26
ago
2017
Crítica: “Death Note”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Death Note

Adam Wingard, 2017
Roteiro: Charles Parlapanides, Vlas Parlapanides e Jeremy Slater
Netflix

1.5

Death Note. A história de um colegial entediado que acaba encontrando um artefato misterioso cujo o poder só poderia ser incompreensível quanto o seu dono é um dos mangás, que apesar de ter sido encerrado há algum tempo, ainda continua arregimentando uma legião de fãs por todo o mundo. Na história, Light Yagami acha o tal caderno e a principio pensa que é tudo uma grande palhaçada, até decidir testá-lo e ver o quão grandioso esse objeto pode ser. No entanto, recebe a visita de um deus da morte chamado Ryuk, que lhe alerta sobre os efeitos e os perigos que os portadores podem vir a sofrer. Enquanto isso, o maior detetive do mundo volta a ativa e passa a dedicar tempo integral a achar e prender quem estaria por trás de uma onda misteriosa de assassinatos.

Entretanto, o serviço de streaming mais famoso do mundo decidiu fazer sua versão do tal mangá. Mas, infelizmente, falha em quase todos os sentidos.

A história traz Light Turner (Nat Wolff) um adolescente que faz lições de outros a fim de ganhar uma grana extra. Até que acaba descobrindo o tal caderno. Light é esmurrado por um valentão e acaba indo para a detenção por fazer atividades ilícitas. Light acaba abrindo o caderno e vê o deus da Morte Ryuk (Willem Dafoe). Ryuk então mostra a Light situações de bullying e o garoto decide agir, matando de forma cruel o agressor.

Apesar de seguir a mesma premissa do anime/mangá, o jeito como tudo é desenvolvido é absolutamente expositivo e com falta de clima misterioso que havia na obra original. Se já houveram fãs fervorosos que reclamaram pela extrema ocidentalização, descaracterização e desvirtuamento quando Dragon Ball – Evolution foi feito, aqui mesmo estando sob o selo Netflix, o que não irá faltar é chuvas de comentários maldosos a respeito da produção, o que já é possível observar através de uma rápida passagem pela seção.

O filme tenta fazer uma espécie de empoderamento para a comunidade negra, já que o L (Lakeith Stanfield) é negro. Mas como é sempre repetido o tal ditado: “De boas intenções, o inferno está cheio”, aqui esta máxima não deixa de ser verdade. O L da obra é mais introspectivo, mais irrequieto, mais instigador. O L apresentado pela Netflix atua no overacting, já que sempre está prestes a explodir.

Quanto a Light, que na obra original era mais passivo, mais blasé quando agindo na persona de garoto normal, aqui Nat Wolff parece estar completamente alheio a tudo que o cerca e quando precisa agir como Kira, a persona assassina, ele extrapola e reage como se fosse uma criança mimada e sem a menor atenção. Kira é totalmente escravo de sua namoradinha, havendo uma inversão de papeis, mas completamente injustificável.

Misa Mia (Margaret Qualley) é quase a forma real da persona que Light deveria ser. Fria, insensível e completamente dominadora, mesmo apresentando a tal paixonite que a namorada autointitulada apresentava, mas novamente, a paixonite é incidental, não há um real motivo.

O roteiro até explica um pouco sobre as regras de como se deve usar o caderno, mas faz tantas piadas sobre a quantidade dessas regras que fica injustificável o motivo de haver a explicação sobre elas. Os espectadores que ainda não tiveram algum contato com a obra podem ficar com severas dúvidas a respeito do funcionamento e da extensão das regras de utilização do caderno, já que elas aparecem quando e como (os roteiristas) querem.

A fotografia é bastante saturada para o tom frio, para se parecer com o clima empregado do anime. Mas essa fotografia não faz um trabalho competente. Ela não apresenta nada de diferente, não faz algo arriscado.

A direção de arte até mostra em um dado momento Light abrindo um livro onde há uma ilustração de Ryuk na versão do anime e faz uma referência ao mostrar L vestindo uma camisa branca icônica, mas não faz mais do que isso. O Ryuk computadorizado está sempre dentro de alguma penumbra, o impossibilitando de ser visto. O mais plausível deve ser por que a produção tenta esconder os efeitos visuais nada convincentes do personagem feito em CGI, além de nunca mostrar as asas do personagem, necessárias para sua locomoção.

A trilha sonora apresenta Take My Breath Away, da banda Berlin na festa da escola, um elemento muito usado e abusado em várias produções adolescentes, que não faz outra função além de tentar dar um clima mais divertido à produção, que falha miseravelmente. A montagem também não traz nenhuma inovação, já que não apresenta nenhum ritmo impactante, nem mesmo nas grandiosas cenas de assassinato, perseguição ou qualquer outra cena supostamente impactante.

Em resumo, o filme faz um completo desserviço aos fãs de longa data e não faz o espectador mais curioso querer dar uma chance à obra. Um severo concorrente a pior filme do ano, junto com Baywatch.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.