16
set
2017
Livro e Filme: “Harry Potter e a Câmara Secreta”
Categorias: Livro e Filme • Postado por: Rafael Hires

Continuando a nossa série de Harry Potter, hoje lhes trago a 2ª parte da saga do bruxo mais famoso da cultura pop. Se não viu o nosso especial sobre o primeiro livro da saga, recomendo dar uma olhada, clicando aqui. E neste segundo ano, verão que a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts não estará nem um pouco tranquila, muito menos favorável.

Livro: Harry Potter e a Câmara Secreta, de J. K. Rowling. Editora Rocco, 256 páginas. Skoob.

Filme: Harry Potter e a Câmara Secreta, de Chris Columbus. Roteiro de Steve Kloves, Warner Bros. Pictures.

Livro

O livro começa mais ou menos onde parou no final do primeiro. Estamos no período onde Harry se prepara para voltar para a escola. Mas as coisas estão bem difíceis, já que os Dursleys pegam no seu pé tanto quanto pegavam no passado, mesmo estando com medo de Harry poder lançar algum tipo de feitiço, agora que o mesmo sabe que é bruxo. O que eles não contavam é que bruxos menores de idade não podem fazer qualquer tipo de magia. E se acha que a coisa acabou por aí, você está enganado. Valter Dursley acaba por organizar um jantar para impressionar seu chefe, a fim de conseguir uma promoção e Harry não irá participar, como sempre.

Harry então fica no quarto onde havia mudado no início do primeiro livro, um quarto maior e mais aconchegante, e acaba por encontrar uma criatura peculiar, um elfo domestico chamado Dobby. Elfos domésticos são elfos que são encarregados dos afazeres e acabam por servir à uma família para sempre (uma versão moderna de escravos) e os mesmos só podem ser libertados se seu dono o presentear com roupas. Dobby avisa Harry que ele não deve voltar a Hogwarts, pois existe uma trama oculta cujo o objetivo é causar o mal. Harry quer entender, mas Dobby não deixa espaço para explicações e ao ver que Potter não se mostra inclinado a atender o pedido, principalmente depois de ser o responsável por roubar as cartas de seus amigos Rony e Hermione, acaba por causar o caos durante o tal jantar. Mais tarde, ele recebe uma carta do Ministério da Magia de havia violado o tal acordo e correria o risco de ser expulso.

O que antes parecia ser um calvário, havia se tornado um inferno. Tio Valter agora havia feito do quarto de Harry uma cela de prisão, só esperando que ele fizesse mais alguma besteira. Mas Valter não contava com a astúcia de Rony Weasley, preocupado com o período das férias chegando ao fim e sem obter qualquer tipo de resposta de Harry, decide até a casa dele no meio da noite, junto de Fred e Jorge para tirá-lo dali. Harry junta as coisas e sua coruja Hedwig e acaba por sair, mesmo que acordando os Dursleys e indo para A Toca (a residência da família Weasley), no melhor estilo De Volta para o Futuro, usando um Ford Anglia enfeitiçado.

No mesmo dia Harry e a família Weasley vão até o Beco Diagonal, visando comprar os materiais do ano letivo. A maior parte dos livros do novo ano é de autoria de um bruxo chamado Gilderoy Lockhart, um homem muito metido, vaidoso e presunçoso. Mas Harry sem querer acaba por ir para um caminho diferente e encontra a família Malfoy numa loja de artigos tenebrosos, numa ala chamada Travessa do Tranco. Ao voltar para o caminho certo, com a ajuda de Hagrid, Lockhart reconhece Harry e vê no garoto uma jogada de marketing imperdível. Após isso, um novo encontro com a família Malfoy ocorre onde Arthur e Lúcio quase saem no tapa.

Depois disso, Harry e os Weasleys vão até a estação King’s Cross para embarcar no expresso de Hogwarts, mas quando é a vez de Harry e Rony atravessarem, a passagem misteriosamente está fechada. Rony e Harry, com medo de não chegarem em Hogwarts, decidem usar o carro da família para ir a Hogwarts. Mas acabam se embanando com o carro e bate com tudo numa árvore chamada Salgueiro Lutador, uma árvore viva que acaba por atingir quem quer que se aproxime dela.

O livro continua com o mesmo tipo de escrita do volume anterior. Boas doses de momentos contemplativos, misturados com humor, tramas paralelas e segredos que não desconfiávamos. Mas o livro sofre de um incomodo: a 3 ª parte parece ter uma cara de algo corrido. A resolução dos enigmas finais ocorre muito rapidamente, de forma que quando é resolvido, não dá muito espaço para que o leitor possa processar. E como ele precisa de uma cadencia de acontecimentos para não deixar o ritmo dinâmico da narrativa cair, isso acaba por fazer com que as tais revelações não tenham um impacto tão efetivo.

