10
set
2017
Quadrinho e Filme: “Os 300 de Esparta”
Categorias: Livro e Filme • Postado por: Rafael Hires

A Grécia foi um grande palco para algumas das batalhas lendárias da historia mundial e berço de alguns dos maiores filósofos, estudiosos e entre grandes nomes na cultura. Até mesmo, as divindades já foram exploradas em vários tipos de adaptações, sejam livros, filmes, jogos, etc. E uma destas obras relembra uma das batalhas mais lendárias de todos os tempos.

Hoje falaremos de Os 300 de Esparta, baseado na obra do grande escritor e desenhista Frank Miller, que foi adaptado para os cinemas em 2006, sob a batuta de Zack Snyder, o mesmo diretor de Watchmen, O Homem de Aço, e Batman vs. Superman – A Origem da Justiça.

Spartans, what is your profession? Hawoo! Hawoo! Hawoo!

You see, old friend? I brought more soldiers than you did.

Espartanos, qual a sua profissão? Hawoo! Hawoo! Hawoo!

Você percebe, velho amigo? Eu trouxe mais soldados do que você.

Livro: Os 300 de Esparta, de Frank Miller e Lynn Varley. Editora Devir. 88 páginas. Skoob.

Filme: 300, de Zack Snyder. Roteiro de Zack Snyder, Kurt Johnstad e Michael B. Gordon, Warner Bros. Pictures.

Quadrinho

Mas, antes de falar sobre a obra, é preciso falar um pouco sobre o confronto que originou essa obra e do autor. O confronto ao qual o filme se refere é a Batalha das Termopilas.

A Batalha das Termópilas foi travada no contexto da Segunda Guerra Médica entre uma aliança de cidades gregas liderados pelo rei de Esparta Leônidas I e o Império Aquemênida de Xerxes I. A batalha durou três dias e se desenrolou no desfiladeiro das Termópilas (‘Portões Quentes’) em agosto ou setembro de 480 a.C.

A invasão persa foi uma resposta tardia à Primeira Guerra Médica, que havia terminado com a vitória de Atenas na Batalha de Maratona (a 1ª primeira batalha entre gregos e persas). Xerxes reuniu um vasto exército e uma marinha para conquistar toda a Grécia e, em resposta à iminente invasão, o general ateniense Temístocles propôs que os aliados gregos bloqueassem o avanço do exército persa no desfiladeiro das Termópilas, enquanto bloqueavam o avanço da marinha persa no estreito de Artemísio.

Um exército aliado formado por aproximadamente 7 000 homens marchou ao norte para bloquear a passagem no verão de 480 a.C. O exército persa, que, segundo estimativas modernas seria composto por 300 000 homens, chegou a passagem no final de agosto ou início de setembro. Em um número bem menor, os gregos detiveram o avanço persa durante sete dias no total (incluindo três de batalha). Durante dois dias repletos de batalha uma pequena força liderada por Leônidas bloqueou a única maneira que o imenso exército persa poderia usar para entrar na Grécia. Após o segundo dia de batalha, um residente local chamado Efialtes traiu os gregos, mostrando aos invasores um pequeno caminho que podiam utilizar para acessar a parte traseira das linhas gregas. Sabendo que suas linhas seriam ultrapassadas, Leônidas descartou a maior parte do exército grego, permanecendo para proteger a sua retirada, juntamente com 300 espartanos, 700 téspios, 400 tebanos e talvez algumas centenas de soldados, porém a maioria dos quais morreram em batalha.

Após o confronto, a marinha dos aliados em Artemísio recebeu a notícia da derrota nas Termópilas. Uma vez que sua estratégia requeria manter tanto Termópilas como Artemísio, o exército aliado decidiu retirar-se para Salamina. Os persas cruzaram Beócia e capturaram a cidade de Atenas, que previamente havia sido evacuada. No entanto, buscando uma vitória decisiva sobre a frota persa, o exercito aliado atacou e derrotou os invasores na Batalha de Salamina no final do ano. Temendo ser preso na Europa, Xerxes se retirou com a maior parte de seu exército para a Ásia, deixando o general Mardónio no comando do exército restante para completar a conquista da Grécia. Entretanto, no ano seguinte, os aliados conseguiram uma vitória decisiva na Batalha de Plateias, acabando com a invasão persa.

