01
set
2017
Crítica: “Os Defensores” (1ª Temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Os Defensores (The Defenders)

Douglas Petrie e Marco Ramirez, 2017
Roteiro: Lauren Schmidt e Drew Goddard
8 episódios (50 min.)
Netflix

2.5

Marvel e Netflix. Um casamento que poderia dar ou muito certo ou muito errado. A ideia de expandir o seu já relativamente vasto mundo de personagens para além do cinema já era algo que estava sendo feito, desde Os Vingadores em 2012, com a estreia da serie Agentes da Shield, no canal ABC. Desde então, alguns personagens licenciados acabaram sendo recuperados como Demolidor, que estava sob domínio da Fox.

Então, aproveitando isso, a Marvel decide fazer uma joint venture com o serviço de streaming Netflix e passam a fazer séries com o intuito de fazer mais um mega evento como Os Vingadores, desta vez optando por uma abordagem mais urbana, mais humana. Então, a escalada para o tal projeto começou de forma incrível com a série do Demolidor sendo algo até então de ruptura, já que mostrava alguém frágil, mas que iria até as ultimas consequências, caso fosse necessário.

Mas então vieram os percalços: apesar de Jessica Jones ter um vilão de certa forma que crie ódio nas pessoas, ainda assim, ele sofreu do mal que sofre a maior parte dos vilões em filmes de super herói: ele é vencido, mas não pensam em usa-lo para projetos futuros. Essa ideia foi carregada na 2ª temporada do Demônio do bairro de Hell’s Kitchen, mas não da maneira que gostaríamos. Então veio Luke Cage, que apesar de tentar voltar com a pegada urbana do Homem sem Medo, não foi bem aproveitado. E para amargurar aqueles que já estavam desesperados, veio a bomba do Punho de Ferro, que tentou combinar artes marciais com tramas escusas e brigas corporativas, mas que falhou miseravelmente.

E chega Os Defensores que tentam fazer você esquecer as trapalhadas do universo mambembe construído as pressas pela Marvel/Netflix. Mas aqui vemos mais uma vez o exemplo de que tudo o que está ruim pode ficar ainda pior.

A trama utiliza o Punho de Ferro (Finn Jones) como elo principal para costurar todas as séries. Mas se já era algo ruim na série solo, aqui ele faz com a base seja insustentável. Todas as cenas onde Danny Rand aparece são risíveis (no pior sentido), toscas e mal executadas. Ele parece um galã de novela mexicana dos anos 80 que atua sem emoção e falsamente.

Demolidor (Charlie Cox) tem um subtexto de quer reaver a sua namorada, que ele não sabe que ela foi reavida, mas que é feito de um jeito ruim. Luke Cage (Mike Colter) tenta ajudar um garoto que foi contratado a mando de um organização criminosa, mas a trama logo é esquecida e Jessica Jones (Krysten Ritter) vai a procura de um homem que desapareceu e sabe de negócios escusos.

Apesar de velhos conhecidos como Madame Gao (Wai Ching Ho) ou Elektra (Elodie Yung) voltarem para trazer vilões que não são mortos nem pelos colegas, nem pelos mocinhos conseguem convencer de que são ameaças de proporções épicas. Alexandra Reid (Sigourney Weaver) tenta ser a grandiosa vilã, mas sofre do mal do vilão pessimamente utilizado. E vários dos companheiros das séries solos do protagonistas só voltaram para encher linguiça.

A câmera é péssima. Ao tentar passear em volta dos personagens durante as cenas de ação, visando fazer as lutas serem incríveis, ela é constantemente atrapalhada, devido a inúmeros cortes excessivos, tentando dar mais dinamismo a elas, mas o resultado fica desastroso, já que a geografia da cena parece ora se dilatar e ora se contrair.

Os diálogos são meio óbvios, pois em alguns momentos, é possível antever o que será dito pelo personagens. A fotografia oscilante é algo estapafúrdio, pois devido ao péssimo tratamento dado a cor, o clima acaba por ser muito estranho (no sentido ruim). Já que quando estamos com o Demolidor, estamos num clima ameno. Quando Jessica entra em cena, o clima é mais frio, mais nublado. Com Luke, o sol parece estourar num amarelo tão vivido como se não houvesse nuvem no céu. E no Punho, a coisa é muito incipiente.

Existe uma cena pós créditos, que na verdade, é um teaser para a série do Justiceiro. Achei exatamente o mesmo tipo já feito no final de Capitão América – O Primeiro Vingador, na qual, o trailer era para o primeiro Vingadores. Nada impactante, por isso, veja com a expectativa em zero.

As únicas cenas interessantes são as do último capítulo, mas a resolução acaba por se tornar apressada e evitando deixar ganchos com o tal grupo Tentáculo para a próxima temporada. Se irá receber ou não uma segunda temporada, ainda não é possível ser dito, já que teremos previsto mais uma temporada de Demolidor e Jessica Jones; e ainda este ano, o Justiceiro (Jon Bernthal) terá sua série própria. É prometido que o clima será o mais sombrio de todos, mas não colocarei minha mão na fogueira.

Uma série que tinha promessa estelares, que já vinha sendo orquestrada há muito tempo. Mas que entrega personagens mal desenvolvidos, trama alternando entre arrastada e corrida, fotografia feita de qualquer maneira, edição de gosto duvidoso, direção de arte nada arriscada. Ou seja, nada muito diferente do que já havia acontecido com Punho de Ferro e Luke Cage. A única diferença entre elas é que, apesar de haver um núcleo dramático beirando o de novela mexicana tosca, ainda é possível se divertir em alguns momentos. Nas citadas anteriormente, não há quase nada que seja interessante.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.