10
out
2017
Crítica: “A Morte Te Dá Parabéns!”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

A Morte Te Dá Parabéns (Happy Death Day)

Christopher Landon, 2017
Roteiro: Scott Lobdell
Universal Pictures

1.5

Aniversário. É difícil precisar quando começou exatamente uma tradição de celebrar o nascimento de algo ou alguém. A maioria das pessoas gosta de fazer aniversário, com festas extravagantes, chamar aqueles que mais amam, outros preferem algo mais comedido, com chamar um grupo de amigos ou ficar em casa com a família e os mais extremados encaram seu aniversário como um dia comum ou até ruim, porque acabam se lembrando de que estão envelhecendo.

Seja qual grupo você seja, algo que você não gostaria que acontecesse é que o seu aniversário fosse não só o dia de sua morte, como também o dia em que você renasceu.

Essa é a premissa em A Morte Te Dá Parabéns. Tree Gelbman (Jessica Rothe) está de aniversário. Coincidentemente, era também o dia em que sua mãe fazia aniversário. Ela é a típica garota de colegial dos EUA: loira, linda, adora se divertir. O grande problema é que, ela tem fama, pelas suas amigas, de fura-olho. Mas isso não a incomoda.

Ela se prepara para mais uma festa, só que acaba sendo encurralada por assassino vestindo a máscara de um mascote da universidade, que a mata brutalmente. Ou seja, fim de filme? Errado. Ela acaba voltando no tempo, não intencionalmente, e vive as mesmas situações outra vez. Até que, numa das vezes, que ela retorna, ela decide descobrir quem é esse misterioso assassino.

O filme faz referência explícita a Feitiço do Tempo, filme onde Bill Murray vive o tal Dia da Marmota várias vezes. Só que o filme é vendido como terror e quando parte para a comédia quase pastelão, o tom fica agressivamente confuso, e não agrada quem estava querendo ver um filme de terror, muito menos quem esperava ver uma comédia.

Jessica Rothe não agrada como protagonista. Numa hora, ela é frágil, boba alegre e inocente, na outra, ela está aos frangalhos, quase surtando.

O filme tem, como matriz principal no terror, aquele velho clichê de um assassino que é quase onipresente, sem um pingo de remorso, disposto a matar tudo que cruze em seu caminho.

O roteiro apresenta vários furos, já que, quando ela conta para a única pessoa, um rapaz que ela conhecera na noite anterior ao seu aniversário, que a levou para a cama do seu colega de quarto, não apresente lapso de memória, já que, em um ponto do filme, ele passa a acompanhar, em pé de igualdade, tudo o que ela relata como a mais pura verdade, sem questionar. Ele tenta fazer um plot-twist á là Shyamalan, mas, quando ele surge, acaba não fazendo sentido algum. Até mesmo, as deduções da garota são tiradas do ar, ou seja, misteriosamente, ela sabe quem é e quem não é.

A trilha sonora não tem qualquer tipo de elemento cativante ou mesmo marcante. O único cenário que foi bacaninha que fora construído pela direção de arte foi o do tal rapaz Carter (Israel Broussard), que tem pôsteres de filmes como Eles Vivem, Repo Man e De Volta Para o Futuro.

Os jumpscares são previsíveis, ou seja, mesmo quando o assassino aparecer do nada, ele não será tão impactante como outras produções do gênero já fizeram. As mortes absurdamente estapafúrdias como na série Premonição é de fazer chorar de vergonha, já que são mostradas e não causam nenhum impacto, como se aquela morte, já predestinada a acontecer, não significasse nada.

Esse é um filme que deve ser visto com a menor expectativa possível, já que ele é óbvio, tem mais cara de filme trash, só que no pior sentido da palavra e será mais um filme facilmente esquecido. Vindo de pessoa tão criativa como Christopher Landon, roteirista de Atividade Paranormal – Marcados Pelo Mal, o melhor filme da franquia, na minha opinião, realmente é uma queda vertiginosa de qualidade.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.