Frank Miller é um dos mais importantes nos quadrinhos. Crescendo como um fã de quadrinhos, teve uma carta sua publicada pela Marvel Comics na revista Tigresa #3 (abril de 1973). Sua primeira obra publicada foi na Gold Key Comics da Western Publishing, recomendada por Neal Adams, a quem um jovem Miller, depois de se mudar para Nova York, apresentou amostras e recebeu muitas críticas e aulas informais ocasionais. Embora seu nome não apareça nos créditos, Miller foi provisoriamente creditado em “Royal Feast”, uma história de três páginas dos quadrinhos de The Twilight Zone #84 (junho de 1978), baseados na série televisiva de mesmo nome, e também em “Endless Cloud”, uma história de cinco páginas na edição seguinte da mesma revista. Até o momento da última, Miller tinha seu primeiro crédito confirmado na história de seis páginas “Deliver Me From D-Day”, de Wyatt Gwyon, colorida por Danny Bulanadi, em Weird War Tales #64 (junho de 1978).

Jim Shooter, ex-editor-chefe da Marvel, lembrou de Miller ir à DC Comics, depois de ter rompido com um pequeno trabalho da Western. Assim encorajado, ele foi para a DC, e depois de ser atacado por Joe Orlando, entrou para ver o diretor de arte Vinnie Colletta, que reconheceu seu talento e lhe chamou para fazer uma história de uma página em um quadrinho de guerra. Outro trabalho incipiente na DC incluiu a história de seis páginas “The Greatest Story Never Told”, de Paul Kupperberg, e a história de cinco páginas “The Edge of History”, escrita por Elliot S. Maggin em Soldado Desconhecido #219 (setembro de 1978). Seu primeiro trabalho para a Marvel Comics foi desenhando a história de 17 páginas “The Master Assassin of Mars, Part 3” em John Carter, Warlord of Mars #18 (novembro de 1978).

Na Marvel, Miller começou como substituto regular e artista de capas, trabalhando em uma variedade de títulos. Um desses trabalhos foi desenhar Peter Parker em O Espetacular Homem-Aranha #27-28 (fevereiro-março de 1979), nas quais havia participação especial do Demolidor. Na época, as vendas do título Demolidor iam muito mal, mas Miller viu o potencial em “um protagonista cego em um meio a um mundo puramente visual”. Miller conversou com Jo Duffy (sua mentora, a quem ele chamava de seu “anjo da guarda” na Marvel) e ela passou seu interesse em trabalhar nos títulos regulares do Demolidor para Jim Shooter. Shooter concordou e fez de Miller o novo desenhista do título.

Miller lembrou em 2008: “Quando eu fui pela primeira vez à Nova Iorque, eu mostrei um monte de histórias em quadrinhos próprias, de caras com capas de chuva militares, carros antigos e tal. E [os editores de quadrinhos] disseram: ‘Onde estão os caras nas calças justas? E eu tive que aprender como fazê-los. Mas assim que [o desenhista do Demolidor] Gene Colan deixou o título, eu percebi que era o meu segredo fazer quadrinhos de crime com um super-herói em si. E assim eu os pressionei para me colocarem no título e eu consegui.

Na revista Demolidor #158 (maio de 1979), ocorre a estreia de Miller, que se deu no final de uma história em curso escrita por Roger McKenzie e colorida por Klaus Janson. Após essa edição, Miller se tornou uma das estrelas em ascensão da Marvel. No entanto, as vendas de Demolidor não melhoraram e a administração da Marvel continuou a discutir o cancelamento da revista. O próprio Miller quase desistiu da série, pois ele não gostava dos roteiros de McKenzie. A sorte de Miller mudou com a chegada de Dennis O’Neil como editor.

Percebendo a infelicidade de Miller com a série e impressionado com uma história que ele tinha escrito, O’Neil demitiu McKenzie para que Miller pudesse tentar escrever ele mesmo a série. Miller manteria uma relação de trabalho amigável com O’Neil em toda sua estadia na série. Na Demolidor #168 (janeiro de 1981), Miller assumiu as funções de escritor e desenhista. Depois de apenas três edições com Miller como escritor, as vendas subiram tão rapidamente que a Marvel recomeçou a publicar a revista mensalmente em vez de bimestralmente.

