24
ago
2017
Crítica: “Atômica”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Atômica (Atomic Blonde)

David Leitch, 2017
Roteiro: Kurt Johnstad, Anthony Johnston e Sam Hart
Universal Pictures

4

O mundo de espionagem e agentes secretos nos cinemas nunca foi exatamente um grande mistério nos cinemas. Afinal, o gênero sempre esteve em alta, seja com James Bond indo, voltando, mudando de cara. Um dos exemplos mais recentes da nova safra de agentes é Kingsman – Serviço Secreto, que terá uma nova sequência este ano. E agora, vemos um novo título, desta vez protagonizado por uma mulher. É disto que irá tratar Atômica.

Alguns dias antes da famosa queda do Muro de Berlim, um agente do MI6 James Gasciogne é morto por um agente da KBG Yuri Bahktin. O agente rouba uma tal Lista, um microfilme colocado dentro de um relógio que contem todos os nomes de agentes que estão em Berlin. Dez dias depois, Lorraine Broughton (Charlize Theron) vai para um interrogatório onde é confrontada por seu superior Eric Gray e Emmett Kurzfeld, um agente da CIA que coopera com o MI6.

Charlize volta matadora com outra personagem que chuta o pau da barraca sem medo de ser feliz. Ela é durona, não dá trela pra marmanjo e sabe brigar como ninguém. A semelhança de sua personagem nesta produção com a Imperatriz Furiosa de Mad Max – Estrada da Fúria não é apenas mera coincidência. James McAvoy faz um espião beberrão, mulherengo e dúbio. Essas características já estão mais que gastas no cinema.

As cenas de ação são espetaculares, com as lutas bem coreografadas e se assemelhando a filmes como Clube da Luta, onde a pancadaria come solta e os golpes são brutais.

Outro elemento interessante da trama é a aparição de hematomas, fissuras e vermelhidões no corpo de Lorraine quando esta sai da banheira ainda nos minutos iniciais da trama. Isso ajuda o espectador a romper com a ilusão de que os personagens podem tudo (ou quase) e faz eles parecerem humanos, algo que infelizmente é pouco abordado em grandes produções onde o personagem passa por sessões intermináveis de tortura e, na cena seguinte, volta como se tivesse passado por uma cura intensiva e sem deixar marcas.

A trilha sonora também não deixa nenhum um pouco a desejar, contendo Queen, David Bowie e George Michael. Apesar de nos últimos instantes, a canção Under Pressure, de David Bowie e Queen ser apresentada, ela ainda assim consegue combinar com o setlist montado pela produção. Em relação ao desenho de som, ele é feito de uma forma bastante orgânica. Os socos, os tapas, os chutes tem uma profundidade muito impactante. Eles imprimem realidade.

A direção de arte é repleta de neons, grafites e vários litros de sangue. O sangue jorra para todos os lados parecendo um jogo chamado Manhunt, jogo extremamente violento e polêmico, na qual, o personagem executa outros e dependendo do nível da crueldade do assassinato escolhido pelo jogador, o sangue pode acabar espirrando na tela.

A montagem intercala entre uma sucessão de cortes rápidos com longos planos sequência, principalmente na sequencia onde a personagem desce uma escada e vários inimigos aparecem para tentar matá-la.

O filme sabe combinar momentos onde a reflexão é necessária para se entender a trama e os momentos de ação frenéticos que deixarão você na beira do assento.

Um problema meio irritante acontece nos minutos finais, onde acaba acontecendo uma sucessão de plot twist que começa interessante e arrebatador, mas que depois do 2º plot twist apresentado, ele perde o impacto que deveria ter. Apesar de fazer o espectador tentar refletir sobre essa conclusão meio apressada do fim do enredo, ele ainda consegue ser fascinante, mesmo com a perda de força.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.