12
out
2017
Crítica: “Entre Irmãs”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Entre Irmãs

Breno Silveira, 2017
Roteiro: Patrícia Andrade
Sony Pictures

4.5

Cangaceiros. A versão tupiniquim dos foras da lei, foi um grupo que acabou se tornar notório, já que eram relativamente queridos pelos segmentos mais pobres da população, pois parte do que saqueavam era distribuído. Em troca desse auxilio, eles recebiam comida, abrigo e informações de onde estavam seus perseguidores.

Um dos maiores símbolos foi Virgulino Ferreira da Silva, também conhecido como Lampião. Seu maior opositor era Getúlio Vargas, ex-presidente, que o considera como um dos maiores vilões ao progresso. Ele, ao lado de sua mulher, Maria Bonita, viraram lendas que perduram até hoje.

E é isso que trata o filme Entre Irmãs. Luzia (Nanda Costa) e Emília (Marjorie Estiano) vivem no sertão de Taguaritinga do Norte, numa casa muito humilde, junto de sua tia Sofia (Cyria Coentro). Um dia, Luzia cai de uma árvore, o que a faz entrar em coma, que acaba por causar uma grave sequela.

As duas aprendem o oficio de costureira e ajudam a sua tia. Enquanto Emília sonha com uma vida melhor, Luzia se conforma com a realidade na qual se encontra. Até que um dia, o cangaceiro Carcará (Júlio Machado) adentra e as obriga a costurar para o seu bando.

Carcará vê que Luzia não o teme e a obriga a partir junto com seu bando, e a partir daí, as duas irmãs são separadas, uma sem saber do que aconteceu com a outra.

O filme é muito bem feito. A direção de arte conseguiu fazer uma retratação bastante fiel as roupas usadas na época, tanto pelo grupo, quanto pela elite. Nos cangaceiros, chapéus com vários tipos de adornos, coldres, etc. Na cidade, são roupas bem mais simples, como vestidos, ternos.

A direção de fotografia aposta em tons bastante terrosos, sempre usando uma paleta de cores puxada para o amarelo bem forte, o marrom e o laranja. Na parte da cidade, a paleta tem uma diversificação bastante contrastante, usando verde, azul, branco e tons pasteis. A poeira é algo quase fundamental, pois sempre tem algum punhado de terra, seja na roupa, seja no corpo.

O desenho de som é fantástico. Num dado momento, é misturado o som de uma metralhadora disparando com o de uma maquina de costura, o que pode fazer com que alguns não consigam diferenciar o que está verdadeiramente sendo ouvido se é a maquina ou a arma.

Os planos gerais, apesar de serem poucos, mostram como é a vida do sertão nordestino. Uma terra muito árida, com planícies terrosas, arvores secas e retorcidas, cactos bastante espinhentos. Realmente, é de encher os olhos, pois mesmo na aridez, é possível encontrar beleza.

A trilha sonora é pontual, só toca em momentos oportunos. A maior parte do tempo iremos ouvir sons ambientes.

A trama traz também alguns tipos de questionamentos quanto o preconceito da sociedade, não só quanto aos cangaceiros, mas também sobre a homossexualidade, a existência de pessoas que tem o mal enraizado no cerne do seu ser e a hipocrisia do ser humano.

As cenas onde Carcará e os bandidos fazem suas proezas não devem nada para cenas protagonizadas por outras lendas dos grandes filme de faroeste como Clint Eastwood, Charles Bronson e John Wayne. Todas são muito bem coreografas e com uma violência bastante explicita. O sangue é de um vermelho muito intenso e isso ajuda a deixar o tom de seriedade mais crível.

Entre Irmãs é uma historia de como o sertão pode ser um lugar acolhedor, mesmo desolado. Com uma trama muito bem contada e muito interessante, com direitos a cenas de ação bem orquestradas, é um filme que irá entrar pro hall brasileiro de filmes que tratam do sertão junto de clássicos como Cabra Marcado para Morrer e Deus e o Diabo na Terra do Sol.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.