Na Demolidor #168, ocorreu a primeira aparição completa da ninja mercenária Elektra — que se tornaria uma personagem popular e ganharia uma adaptação cinematográfica em 2005 — embora sua primeira aparição tivesse ocorrido quatro meses antes, na capa da The Comics Journal #58, desenhada por Miller. Depois, Miller escreveu e desenhou uma história solo de Elektra na Bizarre Adventures #28 (outubro de 1981). Ele acrescentou um aspecto de artes marciais nas habilidades de luta do Demolidor e introduziu personagens inéditos que tinham desempenhado um importante papel na juventude do personagem: Stick, líder do clã ninja Casto, que tinha sido sensei de Murdock após ter ficado cego e um clã rival chamado Tentáculo.

Incapaz de lidar com o roteiro e arte de Demolidor no novo calendário mensal, Miller começou confiando cada vez mais em Janson para a arte, mandando-o usar traços mais leves, começando com Demolidor #173. Na Demolidor #185, Miller tinha praticamente abandonado seu papel como artista, entregando para Janson apenas rascunhos, o que lhe permitiu concentrar-se no roteiro. O trabalho de Miller em Demolidor foi caracterizado por temas e histórias mais sombrias. O ápice foi na Demolidor #181 (abril de 1982), na qual o Mercenário mata Elektra e, posteriormente, o Demolidor tenta matá-lo. A última edição de Miller foi a Demolidor #191 (fevereiro de 1983). A esta altura, Miller havia transformado um personagem menor da Marvel num dos mais populares da editora.

Além de seu trabalho em Demolidor, Miller também desenhou uma história curta natalina para Batman, chamada “Wanted: Santa Claus – Dead or Alive”, escrita por Dennis O’Neil para a DC Special Series #27 (Primavera de 1980). Esta foi a sua primeira experiência profissional com o Batman, personagem com o qual, assim como o Demolidor, Miller se tornaria intimamente associado. Na Marvel, O’Neil e Miller colaboraram em duas edições de The Amazing Spider-Man Annual. A Annual de 1980 teve a participação do Doutor Estranho, enquanto a de 1981 teve participação do Justiceiro.

Como desenhista e co-escritor, Miller, juntamente com Chris Claremont, produziu a minissérie Eu, Wolverine (setembro-dezembro 1982), colorida por Josef Rubinstein. A minissérie não tinha ligação com as edições de X-Men. Miller usou esta minissérie para expandir o personagem Wolverine. A série foi um sucesso de crítica e cimentou ainda mais o lugar de Miller como uma estrela da indústria de quadrinhos. O primeiro título como criador de Frank Miller foi a minissérie de seis edições da DC Comics Ronin (1983-1984). Em 1985, a DC anunciou Miller como um dos homenageados na publicação Fifty Who Made DC Great em homenagem ao 50° aniversário da empresa.

Miller esteve envolvido em alguns projetos não publicados no início de 1980: uma propaganda sobre o Doutor Estranho apareceu nas capas de todas as edições da Marvel em fevereiro de 1981. Nelas estava escrito: “Se ligue nas novas aventuras do feiticeiro supremo da Terra – misticamente conjurada por Roger Stern e Frank Miller”. A única contribuição de Miller para a série seria a capa de Doutor Estranho #46 (Abril de 1981). Outros compromissos o impediram de trabalhar na série. Miller e Steve Gerber fizeram uma proposta para renovar os três maiores personagens da DC: Superman, Batman e Mulher Maravilha, sob uma linha chamada “Metropolis” e quadrinhos intitulados “Man of Steel” ou “The Man of Steel”, “Dark Knight” e “Amazon”. No entanto, esta proposta não foi aceita.

