06
out
2017
Crítica: “As Aventuras do Capitão Cueca – O Filme”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

As Aventuras do Capitão Cueca: O Filme (Captain Underpants: The First Epic Movie)

David Soren, 2017
Roteiro: Nicholas Stoller e David Soren
DreamWorks Animation

3.5

Capitão Cueca. Mais um dos personagens que fizeram sucesso no passado e Hollywood decide fazer um revival. São raríssimas as crianças que acabaram lendo as aventuras de dois garotos piadistas, irritando o já mais que pistola diretor Krump, já que suas brincadeiras e trotes acabam por ser, segundo o diretor mão firme, uma grande perda de tempo, gerando caos e destruindo a ordem quase escravocrata do colégio onde estudam.

Só que os garotos, numa das empreitadas, acabam fazendo o diretor bater a cabeça. E toda a vez que alguém estala os dedos, ele se transforma no único herói do mundo real que não necessita de roupas estilosas para lutar contra o mal, o protetor das roupas de baixos, amigo das ceroulas e calcinhas: o Capitão Cueca.

E a história do filme segue um livro quase que em especifico da série intitulado O Perigoso Plano Secreto do Professor Fraldinha Suja. No filme, Jorge e Haroldo são amigos muito brincalhões que fazem de tudo um pouco para acabar com a monotonia que seu colégio vive devido a postura linha dura adotada por Krump.

Krump secretamente pede para um dos mais brilhantes alunos da escola Melvin Snedly crie um aparato que ele colocara numa feira de invenções da escola para pegar a dupla no flagra e fazer com que ambos sejam separados de classe, limando a escola de qualquer tipo de diversão, até Haroldo hipnotizar Krump e o fazer acreditar que é o Capitão Cueca.

Até que entra um professor tão linha dura quanto Krump, o já mencionado Fraldinha Suja, que motivo de gozação da dupla, já que haviam feito mais um numero de suas HQs contando as histórias do Capitão Cueca e isso faz com que o professor se irrite e queira por seu maior plano em pratica.

A animação combina vários tipos de elementos desde animação com bonecos de meia, passando pelo tal uso do Vire-o-Game (uma versão inventada pela dupla do sketchbook, ou seja, animação feita em papel, que quando virada cria a ilusão de movimento) até com uso de animação tradicional em 2D com um leve toque de profundidade.

O uso do exagero na animação é muito caricato, corresponde ao tipo de traço que é adotado no livro e contém, vez ou outra erros gramaticais que estão presentes até no livro.

O roteiro é mais que abarrotado de piadas de pum, incluindo uma sequencia onde há uma orquestra de crianças sentando em almofadas de pum e fazendo barulhos com o sovaco, entre outros tipos de escatologia. Mas, apesar disso, consegue ser muito engraçado, fazendo o espectador, no mínimo, dar um sorriso e, vez ou outra, acaba tendo o uso de piadas até relativamente inteligentes.

O 3D é bem explorado nessa animação, onde há o uso de várias camadas para que o efeito possa ser o mais real possível. A computação gráfica é excelente, há texturas nas paredes, nas roupas, no cabelo e no rosto das personagens. Acho teria sido mais interessante se fizessem como em Snoopy e Charlie Brown – Peanuts: O Filme, personagens em 3D, mas com cenários meio achatados e sua movimentação em 2D.

A trilha sonora conta com a icônica Oh Yeah, da dupla Yello, musica essa que já foi usada em diversas produções como Curtindo a Vida Adoidado e o tema do Capitão cantada pelo multi facetado artista “Weird Al” Yankovic, numa pegada voltada para o pop.

A dublagem do filme parece ter sido feita de modo super adequado, já que é a primeira vez, em algum tempo que não há a presença de nenhum artista famoso no elenco, algo que, praticamente, em quase todas as animações sejam da DreamWorks, Pixar, Blue Sky ou qualquer outro estúdio que vinham adotando essa pratica, a fim de usar isso como marketing para levar os fãs de tal ídolo ao cinema só para ver a parte onde o ídolo aparece com a sua voz. Equipe de dublagem, vocês merecem os parabéns por essa decisão.

O filme consegue ser divertido e ao mesmo questionador, já que evoca pensamentos como amizade sendo tratada quase como um casamento, os efeitos da chacota na vida de uma pessoa e que você deve aprender a rir de si mesmo, ao invés de quer forçar alguém a não rir de você.

O filme tem suas sutilezas e sabe entreter tanto o adulto como a criança e, arrisco por a mão no fogo, ambos irão dar boas risadas com filme e sair do cinema e ter visto algo muito interessante.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.