Os únicos momentos na 3ª parte onde há uma quebra de ritmo que ajuda o leitor a não ficar com a impressão de que a narrativa está super acelerada é quando há alguns diálogos feitos para fazer o tempo se esticar e isso faz com que os fatos sejam melhor absorvidos. Apesar dos pesares, é muito divertido e tão bom quanto o primeiro.

Filme

Quanto ao 2º filme, posso dizer tranquilamente, ele é bastante fiel. O filme começa num ponto onde muitos fãs não acharam tão legal, no dia do jantar da família Dursley. Eu não acho que isso diminui o filme, é preferível começar em um ponto onde a trama já esteja pré estabelecida e muitos poucos detalhes sejam omitidos do que ficar numa lengalenga que não terá grande função na narrativa.

O design de produção como sempre capricha em cada linha de aspecto do filme. Os cenários de Hogwarts estão ainda mais ricos, as salas mais espaçosas. A Toca é quase uma grande bagunça visual, abarrotada de objetos mágicos, como louças auto limpantes, kits de tricô ou crochê que se fazem sozinho e algo que bastante desejado pelos fãs: o tal quadro com fotos dos membros da família e sua localização atual. Outro cenário bem feito é a loja Borgin e Burkes, com objetos macabros, misteriosos e nada convidativos. O design das criaturas também é bem feito e o destaque é para Fawkes, a fênix de Alvo Dumbledore, o Basílisco, a cobra mais imponente desde Anaconda e claro, as Mandrágoras, as plantas gritantes que possuem propriedades curativas.

A computação gráfica ainda não era um dos elementos que mais imperavam, ou seja, ainda tinha muita coisa feita tanto em miniatura como em efeito prático para dar mais autenticidade, tornando crível. A fotografia é bastante alternante, no inicio ela é bem clara, mas ao passar do tempo, ela vai escurecendo e ficando mais sombria conforme o tempo se passa.

As atuações são mais convincentes, afinal, a maior parte do elenco cresceu entre o primeiro e o segundo filme. Apesar de muitos ainda acharem que as atuações estavam meio fracas, eu acho que estão num nível bom, afinal, quase ninguém do núcleo infantil era ator ou tinha feito alguma produção séria, então nesse meio tempo, deve ter caído a ficha para vários e por isso, muitos agora tem uma personalidade mais presente em tela. Mas uma das mais gratas surpresas é ver Jason Isaccs como Lúcio Malfoy. Ele dá um show com um personagem bastante antipático.

Outra grande atuação vem agora do núcleo das criaturas com Toby Jones como a voz de Dobby. Toby imprime várias emoções e consegue fazer um personagem que alterna entre misterioso, medroso e decidido. Isso numa época onde tínhamos Andy Serkis fazendo as vezes de Gollum, ou seja, o pessoal que ou usa a voz ou faz captura de momentos a fim de imprimir realidade nos personagens são as vezes melhores atores do que aqueles são focados pelas câmeras durante todo o tempo.

Curiosidades

Há varias diferenças do livros para o filme, mas a maior parte são momentos ou que foram adiantados no filme ou postergados, nada que afete muito. Mas para quem só viu a versão de cinema, é necessário ver a versão estendida, já que esta contem cenas que são muito importantes como Rony se lembrando do nome Tom Marvolo Riddle, Harry vendo Malfoy e o seu pai entrando na Borgin e Burkes e negociando artigos peculiares, o carro dos Weasleys assumir uma personalidade selvagem, etc. São alguns poucos elementos que acabam fazendo diferença no panorama geral, do tipo o qual similiar é a adaptação, mas não são detalhes que podem agravar o entendimento total da narrativa se não estiverem presentes.

Como eu falo sempre, é necessário manter o espirito da fonte. O espirito sendo mantido, não tem problema. Agora, algo feito de qualquer jeito, visando só audiência, grana, sem se importar com a qualidade é um, dois, três para que seu tiro saia pela culatra.

Concluindo

São obras bem feitas e executadas. Vale a pena ler tanto o livro, para aqueles que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre o universo do bruxinho, quanto ver o filme para não só conferir o nível de seriedade em adaptação, quanto ver o amadurecimento de alguns dos ídolos que a geração dos anos 2000 cresceu amando. E aqui fica uma singela homenagem a Richard Harris, que, infelizmente, nos deixou há 15 anos. E até a 3ª parte.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.