Em 1986, a DC Comics lançou Batman – O Cavaleiro das Trevas, uma minissérie de quatro edições escrita e desenhada por Miller em um formato chamado “formato de prestígio”. Assim, a HQ foi lançada com lombada quadrada (ao invés de grampeados no formato canoa), em papel resistente (em vez de papel de jornal) e com cartolina (em vez de capas em papel brilhante). Ela foi arte-finalizada por Klaus Janson e colorida por Lynn Varley. A história conta como Batman, após ter se aposentado depois da morte do segundo Robin, (Jason Todd), retorna aos 55 anos para combater o crime em um futuro sombrio e violento. Miller criou um Batman resistente e corajoso, referindo-se a ele como “O Cavaleiro das Trevas”.

Fugindo do campo cômico da série de TV dos anos 60, estrelada por Adam West no papel do super-herói, O Cavaleiro das Trevas mostra Batman como um vigilante violento e de certo modo sem escrúpulos. Este trabalho redefiniu o perfil psicológico de alguns vilões clássicos, como o Coringa e o Duas-Caras, bem como mostrou outras facetas do Super-Homem dentro da trama, mostrando-o como um personagem distante. Ao longo da história, Batman inclusive é ajudado pelo Arqueiro Verde, que parece querer vingança de alguma desavença que teve com o Superman anos antes. A série também introduziu a personagem Carrie Kelly, que assume o manto de Robin depois de Jason Todd. A trama de Miller também decretou o fim de Jason Todd, que acabou morto pelo Coringa na clássica história Batman: Morte em Família. Ou seja, mesmo não fazendo parte da cronologia oficial, O Cavaleiro das Trevas acabou transformando todo o universo do morcego, assim como a história Batman: Ano Um, também de Frank Miller.

Lançado no mesmo ano que a minissérie Watchmen, de Alan Moore e Dave Gibbons, O Cavaleiro das Trevas apresentou uma nova forma de contar histórias em quadrinhos: que fossem mais orientadas para adultos, mas com os mesmos personagens que liam quando crianças. Deste modo, ela influenciou a indústria de quadrinhos, anunciando uma nova onda de personagens e cenário mais obscuros. Em 2001, foi lançada a continuação, Batman:  O Cavaleiro das Trevas 2 e em novembro de 2015, foi lançado O Cavaleiro das Trevas 3 – A Raça Superior.

Nessa época, Miller tinha retornado como escritor do Demolidor. Depois de sua história independente “Badlands”, escrita por John Buscema, na edição de #219 (Junho de 1985), ele co-escreveu a edição #226 (janeiro de 1986), com o início escrito por Dennis O’Neil. Então, com o artista David Mazzucchelli, ele elaborou um arco que, como O Cavaleiro das Trevas, redefiniu e revigorou seu personagem principal. Demolidor – A Queda de Murdock, foi publicada nas edições #227-233 (Fevereiro-agosto de 1986). O herói foi narrado com um fundo católico, mostrando a destruição e renascimento de sua identidade da vida real, o advogado de Manhattan Matt Murdock, nas mãos de seu inimigo Wilson Fisk, também conhecido como o Rei do Crime. Depois de completar o arco, Frank Miller começou a produzir uma história de duas partes com o artista Walt Simonson, mas nunca foi concluída e permanece inédita.

Miller e o artista Bill Sienkiewicz produziaram a graphic novel Demolidor: Amor e Guerra em 1986. Os dois também produziram a minissérie de oito edições Elektra: Assassina para a Epic Comics. Sua maior história desse período foram as edições 404-407 de Batman em 1987, outra colaboração com Mazzucchelli. Intitulada Batman: Ano Um, era a versão de Miller para a origem do Batman onde reconectou vários detalhes e os adaptou para que tudo se encaixasse na continuidade de O Cavaleiro das Trevas. Miller também desenhou as capas das doze primeiras edições da edição norte-americana de Lobo Solitário. Isso ajudou a popularizar os mangás nos Estados Unidos.

Durante essa época, Miller (junto de Marv Wolfman, Alan Moore e Howard Chaykin) entrou em disputa com a DC Comics sobre um sistema de classificação de quadrinhos. Não concordando com o que viu como um ato de censura, ele se recusou a trabalhar para a editora, e iria publicar seus próximos projetos pela editora independente Dark Horse Comics. Desde então Miller se tornou um dos maiores apoiadores dos direitos de criação e se tornou uma grande voz contra a censura nos quadrinhos.

