05
out
2017
Crítica: “Blade Runner 2049”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Blade Runner 2049

Denis Villeneuve, 2017
Roteiro: Michael Green e Hampton Fancher
Sony Pictures

4.5

Blade Runner. Uma das obras de ficção científica mais fascinantes está completando 35 anos. Criado no livro Androides Sonham com Ovelhas Elétricas?, de Phillip K. Dick, o ex-caçador de andróides/policial Rick Deckard está numa missão de capturar e exterminar 4 androides fugitivos, que eram usados como escravos para exploração, que tem como objetivo encontrar o seu criador.

30 anos se passam. A Corporação Tyrell faliu e foi adquirida por Niander Wallace (Jared Leto) e os tais replicantes voltam a serem feitos. Só que, o mesmo problema que havia acontecido no primeiro filme, volta a acontecer. Em resumo, andróides começam a se revoltar e a unidade de caça a androides volta a ser ativada.

Um desses novos caçadores é K (Ryan Gosling), que está a procura de um desses androides chamado de Sapper(Dave Bautista). Ele o mata e escaneia todo o local e acha algo enterrado no terreno: uma caixa que contém ossos, perfurados com um bisturi e possuem número de série. E o próprio K decide ir atrás das respostas.

Ryan Gosling faz um personagem até ambíguo, em certo ponto. Para alguns, ele pode soar meio perdido a tudo o que está acontecendo, mas creio que o próprio K tem a função de ser os nossos olhos perante o filme. Ou seja, a dúvida que existe nele existe também em nós. Quando ele se vê confuso em meio a um número de revelações que começam a surgir e levantando cada vez mais hipóteses na nossa mente, mais o personagem parece fazer um elo a audiência, que acaba podendo se atrapalhar nas revelações que acontecem ao longo da trama.

Joi (Ana de Marias), seu holograma portátil e relativo interesse amoroso, faz o papel de representar a confusão que existe em sua cabeça e demonstra ter mais sentimentos do que ele próprio, parecendo e muito com a inteligência artificial Cortana, que é companheira de Master Chief, do jogo Halo.

A fotografia dispensa comentários. O destaque na iluminação vai para o uso do neon seja numa pequena lâmpada ou num gigantesco painel de propaganda.

Os efeitos visuais são perfeitos. Como Joi é um holograma, toda a vez que um foco de luz vai a sua direção, sua imagem sai de nítida e clara, para um borrado, quase translúcido, misturado com dessaturação de cores. Ou mesmo quando a própria Joi decide ir no meio da chuva e há uma interferência na sua imagem, mas que o programa acaba codificando e a molhando gradativamente.

O design de produção é espetacular. Agora, contamos com o auxílio de drones, que funcionam como visão em primeira pessoa para vasculhar os terrenos onde K adentra, fazendo um excelente uso de cenas panorâmicas incríveis, principalmente no deserto desabitado onde está Deckard.

O ritmo lento da narrativa ajuda o filme a desenvolver seus personagens e criar suas subtramas, ao mesmo tempo em que surgem questões que não são completamente respondidas como: “O que diferencia um androide que é capaz de emular emoções para um humano?” “Se é possível criar vida, mesmo sendo artificial, seriam os humanos, deuses?”, “Escravizar uma máquina é tão errado quanto com um humano?”, entre outras coisas.

A trilha sonora alterna entre ausente e presente. Quando não há som, são os momentos mais contemplativos do filme e onde o espectador para entender os mistérios da trama, quando há trilha, é onde rola as grandes cenas de ação, seja de pancadaria, seja de tiroteio. Um dos elementos que mais aparece é retirado de Pedro e o Lobo, obra inspirada no conto de mesmo nome, orquestrada pelo maestro Sergei Prokofiev. Quando há trilha orquestrada, ela acaba sendo misturada com vários sons metálicos, junto de sintetizadores, evocando o clima meio datado dos anos 80 com toques futuristas do filme original.

Blade Runner 2049 faz uma bela homenagem a uma das obras mais emblemáticas dos anos 80 que, apesar de não ter sido devidamente apreciada pelo público da época, continua tão questionadora e intrigante quanto quando foi feita e que faz os fãs ainda se questionarem sobre os temas apresentados que ainda não foram respondidos. E se existe uma frase que pode resumir o filme é esta: “Se é possível fazer um androide ser mais humano que um humano, Blade Runner 2049 consegue ser mais humano que Blade Runner.”



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.