07
set
2017
Crítica: “IT – A Coisa”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

IT – A Coisa (IT)

Andrés Muschietti, 2017
Roteiro: Andrés Muschietti, Gary Dauberman, Cary Fukunaga, Chase Palmer e David Kajganich
Warner Bros. Pictures

4

Todos quando somos crianças sofremos com algum tipo de medo. Isso é um fato completamente incontestável. E o medo acaba sendo uma resposta que nos fará ter 2 tipos de resposta: ou nos acalmamos e encaramos nossos temores ou petrificamos/fugimos.

E existe os medos mais incomuns como o de bolinhas de algodão e os mais corriqueiros como medo do escuro, medo de aranha, medo de cobra, até medo de palhaços.

Em geral, palhaços deveriam ser criaturas cujo o objetivo seria o de fazer sorrir e rir, mas, existem alguns casos em que a figura do palhaço pode ser traumatizante e causar um impacto negativo na vida da pessoa. E isso é apresentado no livro de Stephen King It – A Coisa, onde um grupo de crianças acaba sofrendo poucas e boas nas mãos de um misterioso palhaço que transformará a vida das crianças num inferno.

O livro havia recebido em 1990, e recentemente, ganhou nova roupagem. Na história, Georgie é um garotinho que quer brincar na chuva com seu barquinho de papel. Mas o barco acaba caindo no esgoto e um homem que está trajado de palhaço se apresenta como Pennywise, o Palhaço Dançarino. Pennywise tenta convencer Georgie a pegar o seu barco de volta, o que acaba por ser uma decisão que acabará com a vida do garoto para sempre.

O roteiro é bem amarrado e sabe como transpor o clima de anos 80 para a tela, desde a direção de arte até a trilha sonora, que conta com a banda New Kids on the Block, boy band icônica daquela década. O filme tem uma pegada similar a série Stranger Things, na qual coisas bizarras começam a acontecer e um grupo de crianças acaba por ter de solucionar.

E óbvio, aqui temos aquela velha historia de crianças sendo abusadas por marmanjos que fazem de tudo um pouco para infernizar a vida. Mesmo isso sendo absolutamente clichê e repetitivo, ainda assim consegue surpreender, ao dar, nem que seja, o mínimo de profundidade a esse quadro.

As crianças são a força motriz, tendo destaque para Bill (Jaeden Lieberher) que está de todas as formas tentando provar que seu irmãozinho não está morto, Ben (Jeremy Ray Taylor) que acaba sendo um gênio por acidente, ao perceber que a cidade tem um passado sombrio quanto a crianças desaparecidas e Beverly (Sophia Lillis) que é uma garota que sofre de uma má reputação infundada. Mesmo tendo no elenco Finn Wolfhard que fez o Will na série Stranger Things, seu personagem é muito inconveniente, só fazendo piadas de cunho sexual, muitas vezes, inapropriadamente. Infelizmente, é um alivio cômico falho, visto que é só disto que ele faz graça.

Sem duvidas, o maior problema no elenco é o hipocondríaco Eddie (Jack Dylan Grazer). Toda a hora, ele traz algum tipo de reclamação quanto a higiene de determinado local. Se acontecesse vez ou outra, até seria possível relevar. Mas visto que, isso acontece em quase todo o tempo do longa, mas inexplicavelmente, não acontece na cena final, acaba por ser algo que, mesmo tendo, um desenvolvimento, isso acaba gerando um ruído, como se de repente, não existisse mais a personalidade de hipocondríaco e isso acaba não condizendo com a realidade.

Mas sem duvidas quem rouba a cena é Bill Skarsgård, que pinta e borda com Pennywise da maneira que deseja. Apesar de não ser brincalhão como Tim Curry, ele certamente é tão tenebroso quanto. A direção de fotografia optou por usar como paleta de cores principais o preto, branco, tons de cinza e vermelho (principalmente o vermelho, seja pelo sangue, seja pelos balões que o personagem usa). A direção de arte fez um trabalho primoroso ao adotar um estilo de palhaço mais clássico e parecido com aqueles da época da monarquia, ao invés do estilo animador de festas infantis. Ela também usa de elementos para construir ambientes como pôsteres antigos, não só da banda New Kids, e também usando walkman, televisores de tubo.

Na questão de figurino, o que vale ser ressaltado é que Beverly em um dado momento acaba por lembrar Janis Joplin, com os óculos escuros. E também vemos a volta do penteado mullet, icônico na década de 80, mas que, hoje em dia, é motivo de piada. A edição é bem feita, contrastando momentos de sustos pavorosos com momentos mais alegres e jocosos. E os jump scares não devem nada a outras grandes produções do gênero. Mas é possível de sentir falta de mais cenas com sustos com luz acesa, algo que era bastante presente na 1ª versão.

Entre erros e acertos, ainda assim o filme é interessante e tenho certeza que esta nova versão irá certamente ajudar no imaginário de grandes palhaços do mal no audiovisual. Apesar do final ser meio corta clima, estou certo de que a continuação, se mantiver os acertos e tentar corrigir um ou outro erro que o filme teve, se sairá bem sucedida.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.