07
set
2017
Crítica: “Amityville – O Despertar”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Amityville – O Despertar (Amityville: The Awakening)

Franck Khalfoun, 2017
Roteiro: Franck Khalfoun
Paris Filmes

1.5

Casas amaldiçoadas. Certamente, um dos temas bastante usados em obras de terror. Você já deve ter ouvido aquelas famosas “lendas urbanas” de casas que acabaram causando rebuliço a todos que já se aventuraram a entrar ou morar naquele lugar. Mas um dos exemplos que ainda instiga até hoje é uma casa que fica na vila de Amityville, no condado de Sulffolk, Nova York.

Se você nunca ouviu falar na história da casa, melhor entender. Em 1974, um crime brutal aconteceu. Ronald “Butch” DeFeo Jr assassinou, de maneira cruel e fria seus pais e seus 4 irmãos a tiros de rifle. Segundo o próprio Butch em suas palavras, ele disse: “Tudo aconceu tão rápido. Uma vez que comecei, não pude parar”. Butch foi sentenciado a 100 anos de prisão depois o acontecido.

Um ano depois, a família Lutz compra a casa dos Defeo. Mas, pediram a ajuda de um padre, amigo da família, que benzesse a casa. Foi em vão. Os Lutz tiveram uma estadia de apenas 28 dias no tal lugar, onde relataram enxames de moscas vindos do nada, portas e janelas batendo, barulhos sinistros, sons parecidos com os de tiros. Algum tempo depois, o famoso casal Ed e Lorraine Warren foram investigar a tal casa e constaram que o quer que os Lutz tenham visto era, de fato, assombroso.

Isso rendeu livros, uma franquia extensa e este ano, um novo filme, explorando ainda mais o tal fato. Mas se os admiradores de histórias com casas mal assombradas já haviam ficado possessos com o tanto de improbabilidades apresentado pelo remake de 2003, aqui a coisa fica ainda pior.

O filme parece uma versão que a MTV faria explorando o fato com uma história completamente insossa e previsível. Bella Thorne foi mais uma das estrelas que alçaram a fama com séries do Disney Channel, só que ainda não mostrou a que veio. Sua personagem tenta ser misteriosa, com um passado obscuro, mas o tal segredo é pífio e não desce para o espectador.

Jennifer Jason Leigh faz o papel da mãe crente, que crê, mesmo quando as esperanças parecem perdidas que seu filho, interpretado por Cameron Monaghan, que faz o Coringa na série Gotham, sairá do coma induzido causado pelo tal segredo da personagem de Bella Thorne. Nenhum dos atores faz qualquer atuação memorável do longa.

O filme busca fazer referencias dos próprios filmes da franquia e do livro, já que esta historia usa e abusa da auto referencia. Algo que é falho demais, e soa mais como propaganda gratuita, bem ao estilo Uma Aventura Lego, mas de um jeito ruim. Até mesmo o filme tenta buscar significados bíblicos e místicos para dar um tom mais sombrio e misterioso, mas é algo feito de qualquer maneira e não dá profundidade alguma. O roteiro é sofrível e dá para se ter uma ideia do que irá acontecer no fim. A única piada que tem algum sucesso é “remake não presta”. E no caso deste filme, ela acerta em cheio, quase como um auto deboche.

A direção de arte é ruim, já que aparecem mensagens em tijolos cheios de sangue que soam falsas demais, como se a casa tivesse uma alma e pudesse dar comandos até para pessoas moribundas e o sangue funcionando como uma espécie de semente do deuses de Dragon Ball. Tosco até a alma. As tais visões de espíritos demoníacos são tão cheias de computação gráfica que não fica crível. Os devaneios se perdem entre falso e real, causando devaneios dentro dos mesmos, um recurso já usado diversas vezes para desorientar o espectador, mas o único sentimento que causa é raiva.

O som é batido, usa e abusa do abaixar o volume e estourar o volume nos jump scares. Ou seja, nada criativo. E os jump scares não causam medo. São falsos, risíveis e despreparados.

Se o tema de casas mal assombradas já havia se esgotado, Amityville – O Despertar pode ter feito o tema ter jogado uma grande pá de cal no tumulo onde o tema já não tem mais o mesmo impacto.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.