15
out
2017
Festival do Rio 2017 #8
Categorias: Festivais • Postado por: João Vitor Moreno

A Ciambra, de Jonas Carpignano

Representante italiano ao Oscar de filme estrangeiro, A Ciambra é um típico “coming of age”, ao mesmo tempo um filme de ambientação e um estudo de personagem.

A trama acompanha um jovem garoto que, ansiando ser adulto logo, vive marginalmente nos subúrbios da cidade.

O diretor Jonas Carpignano opta por uma abordagem quase documental, com muitas câmera na mão e jump cuts que acompanham o ritmo da vida do protagonista.

Mas ao contrário do que seria o esperado, o filme não abre mão da música na trilha sonora. Embora use em diversos momentos apenas sons diegéticos, em vários outros usa músicas bastante exuberantes e aposta em algumas sequências mais grandiosas que funcionam surpreendentemente bem.

Começando como um filme de atmosfera e aos poucos se mostrando um estudo de personagem sobre amadurecimento, A Ciambra é um bom filme que mesmo não sendo original ou marcante, funciona muito bem.

How to Talk to Girls at Parties, de John Cameron Mitchell

Adaptado de uma história de Neil Gaiman, How to Talk to Girls at Parties é um filme adorável e incrivelmente bem sucedido em sua criação de uma mitologia própria e original.

A trama acompanha um jovem punk que se envolve com uma alienígena que pensa em abandonar sua colônia.

Se a premissa pode parecer esquisita, é porque ela realmente é. E o grande diferencial do filme é a forma com que equilibra sensibilidade e humor com a mais pura esquisitice.

Com um design de produção inventivo, que abusa das cores ao mesmo tempo que flerta com o sombrio, o diretor John Cameron Mitchell (do ótimo Reencontrando a Felicidade) também acerta por usar lentes grande angulares em momentos-chave para acentuar a estranheza daquele mundo.

Tendo também momentos musicais inspirados, How to Talk to Girls at Parties nos faz se importar com seus personagens apesar do universo absurdo em que eles vivem.

Brawl in Cell Block 99, de S. Craig Zahler

Assim como em seu filme anterior (o excelente Bone Tomahawk), o diretor S. Craig Zahler faz aqui um filme que consegue divertir através de sua violência absurdamente exagerada.

O roteiro escrito pelo próprio diretor acompanha um boxeador que volta para a vida do crime para tentar salvar seu casamento.

Este é ao mesmo tempo um exercício do mais puro sadismo e também uma visão crítica sobre o “sonho americano”: temos um protagonista que é levado a atos de violência extrema para salvar seu ideal de “família”.

Com uma atuação impressionante de Vince Vaughn, como um homem que tem uma natureza explosiva e violenta ao mesmo tempo em que demonstra uma curiosa gentileza e um senso de humor, o filme a princípio choca pela violência extrema e até inesperada, mas conforme avança e sua trama se preocupa cada vez menos com verossimilhança, a violência passa a ter função quase cômica, divertindo justamente pelo absurdo.

É claro que por conta disso não se trata de um filme “para todo mundo”, e não me refiro apenas aos mais sensíveis, mas também para qualquer um que não goste de violência cinematográfica como fonte de diversão.

Surpreendendo pelo absurdo, e divertindo justamente por conta disso, Brawl in Cell Block 99 é um filme único e inesquecível, tendo uma visão política sem abrir mão do espetáculo cinematográfico.

Roda Gigante, de Woody Allen

Crítica completa aqui.

 



Cinéfilo. Crítico de cinema desde 2014. Músico.
“Quando os filmes são bons, nos fazem sentir mais vivos, e escrever sobre eles tem o mesmo efeito” – Pauline Kael