Depois de anunciar que pretendia lançar seu trabalho apenas através do editora independente Dark Horse Comics, Miller completou um projeto final para a Epic Comics, a marca de audiência madura da Marvel Comics. Elektra – Vive foi uma novela gráfica totalmente pintada, escrita e desenhada por Miller e colorida pelo parceiro de longa data Lynn Varley. Contando a história da ressurreição de Elektra dos mortos e a busca do Demolidor para encontrá-la, além de demonstrar a vontade de Miller de experimentar novas técnicas de narração de histórias.

Miller e o artista Geof Darrow começaram a trabalhar em Hard Boiled – À Queima-Roupa!, uma minissérie de três números. O título, uma mistura de violência e sátira, foi elogiado pela arte altamente detalhada de Darrow e pela escrita de Miller. Ao mesmo tempo, Miller e o artista Dave Gibbons produziram Liberdade, uma minissérie de quatro números para Dark Horse. Liberdade foi seguido por minisséries sequenciais e especiais expandindo a história da protagonista Martha Washington, uma mulher afro-americana no futuro moderno e quase futuro do norte da América do Norte, todos escritos por Miller e desenhados por Gibbons.

Miller também escreveu os roteiros dos filmes de ficção científica RoboCop 2 e RoboCop 3. Miller entraria em contato com o cyborg mais uma vez, escrevendo a minissérie de quadrinhos RoboCop Versus O Exterminador do Futuro, com arte de Walter Simonson.

Em 1991, Miller começou a trabalhar na sua primeira história da Sin City. Seriada na revista Dark Horse Presents # 51-62, provou ser outro sucesso, e a história foi lançada em um livro de bolso comercial. Esta primeira “história” de Sin City foi relançado em 1995 sob o nome The Hard Goodbye. Sin City provou ser o principal projeto de Miller durante o maior parte da década, já que Miller contou mais histórias do Sin City dentro desse mundo noir de sua criação, no processo ajudando a revitalizar o gênero de quadrinhos de crime. Sin City provou artisticamente auspicioso para Miller e novamente, trouxe seu trabalho para um público mais amplo sem quadrinhos. Miller morava em Los Angeles, Califórnia na década de 1990, o que influenciou Sin City.

Demolidor – O Homem Sem Medo foi uma minissérie de cinco números publicada pela Marvel Comics em 1993. Nesta história, Miller e o artista John Romita Jr. contaram as origens do personagem de forma diferente dos quadrinhos anteriores e forneceram detalhes adicionais aos seus começos. Miller também retornou aos super-heróis escrevendo o número 11 do Spawn de Todd McFarlane, bem como o  encontro Spawn/Batman para Image Comics.

Em 1995, Miller e Darrow colaboraram novamente no Big Guy e Rusty, o Menino Robô, publicado como uma minissérie de duas partes da Dark Horse Comics. Em 1999, tornou-se uma série animada da Fox Kids. Durante esse período, Miller tornou-se um dos membros fundadores da editora Legend, sob a qual muitos de seus trabalhos de Sin City foram lançados, através da Dark Horse. Além disso, foi durante a década de 1990 que Miller cobriu a arte de muitos títulos na linha Comics’ Greatest World/Dark Horse Heroes.

Em 1998, é lançado a série Os 300 de Esparta que conta a história do Rei Leônidas, que reúne 300 de seus melhores homens a fim de impedir a invasão persa que se anunciava. A história é repleta de gore, com o sangue espirrando para todo o lado, vários membros decepados.

A arte, mesmo que seja um tanto confusa para alguns, é bem feita. O nível de detalhamento de Miller é algo incrível. A paleta faz um uso de luz e sombra muito bem trabalhada e segue num tom sépia, dando uma aparência mais antiga para a obra. A cor que mais chama atenção é o vermelho, principalmente com o sangue. É intenso, vivido e muito chamativo.

O roteiro contém subtramas, como a rainha Gorgo, que tenta pedir ao conselho que mande mais tropas para ajudar os espartanos, o então fã de Leônidas, Efialtes, um homem deformado que pede para se unir ao exercito, é impedido devido a sua condição física e decide se voltar contra ele.

