23
out
2017
Crítica: “Stranger Things” (1ª Temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Stranger Things

The Duffer Brothers, 2016
Roteiro:
The Duffer Brothers, Jessica Mecklenburg, Justin Doble, Alison Tatlock, Jessie Nickson-Lopez e Paul Dichter
8 episódios (42-55 min.)
Netflix

4

Stranger Things. Uma série tão profundamente arraigada nos anos 80, que traz uma trama que é uma grande colcha de retalhos que referenciam algumas das obras mais icônicas da década que acabou por ser uma das experiências mais incríveis dos últimos anos.

Na trama, um garoto chamado Will Byers (Noah Schnapp) volta para a casa depois de uma noite de jogatina de RPG com seus amigos Mike Wheeler (Finn Wolfhard), Dustin Henderson (Gaten Matarazzo) e Lucas Sinclair (Caleb McLaughlin). Mas o garoto ao adentrar no galpão aos fundos da casa, sente uma presença estranha e, de repente, não está mais ali.

Algumas horas depois, uma menina de cabelo raspado entra num restaurante local e rouba um pouco de comida. Até que o mesmo restaurante acaba recebendo a visita de sujeitos de terno que perguntam pela tal criança.

A série é bem orquestrada. Os iniciantes Duffer Brothers (Matt e Ross Duffer) conduzem bem a trama e mesclam todo o tipo de referencia dos anos 80 ao longo da temporada, seja no jeito dar cena ser conduzida, seja na trilha sonora, na direção de arte, na montagem.

O roteiro cria diversas subtramas, que, a principio, pode ser que não sejam tão atraentes ou de grande importância na trama principal, mas que acabam sendo bem costuradas e ajudam a fazer com que a série se torne deveras interessante.

A direção de arte no nosso mundo é bem fiel ao clima oitentista, onde os quartos estão recheados de pôsteres de bandas da época, filmes da época e discos da época. O laboratório é bem construído, cheio de maquinas, num clima muito antisséptico, quase como uma prisão de alta tecnologia: fria, sem cor e completamente opressora.

Quando entramos no chamado “Mundo Invertido”, o clima é cheio de destruição. Limo para todo o lado, rodeado de algo parecido com esporos. Quando vemos Eleven/Onze (Millie Bobby Brown) fazer as tais viagens ao Mundo da Deprivação Sensorial, o cenário lembra o filme Sob A Pele, um ambiente completamente escuro, mas possível ver as pessoas que estão nele e onde o infinito impera.

A montagem é bem feita, já que alterna o ritmo entre lento e focado em desenvolvimento dos personagens e rápido para dar mais dinamicidade, principalmente nas cenas de ação e suspens.

A direção de fotografia é bem feita, principalmente porque ela adota um clima bastante desaturado e bem tenso, que conta com uma camada feita para dar um aspecto de antigo a textura das cenas, o que faz com que fique ainda mais interessante

A trilha sonora é fantástica, já que conta com bandas e musicas icônicas como The Clash com Should I Stay or Should I Go, Joy Division com Atmosphere, etc.

Winona Ryder a principio, parecia ser um elemento que incomodaria como a mãe paranoica com o desaparecimento do seu filho, mas acaba por uma das forças motriz da trama. David Harbour tem um arco muito importante e o crescimento do seu personagem é algo muito surpreendente. O trio adolescente parecia não vingar, devido a historia bobinha de menina que se apaixona pelo bad boy sem graça e coloca o “esquisitão” de lado. Mas acaba que os componentes do trio adolescente tem uma peça chave no enredo e isso faz com que eles tenham o mínimo de carisma para fazer o espectador se importar com esses personagens.

Algumas cenas fazem referencia a filmes como Conta Comigo, Alien, E.T., Os Goonies, Contatos Imediatos de Terceiro GrauPoltergeist e A Hora do Pesadelo. Uma delas é a cena onde o quarteto anda ao redor de linhas de trem desocupadas.

Uma das maiores inspirações da série é Stephen King, já que muitos dos seus trabalhos são usados como referência para compor a série. Algumas referencias são CarrieChamas da VingançaO Iluminado, IT – A Coisa, entre outros.

Stranger Things é uma gigantesca colcha de retalhos que faz diversas abordagens e referências a filmes antigos. Inicialmente, a ideia parece completamente esdrúxula, mas, conforme o desenvolvimento dos episódios, acaba por se tornar uma experiência genial, original e bastante prazerosa.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.