23
ago
2017
Crítica: “A Torre Negra”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

A Torre Negra (The Dark Tower)

Nikolaj Arcel, 2017
Roteiro: Akiva Goldsman, Jeff Pinkner, Anders Thomas Jensen e Nikolaj Arcel
Sony Pictures

2

Stephen King. Um nome amado por uns e odiado por outros. No entanto, é absolutamente inegável sua contribuição para o gênero terror. Seus livros são fenomenais e vários já receberam adaptações para as mais diversas mídias conhecidas. Um grande destaque, mesmo que King odeie é a adaptação de O Iluminado, de Stanley Kubrick. Ainda este ano, outra obra de King receberá uma versão nova para as telonas.

Quanto a Torre Negra, o universo criado por King é certamente rico e cheio de elementos interessantes. Mas infelizmente não foi possível observar isso em tela.

Um homem misterioso (Matthew McConaughey) usa crianças como fonte de uma máquina que destrói uma construção misteriosa. Jake Chambers (Tom Taylor) acaba tendo visões desses acontecimentos e desenha tudo o que se lembra em páginas. Apesar da mãe Laurie (Katheryn Winnick) achar que tudo não passa de delírios pós traumáticos causados pela morte do pai de Jake, ela é impelida por Lon (Nicholas Pauling) a interná-lo.

Enquanto isso, dois homens misteriosos armados estão em busca do tal homem, que acaba matando um deles.

O filme tem cenas de ação que pode encher os olhos de alguns, mas um dos maiores problemas é o roteiro. Se esse filme pretendia ser o inicio de uma série de filmes, infelizmente o seu trabalho é feito de forma apressada, irregular e totalmente fora de ritmo. O filme não desenvolve quase nada dos personagens. Ele julga que todos já conhecem sobre o que a história se trata e não apresenta quase nada dos conceitos, ocasionando vários furos no roteiro.

É diferente como no caso de Mad Max – Estrada da Fúria. Lá, há um pouco de desenvolvimento, mas até mesmo o espectador menos letrado da audiência consegue entender por algumas poucas linhas de diálogo o que aconteceu naquele lugar. Já aqui, tudo é atropelado, sem ritmo algum e jogado como se não houvesse a necessidade de dar fundamentação. O único conceito bem apresentado é do personagem Pistoleiro (Idris Elba) que era o protetor da tal construção destruída pelo homem misterioso, mas que abandonou a função, devido a falta de suporte. Mas mesmo assim não explica como foi o processo de esfacelamento do tal grupo.

Apesar de haver grandes nomes no elenco como Matthew McConaughey e Idris Elba, as atuações de ambos parecem forçadas, robóticas e sem o mínimo de profundidade. Apesar de McConaughey tentar imprimir uma personalidade ao tal Homem de Preto, soa tão artificial quanto The Rock poder virar um grande ator dramático de poucas palavras.

O desenho do som é péssimo. Não há nenhum tipo de construção sonora memorável, apenas sons distorcidos, algo que está se tornando comum em quase todos os principais filmes de ação. As sequencias de tiroteios parecem ter sido recicladas de outros filmes.

A direção de arte até capricha no tal lugar onde o Homem de Preto faz sua mágica de destruição acontecer, mas peca quanto ao quesito de apresentar as tais torres negras. O figurino possui uma cara de western distópico, mas acaba tendo o sentido esvaziado ao fazer com que o Homem de Preto use e abuse da modernidade, parecendo uma espécie de steampunk mas com vários defeitos cronológicos, não havendo uma concordância ou mesmo consonância no estilo adotado.

A montagem, devido a falta de orientação quanto ao ritmo a ser executado pelo filme faz um trabalho de cunho bastante duvidoso, já que acaba embolando e até não pontuando a importância dos acontecimentos.

Se este era para ser o primeiro de uma série de filmes, infelizmente, não será desta vez que os fãs de um dos maiores mestres do horror verão uma obra complexa e incrível adaptada para as telonas. Será necessário fazer uma grande auto avaliação sobre qual caminho a seguir e se poderá ser viável, já a sucessão de erros foi brutal.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.