A própria história é apresentado num formato semelhante ao de um filme (widescreen), com quadros bem largos. Apesar de no lançamento original, ele ter sido feito no formato americano, com quadros pequenos, ele foi reeditado e agora é apresentado no formato idealizado.

Filme

O filme segue exatamente a mesma premissa da obra, sem tirar nem por. Cada quadro do filme é exatamente igual a da HQ. Arrisco a dizer que é o retrato mais fiel de um quadrinho para a mídia audiovisual. Zack Snyder já tinha em mente fazer uma adaptação de alguma obra de Frank Miller, antes de fazer sua estreia na direção com o filme Madrugada dos Mortos, de 2004.

Alguns dos apetrechos usados pelos atores foram reciclados de outras obras como Troia e Alexandre. Gerard Butler é o interprete do líder espartano e se submeteu a oito meses de intenso treinamento. Lena Headey viveu a rainha Gorgo, esposa de Leônidas, onde faz uma de suas melhores performances, o que acabou levando ela a viver a rainha Cersei Lannister na série Game of Thrones na HBO. Rodrigo Santoro, que havia tentado fazer seu nome fora do Brasil e havia pego pouco papeis de grande visibilidade acabou por se tornar o vilão Xerxes, fazendo uma representação andrógena.

O filme acabou por ter algo seria uma grande assinatura nos filmes de Snyder: o uso excessivo do slow motion. Em quase todas as sequencias de ação, tem um ou outro momento com essa técnica. E como dito anteriormente, se alguns achavam a HQ bastante gráfica, o filme não fica por menos. O sangue jorra com uma violência quase brutal, se espalha pela tela, suja tudo o que estiver no caminho e segue com o vermelho bastante vívido.

A paleta de cores se mantém no mesmo tom dos quadrinhos, com tons de marrom, vermelho, cinza, preto e vários tons pastéis. A montagem é bem feita, com cenas de ação de tirar o folego alternando entre momentos contemplativos. A direção de arte também é boa, já que as máscaras usadas pelos personagens são muito fieis, os adornos do trono de Xerxes. Do lado dos persas, é pura ostentação e riquíssimo de detalhes, com trajes próprios e identificáveis de cada povo dominado. Do lado dos espartanos, é o mais enxuto possível, se resumindo a sandálias, lanças, escudos, cuecões parecendo couro, capas e escudos.

O tal corcunda Efialtes, foi um grande processo de maquiagem e próteses, fazendo o ator Andrew Tierman ter de ficar mais de 10 horas no processo de maquiagem toda a vez para filmar.

Curiosidades

Nos anos que se seguiram, o filme se tornou apreciado por várias pessoas e já foi alvo de milhares de montagens, já que possui várias frases de efeitos como “This is Sparta”, pouco antes de Butler atirar o persa que o avisa sobre Xerxes e “Spartans, what is your profession?” quando questionado sobre a quantidade de homens que havia trazido para a a batalha.

Tanto o filme e a HQ realmente não são historicamente precisos. Além disso, o filme e a HQ tiveram uma leve controvérsia por parecer que Xerxes e Leônidas (mas ainda mais acentuado no filme) estavam num clima homoerótico numa das cenas. Em 2014, o filme teve uma sequencia intitulada como 300 – A Ascensão do Império, onde agora o exercito de Xerxes se prepara para a defesa já que a Grécia vem para se vingar do ocorrido na Batalha das Termópilas. A sequencia não tem o mesmo clima do filme original e tem um tom mais fantasioso (como se não fosse possível).

Concluindo

Espalhafatosos, polêmicos, a HQ e o filme acabam sendo grandes nomes na cultura pop recente. Vale a pena conferir, mesmo o meme já tendo sido repetido a exaustão. São obras de grande qualidade e num dos momentos mais propícios da carreira de Frank Miller, antes dele ter produzido uma das HQs mais controversas da história Holy Terror, o que acabou fazendo com que o criador acabasse sendo visto com maus olhos, devido ao seu grande preconceito para com os povos árabes, devido aos ataques das torres gêmeas no dia 11 de setembro de 2001.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.