25
set
2017
Crítica: “Bojack Horseman” (4ª Temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Bojack Horseman

Raphael Bob-Waksberg, 2017
Roteiro: Peter A. Knight, Kate Purdy, Elijah Aron, Jordan Young, Joanna Calo, Nick Adams, Alison Tafel, Kelly Galuska e Raphael Bob-Waksberg
12 episódios (30 min.)
Netflix

3.5

Bojack Horseman. Uma série que, a princípio, parecia ser apenas mais um desenho animado sem nenhum valor intrínseco, acabou por conquistar vários fãs. A premissa é absolutamente estranha: “animais antropomorfizados convivem com humanos, dos quais, o personagem principal era um astro de um dos maiores programas de TV, mas acabou no ostracismo e desde então, vive uma vida de autodestruição, automutilação emocional, é viciado, transa com meio mundo e tenta voltar a fazer sucesso, tudo isso recheado com críticas a sociedade, alfinetadas a Hollywood e humor negro?”. Isso só poderia ter dois resultados: ou dar muito certo ou ser um fracasso.

E a fórmula ainda não cansou. Depois de estragar suas chances de conseguir um Oscar na temporada passada fazendo uma refilmagem do filme Secretariat, Bojack decide repensar sua vida e se afasta do mundo. Tanto que o primeiro episódio é um dos melhores da série, justamente pelo fato de Bojack não aparecer em nenhum momento.

E nesse ano, o cerne da temporada será a corrida eleitoral onde o Sr. Peanutbutter, um cachorro que estava na série concorrente a de Bojack e que acabou com a série dele, disputará o cargo de governador, porque ele não gosta do tal candidato e quer fazer de tudo para ser governador. Só que ele será usado apenas como massa de manobra para que sua assessora faça coisas como assinar petições que permitam perfurações, realizar caixa dois, entre outras coisas ilegais.

Além de ser uma referência a House of Cards, outra produção da Netflix, do tipo pessoas que só são colocadas para concorrer a cargos eleitorais só para depois acabarem sendo influenciados por corruptores para fazer negócios escusos, ainda assim, parece uma bela alfinetada ao governo de Donald Trump. Mas, obvio, é possível levar isso para a realidade brasileira, onde nossos queridos deputados e senadores fazem de tudo um pouco para esconder suas verdadeiras intenções e os podres que acabam fazendo durante suas trajetórias políticas.

Bojack sente a necessidade de voltar para a casa onde viveu e relembra os momentos de sua infância, até que uma jovem chamada Hollyhock, que está procurando sua mãe e pai biológicos, mas o que Bojack ainda não desconfia é que Hollyhock tem uma ligação bastante intima com sua família.

Princesa Carolyn tem sem duvidas o arco dramático mais tenso de todos. Apesar de tudo estar bem com o seu namorado Ralph, ela acaba sofrendo os maiores baques, já que descobre que a família dele é bastante preconceituosa em relação aos gatos, já que um ancestral acabou por ser um dos maiores assassinos de gatos da história, ou seja, faz com que a relação deles para com os membros da família sejam meio acaloradas. Mas, sem duvidas, o maior baque é quando descobre que sofreu um aborto espontâneo, o que faz com que sua fossa seja uma das piores possíveis.

O roteiro mostra como a série amadureceu passando de humor autodepreciativo, piadas meio bobas e palhaçadas a dramas bastante conflitantes e até bem explorados em doses homeopáticas. Apesar do exagero, ele consegue fazer a coisa ser interessante e bem fluída.

A animação continua no mesmo estilo, ou seja, é boa e bastante plástica. Sem duvidas, um dos momentos mais incríveis desta temporada, é o momento em que a casa/comitê de campanha do Sr. Peanutbutter é soterrada, devido a intensa atividade de perfuração.

A montagem é mais bem feita quando vemos o tempo passar quando Bojack está na antiga casa dos pais e vemos o tempo reconstruindo tudo quando presenciamos o Bojack menino e voltamos para o presente para ver a casa caindo aos pedaços, onde os planos gerais ajudam a perceber a passagem de tempo.

A direção de arte caprichou, principalmente, em se tratando de retratar o passado, onde parece ter um espirito de anos 50 bem caracterizada. Outra parte bem feita é quando observamos pelos olhos da mãe de Bojack, onde há vários momentos borrados, já que ela sofreu na mãos de seu marido e sofre de Alzheimer agora na velhice, uma condição que é agravada ainda mais, pois Bojack tem o maior desprezo por ela, já que ela não se importava com ele quando mais novo.

Um dos momentos mais impertinentes é quando vemos Bojack falando consigo mesmo sobre o quanto ele é burro, se autodepreciando e aparece uma versão miniatura, quase copiando o estilo do antagonista branco do desenho A Pantera Cor de Rosa. Apesar de parecer interessante no inicio, eu acho muito deslocado e feito as pressas. Poderiam ter feito como em outras temporadas com monólogos se passando na cabeça e sem ser tão ilustrativo quanto o mostrado.

A série, sem duvidas, é incrivelmente bem contada e nossos personagens sofrem como gente comum, com decepções, desapontamentos, traições, passados obscuros, decisões mal tomadas, enfim. Agora, que tipo de rumo a série pode tomar a partir daqui é uma incógnita, já que não é possível dizer que há algum tipo de gancho ou problema a ser resolvido.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.