17
ago
2017
Crítica: “Annabelle 2 – A Criação do Mal”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Annabelle 2 – A Criação do Mal (Annabelle: Creation)

David F. Sandberg, 2017
Roteiro: Gary Dauberman
Warner Bros. Pictures

4

Annabelle. Uma doce e meiga bonequinha que esconde um segredo macabro que serviu de inspiração para um dos mais recentes responsáveis pela reimaginação do terror americano fazer uma franquia sobre esta que, hoje em dia, é um das mais emblemáticas figuras que metem medo nas pessoas.

É inegável dizer que o sobrenatural sempre aguça as curiosidades daqueles que sempre buscam saber se há algo além da realidade aparente, se é possível haver possessão de objetos ou pessoas, comunicação com seres do outro lado e se jogos ocultos podem ocasionar consequências desastrosas.

O filme conta a história da família Mullins, na qual o patriarca Samuel (Anthony LaPaglia) cria sua mais recente obra. Um dia, por descuido, Samuel e sua esposa Esther (Miranda Otto) veem sua filha ser atropelada por caminhão que passava por perto. Doze anos se passam e garotas de um antigo orfanato falido acabam por se instalar na casa dos Samuel, cujo clima está abalado desde aquele fatídico.

Essa cena de abertura dando foco aos rostos e as partes de porcelana das bonecas é realmente instigante, já que essas feições, mesmo tendo sido pensadas para alegrar e encantar as crianças, acabam por também criar uma atmosfera macabra, mesmo nas horas mais leves da película. Muitos de nós podemos dizer que esses brinquedos foram feitos para assustar propositalmente, mas, por mais absurdo que possa parecer, elas tem um charme inocente e delicado.

O filme também sabe dosar seus momentos de tensão com momentos mais tênues, por isso, já aviso que não espere um filme repleto dos já famigerados jump scares, aqueles sustos repentinos que acontecem quando menos você espera. O clima é construído, meticulosamente articulado e calculado para lhe impressionar nos momentos certeiros. Mas algo interessante de observar é como é construído o susto. Uma dica: fique olhando ao redor e você poderá observar a preparação para o momento derradeiro. Isso faz o susto ficar mais crível, não parecendo algo forçado ou que só entrou de graça a fim de assustar os mais desavisados.

A câmera é muito interessante, já que ela é ousada, fazendo enquadramentos inesperados, principalmente no inicio calmo, onde espera algo mais padronizado e sem muita enrolação. Aqui o filme tem coragem e experimenta diversos tipos de elementos tanto de câmera quanto de linguagem. Uma das cenas mais incríveis é quando as garotas estão ao ar livre, de manhã e aparentemente tudo está tranquilo. Então uma força sobrenatural arrasta uma das meninas e a leva para dentro do local de fabricação das bonecas, fazendo o clima de insegurança ser observado o tempo todo, algo muito pouco explorado no terror, que concentra a maior parte dos sustos no escuro.

A fotografia é bem equilibrada, mesmo dando uma atenção maior as cenas em completo breu ou com pouquíssimos faixos de luz. A direção de arte é indiscutível, não só pela produção das bonecas, mas também pela decoração dos ambientes, em especial o quartinho onde a boneca Annabelle está escondido, o quarto onde os Mullins habitam e o celeiro/oficina. Um elemento que vale a pena ressaltar é a presença de símbolos religiosos nos cômodos da boneca e dos Mullins, que fazem o clima ficar ainda mais pesado, já que a família é crente.

Um ponto negativo é que toda a vez que a entidade sofre algum tipo de admoestação, ela fica mais poderosa do que antes. Isso é algo que não faz jus, mesmo algo sobrenatural. Se acaba por possuir alguém e este acaba sendo golpeado, é de se esperar que o golpe incapacite por um tempo, mesmo que curto. Mesmo sendo algo conflitante, não acaba por manchar o filme como um todo.

E acaso esteja se perguntando se é realmente necessário que se precise assistir ao primeiro, digo que não. Já que esta é a origem, não é deveras imperativo que assista o primeiro filme.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.