10
ago
2017
Crítica: “Valerian e a Cidade dos Mil Planetas”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets)

Luc Besson, 2017
Roteiro: Pierre Christin, Jean-Claude Mézières e Luc Besson
Diamond Films

3

Valerian. Uma história em quadrinhos franco belga revolucionaria por influenciar uma nova geração de amantes da ficção cientifica ao introduzir conceitos de viagens pelo tempo e pelo espaço. Alguns especialistas até dizem que foi responsável por ajudar um certo americano com sobrenome meio brasileiro a criar o conceito de “há muito tempo, em uma galáxia muito distante…” . Se isso é verdade ou não, de uma coisa tenho certeza: o criador nunca admitirá, por mais que o perguntem.

Esse quadrinho teve uma relativa repercussão e o último volume foi publicado em 2013. Além de Valerian inspirar o conceito mencionado anteriormente, ele provavelmente inspirou o diretor Luc Besson, responsável por criar umas das obras de ficção cientifica que, certamente, está no patamar das grandes obras. Estou falando de O Quinto Elemento, já que algumas cenas do filme parecem muito similares aos desenhos vistos no quadrinho.

Besson até pode ser mais um caso de diretores que, vez ou outra, perde a mão. Mesmo fazendo obras incríveis como o já citado O Quinto Elemento, Léon – O Profissional Nikita, ele também traz consigo filmes deveras controversos como LucyArthur e os Minimoys e sua continuação. Agora em Valerian, eu diria que estou em cima do muro.

O filme apresenta aos poucos a formação de um império constituído de milhares de estações e naves que vão se agrupando e se unindo. Só que como ela está muito perto da Terra e qualquer tipo de aproximação poderia ser catastrófica, visto que esta estação é relativamente grande, a estação começa a vagar pelo espaço.

No ano de 2740, uma raça alienígena que vive em estruturas parecidas com conchas, vive pacificamente em sua terra natal, um planeta chamado Mül. Só que naves misteriosas começam a cair no planeta, ameaçando a destruir a vida no planeta. Os únicos remanescentes do povo se protegem dentro de uma nave caída, vendo a destruição total do planeta e de membros queridos perante seus olhos.

Ao passo em que o Major Valerian (Dane DeHaan) acha que viu o que acontecera ao povo desse planeta em um sonho. Valerian a bordo de sua nave está com sua fiel parceira Laureline (Cara Delevingne). Eles recebem a missão de recuperar um “conversor”. Valerian é o típico galanteador, mas está apaixonado por Laureline. A garota, no entanto, é a típica esperta, dá toco no cara toda a vez que ele tenta a pedir em casamento, irônica. Enfim, ambos são dotados daquilo que já foi visto em várias obras, não só naquilo já visto em ficção cientifica, mas visto em vários outros estilos, estando mais do que batido para os amantes de histórias originais.

Ao voltar para a estação agora chamada de Alpha que parte da estação foi infectada por uma força desconhecida, mas altamente tóxica, na qual, tropas foram enviadas para lá, mas que não conseguiram retornar e que a mesma está se espalhando. Valerian e Laureline são chamados para proteger o Comandante Flitt (Clive Owen) durante uma reunião para discutir a crise, mas são atacados por aliens aparentemente hostis e enclausurados em uma espécie de gosma. Os aliens pegam o general e o levam para sua nave, onde se dirigem até o tal lugar infectado.

Creio que o mais grave dos problemas apresentados é um roteiro que mistura dois arcos de quadrinhos, que acaba por não fazer jus nem a um, muito menos ao outro. Visto que só é apresentado uma montagem de como começou a construção de Alpha, não são explorados outros aspectos de como as raças conseguiram se comunicar ou se entender pacificamente, ou seja, todas as espécies são pacificas, exceto as que não são dotadas de inteligência, em sua grande maioria. A trilha inclui a icônica Space Oddity, clássico do finado David Bowie. No quesito composição, Alexandre Desplat não consegue fazer algo icônico como fez por exemplo em Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2, quando, em certas partes, coloca um canto baixo para dar um ar épico no capítulo final da saga do bruxo. Aqui, a trilha é quase genérica, nada muito impressionante.

A fotografia tenta seguir o estilo da HQ com cores bastantes saturadas, com o uso e abuso de cores neon vibrantes, mas nada que já não tenha sido feito em outras grandes produções do gênero. Os visuais das roupas usadas pelos personagens principais se parecem muito com as de Tron, com luzes adornando a vestimenta. A direção de arte busca combinar os elementos futuristas com elementos datados. Na hora em que os personagens estão tentando reaver o tal “conversor”, eles usam roupas como camiseta florida e camisa arrastão para parecerem turistas, mas o visual datado dos anos 70 não é agradável, dando a sensação de um elemento só colocado por enfeite, diferente do que acontece em Guardiões da Galáxia, onde Peter Quill respira e transpira anos 70, por suas vestes terem uma aparência datada, mas lá é para remeter que ele nunca abandonou esta década. Aqui parece algo deslocado, que poderia ter sido facilmente substituído por outro tipo de vestimenta mais haver com a década.

Uma das poucas coisas que se destacam no filme é a personagem de Rihanna chamada de Bubbles, uma alien transformista que trabalha num clube de strip. Sua história, realmente, é mais profunda do que até mesmo os próprios protagonistas, sendo portanto a única personagem que talvez o publico possa se identificar e o visual dela remete muito ao videoclipe Umbrella, de 2007, momento em que a cantora estourou no mundo inteiro. O filme tem problemas de ritmo, soluções de roteiro apressadas e pontas soltas que, infelizmente, são incompreensíveis. Mas não é um filme ruim. Só que devido a esses furos no roteiro e a tentativa de fazer um espetáculo de efeitos de encher os olhos do espectador não faz com que este filme seja o primeiro de uma novíssima safra de space operas que surgirá nos próximos anos, visto que Star WarsStar Trek e Guardiões da Galáxia já estão no coração da cultura pop. Será necessária uma reinvenção a fim de voltar a acender a chama dessa HQ tão icônica de volta a atenção do grande público.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.