacia e sobrevivência de sua espécie. O filme também faz alegorias ao extremo fanatismo, visto que já na cena de abertura, é possível ver nas costas dos capacetes dos soldados, frases preconceituosas e muito forte como “Mata-Macaco”, “Estripador de Chimpanzés” e outras coisas do gênero.

Ainda sobre fanatismo, o tal Coronel é quase retratado como uma espécie de líder religioso, já que seus discursos vindo do alto de uma torre, parecem muito os de lideres extremistas como Kim Jong-Um, Adolf Hitler, entre outros grande ditadores. Apesar de César ainda ter aquela posse de herói revolucionário, suas atitudes são deveras controversas, quase como um Che Guevara cheio de pelos. Mesmo não havendo um antagonista tão forte quanto Koba foi no filme anterior, ainda assim Donkey vira uma espécie de Koba mais contido e focando no físico, já que ele, vez outra, acaba virando um adversário de César.

Maurice ainda continua sendo grande conselheiro e julgador moral da escolhas feita por César, só que, neste filme, Maurice perde uma espécie de senso de ironia que possuía nos filmes anteriores e acaba substituindo esta atitude por um senso de paternidade que não estava presente anteriormente. Mesmo sendo um artificio do roteiro para torna-lo mais humano, palpável e podendo virar uma imagem que o publico possa se encontrar, é mostrada de forma forçada e inexplicável, sendo um ruído que acaba por poluir o filme.

O filme cresce com a mais que magistral atuação de Andy Serkis, que volta pela terceira vez a interpretar o líder peludo revolucionário. Mais uma vez, utiliza-se do recurso de captura de movimento por sensores implementados numa roupa especial. Os efeitos estão lindos como de costume, já no segundo, havia sido um dos filmes com o maior número de personagens feitos com o uso de captura de movimentos e aqui também não deixam a desejar.

A fotografia é muito bem feita, a câmera faz o acompanhamento dos personagens símios e seus movimentos duros com muito empenho. E ela se alterna em tons muito claros, principalmente nas áreas onde há presença de neve e locais onde a escuridão impera e quase não sendo possível ver o rosto dos macacos, que acabam por se misturar com o ambiente.

A edição é bem ritmada, na qual, as grandes cenas de ação tem cortes muito rápidos, a fim de dar agilidade e oferecer dinamismo, nas cenas mais contemplativas, os planos mais longos imperam, muitas vezes, podendo fazer o espectador achar que se passou muito tempo.

O 3D não é de grande importância, mas devo dizer que ver o filme em IMAX será uma experiência interessante, pelo menos, para apreciar melhor os detalhes das paisagens apresentadas, além de poder ver melhor as legendas, já que a versão em que vi, as legendas foram colocadas muito abaixo e acabando por se tornar incompreensível o que era dito em tela.

Guerra (nome carinhoso que eu adotei) apesar de ter alguns problemas de roteiro, ainda assim traz um clima de guerra que muito jogos que usam o enredo futurista não conseguem fazer e acaba por ser um grande achado no meio cinematográfico. Agora, quanto ao futuro e como ele irá se encontrar no primeiro filme ou livro, ainda é bem incerto, já que o final não deixa nenhum tipo de espaço aberto para a continuação. Não sei o que poderá vir a partir daí, mas espero que o 4º capitulo seja tão surpreendente quanto esse foi.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.