09
out
2017
Crítica: “Bom Comportamento”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Bom Comportamento (Good Time)

Josh e Benny Safdie, 2017
Roteiro: Ronald Bronstein e Josh Safdie
Paris Filmes

3.5

Um novo gênero que está bombando cada vez mais é o recém nomeado neon noir, tramas que remetem aos velhos filmes noir, onde os personagens principais tem morais ambíguas, ora são heróis, mais acabam virando a casaca e acabam por cometer atos bastante duvidosos, ora são vilões que querem resgatar aqueles que mais amam de situações arriscadas. O grande truque deste novo gênero é a presença massiva de luzes neon bastante chamativas e bem saturadas, contrastando com cenários geralmente escuros, abuso de violência física e um gore bastante agressivo.

E esse é o estilo que pode ser encontrado em Bom Comportamento.

Nick Nikas (Benny Safdie) é um homem que tem problemas de surdez e parece ter algum tipo de deficiência mental. Ele vive com a sua avó Agapia Nikas (Saida Mansoor), que o proíbe de ver seu irmão Connie (Robert Pattinson). Mas Connie aparece onde ele está fazendo terapia e intervém.

Eles chegam a um banco, disfarçados, onde realizam um assalto. Eles saem com o dinheiro, só que eles acabam acionando um dispositivo que libera tinta, mancha o dinheiro e, por consequência, mancha os dois.

Ambos correm o mais rápido possível pra conseguir escapar do flagrante, mas Nick acaba esbarrando numa porta de vidro, cai e acaba sendo preso. Agora, Connie precisa levantar dinheiro para conseguir tirar seu irmão da cadeia.

Devo admitir que tinha um certo preconceito com Robert Pattinson, pois preservava a imagem de Edward Cullen, da saga Crepúsculo. E digo, que ele conseguiu acabar com o resquício que eu tinha de sua atuação robótica na saga. Ele está bem mais pé no chão. Nick sai do calmo ao explosivo em questão de segundos e faz uma atuação bastante interessante.

Benny Safdie, que também é diretor do filme, tem poucos momentos em tela, mas os instantes em que aparece servem para situar o espectador de como está o andamento do plano de Nick e o quanto seu personagem tem certa raiva da sua avó.

O filme tem alguns subtextos como policiais apreendendo alguém, sem fazer uma investigação mais minuciosa e acreditando em qualquer um que apareça, a truculência da policia, sendo vez ou outra, mais violenta que os próprios bandidos e a população já nem se espanta mais como alguém que acabaram de conhecer é um ladrão de bancos procurado. Tipo, agora roubar virou banal?

A fotografia é muito bem feita. Os neons presentes em quase todos os planos acabam por se tornar uma marca registrada e aliada com uma câmera que sabe se posicionar de forma a manter o espectador no centro da atenção.

A trilha sonora é quase ausente, tocando em momentos pontuais como o inicio e o final, só para pontuar o clima. Uma escolha bastante audaciosa, visto que em produções como esta, a música tem o objetivo de deixar o filme com aspecto de cool, algo que, vez ou outra, pode acabar caindo na mesmice e portanto, tirando o impacto da obra.

O ritmo da narrativa é bem enérgico, quase não há tempo para respirar.

A montagem alterna entre planos longos, como o carro dirigindo na auto estrada e uma sucessão frenética de cortes, como quando os policiais estão atrás dos irmãos fugitivos.

Bom Comportamento é um filme ousado, questionador em certos pontos. Existe coisas que parecem pouco aproveitadas com a personagem Crystal, que só está no filme para servir de bode expiatório e logo é retirada e sua importância não é mais citada. Mas, ainda assim, consegue ser interessante e divertido, e mostra que é possível reinventar um gênero ainda em construção.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.