18
out
2017
Crítica: “Além da Morte”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Além da Morte (Flatliners)

Niels Arden Oplev, 2017
Roteiro: Peter Filardi e Bem Ripley
Sony Pictures

2

EQM ou Experiência de Quase-Morte. Um evento que transcende os limites da física e da compreensão. Há vários relatos de pessoas que dizem ter tido uma espécie de projeção astral, na qual, parecem sair de seus corpos e acabam por ver as coisas de um modo bastante peculiar. Alguns dizem que uma espécie de filme da vida passa diante deles, outros dizem ver luzes e alguns raros casos dizem que veem figuras simbólicas.

Isso já foi um tema debatido a torto e a direita por vários especialistas, seja no campo da psicologia, medicina, ciência, religião, etc. A realidade é que nunca saberemos do que se trata até presenciarmos algo parecido.

E Além da Morte tenta “explorar” esse tema. Courtney (Ellen Page) é uma estudante de medicina bastante inteligente e está desenvolvendo um trabalho extracurricular e chama dois amigos seus para lhe ajudar com o experimento: Sophia (Kiersey Clemons) e Jaime (James Norton). Ela pede que eles a coloque num estado de morte e que depois de um minuto a acordem, enquanto o computador irá registrar toda a atividade cerebral que acontece, para assim explicar o que acontece no cérebro e que tipos de reações ele desencadeia quando entra no tal estágio de EQM.

O filme parece tenta ter um tom sério ao mostrar que as tais EQMs podem acabar por abrir portas e ajudar a lembrar de coisas que sabíamos fazer. E meio que o filme parece tentar dizer que a EQM ajuda a melhorar as pessoas, deixando elas mais felizes ou extasiadas. Isso acaba por passar uma ideia absurda de que todos deveriam tentar passar por uma experiência dessas como sendo que possa ajudar na vida.

Além disso, o filme, meio que fora vendido como terror, mas parece uma ficção cientifica (que de cientifico, só tem uma meia dúzia de termos técnicos, que nem todos possam estar acostumados a ouvir) misturado com uma comédia bobinha, com um pedacinho de drama e salpicado com um ou outro momento relativamente mais tensos. Ou seja, não agrada quem esperava um filme de terror, nem quem gostaria de ver uma ficção cientifica á là Blade Runner.

Os momentos de susto são risíveis, nenhum deles é capaz de fazer o espectador se assustar ou se impressionar. Os únicos momentos mais elaborados do filme são aqueles que a câmera assume uma visão em primeira pessoa e que passamos por vários lugares da cidade, ao estilo Google Earth, só que um pouco mais robusto. Alguns dos personagens escondem traumas que irão afligi-los e os fazerem ter alucinações, mas já adianto: não é nada perturbador e dá vontade de gargalhar de tão ridículos e redundantes, pois os tais traumas já estão pra lá de batidos e já foram melhor apresentados em várias outras obras.

A fotografia tentar esfumaçar em algumas partes, quando há flashbacks e usa o desfoque para dar mais suspense, mas não causa a menor empatia no espectador.

O desenho de som usa nos momentos de sustos, os mais óbivos clichês para impressionar, desde a ausência de som e levantar repentino do volume até falas com eco, chiado e outros tipos de distorção. Não há uma criação ou tentativa de inovação.

A direção de arte do hospital é bem feita, claro, levando em conta que se trata de um hospital com tecnologia de ponta. A paleta de cores usada é a mais asséptica possível: tons de branco, verde claro e outras cores muito desaturadas.

Além da Morte é um remake de Linha Mortal (1990), filme que acabou por se tornar cult entre alguns grupos. Ele tenta trazer a tona a tal questão das EQMs, depois de já ter se passado um bom tempo em que o assunto estava bastante em voga, mas o seu efeito é não só não agradar o espectador pela proposta, como também duvido fazer, quem quer se seja, se interessar e estudar este assunto.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.