22
set
2017
Crítica: “Kingsman – O Círculo Dourado”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Kingsman – O Círculo Dourado (Kingsman – The Golden Circle)

Matthew Vaughn, 2017
Roteiro: Matthew Vaughn e Jane Goldman
20th Century Fox

3.5

Mark Millar. Sem dúvida, um dos maiores nomes em quadrinhos, hoje em dia. Não apenas na questão de criar obras, mas sim, em fazer uma marca própria e fazer de tudo um pouco com ela. Só nesta última década, Millar conseguiu ser um dos maiores expoentes em termos de licenciamento. Kick-Ass, o quadrinho ultra violento onde um bando de adolescentes e crianças vestidos de heróis quebram meio mundo na porrada, já recebeu 2 filmes pro cinema. Recentemente, a Netflix adquiriu o chamado Millarworld e passará a fazer séries dos títulos e um dos sucessos mais recentes foi Kingsman, inspirado em filmes de espionagem.

E agora a turma de Eggsy (Taron Egerton) está de volta. Eggsy ainda lida com uma de suas desavenças do passado, o agente que falhou no treinamento Charlie (Edward Holcroft) e quer a cabeça de Eggsy numa bandeja. Enquanto lida com isso, Eggsy quer mostrar aos pais da Princesa Tilde (Hanna Alström) que não é um cara qualquer, mas seus planos acabam indo por água abaixo, pois o braço mecânico de Charlie acaba baixando os endereços de alguns dos agentes que Eggsy tem mais contato e envia uma bomba para esses locais, acabando com (quase) todos os agentes. E tudo se relaciona com um tal Círculo Dourado.

Se você viu o filme anterior, os elementos que você gostou estão novamente presentes, mas ainda estão presentes as falhas que acompanham o filme.

Primeiro, vamos aos acertos. A violência explícita, desenfreada ainda rodea o filme. As cenas de ação ainda tem um impacto visual incrível. A câmera se mantém no mesmo nível do filme anterior: é fluída, percorre toda a geografia do cenário, ou seja, é possível entender o que se passa, diferentemente do que ocorre em Velozes e Furiosos, onde o excesso de cortes prejudica o entendimento da cena e deixa tudo ainda mais confuso.

A montagem é auxiliada pelo novo momento que vivemos, onde toda cena grandiosa necessita de uma música relativamente famosa para pontuar os momentos, algo que está caindo num lugar comum e todos parecem acertar.

As atuações mantém o destaque na atriz Julianne Moore, que faz uma vilã que alguns amarão odiar. Apesar de ela não ter cenas de ação, seus diálogos são muito bem feitos e ela é bem ambiciosa. Ela faz o público se divertir com suas maldades.

A fotografia é bem feita, ela tem sempre tons bem saturados e exagerados, bem ao estilo de quadrinhos. A direção de arte também é incrível, os apetrechos que os personagens usam desafiam as leis da física e da compreensão lógica.

Agora, vamos aos erros. Se por um lado, a geografia é bem explorada, com poucos cortes ou cortes invisíveis nas cenas de ação, ela ainda está muito longe de Atômica ou John Wick, onde vemos os personagens cambaleando, lá nós sentimos a porrada vir e nos cambalear e fragilizar. Aqui, os personagens tomam porrada e ela parece que os fortalece. Como!?

A montagem das cenas de ação apesar de ser auxiliada por músicas famosas ou desconhecidas, mas que se encaixam, tem de melhorar e muito para estarem num nível parecido com o de Baby Driver, que sabe como usar cada música para pontuar suas cenas de ação e como cada música sabe conversar com o filme num todo.

O roteiro aposta todas as fichas do humor com piadas relacionadas aos 60 e o seu alívio cômico é Elton John, que, apesar de parecer deslocado, ainda consegue se fazer crível. Mas, acaba uma hora chegando que todas as piadas possíveis de serem feitas com o músico soarem batidas e não mais impactantes. Além disso, há uma quantidade de personagens que só entram para que piadas sejam feitas com seus nomes e, estes mesmos, são subaproveitados e deixados de lado e só voltam quando o roteiro acha interessante voltar a abordar. E Julianne Moore, apesar de estar divertida no papel, acaba se tornando no 3º ato uma verdadeira dor nos nervos, já que ela acaba por ficar tão inútil, quanto o personagem interpretado por Samuel L Jackson, visto que sua motivação é pífia.

Enfim, não é que o filme não seja divertido (ele é), mas é que, tudo o que deu certo no primeiro filme continua e tudo o que deu errado continua. No frigir dos ovos, não é algo ruim, só é mais do mesmo, decidiu jogar no lado que estava ganhando e deu certo, não ousou arriscar. Mas se essa recém feita dupla de filmes pretende virar uma trilogia, é necessário haver uma readequação de conceitos se quiser continuar com sobrevida.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.