26
nov
2017
Crítica: “Jogos Mortais – Jigsaw”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Jogos Mortais: Jigsaw (Jigsaw)

Michael e Peter Spierig, 2017
Roteiro: Pete Goldfinger e Josh Stolberg
Paris Filmes

1

Jogos Mortais. Uma série conhecida por ser um grande jorro de sangue, entranhas e membros sendo dilacerados. Criada pelo grande James Wan, lá em 2004, o filme conseguiu ser bem feito, com elenco reduzido, cenários reduzidos, trama muito intrincada e um plot twist à lá Shyamalan em seus melhores dias.

Ele foi muito bem na bilheteria, e logo Hollywood viu uma nova franquia ao qual pudesse meter as mãos e fazer dinheiro a rodo. A cronologia foi ficando cada vez mais confusa e inexplicável a cada nova sequência.

E isso é visto também neste novo filme. Na trama, vemos primeiramente uma perseguição onde policiais perseguem um homem, que tem uma espécie de dispositivo para pressionar. Ele diz que ele tem de fazer uma escolha: ou ele morre ou outras 4 pessoas morrem. Então, na tentativa de evitar o pior, um tiroteio começa. O dispositivo cai da mão do homem, mas ele sai baleado mortalmente.

Então, somos transportados a mais uma armadilha mortal arquitetada por Jigsaw/John Kramer (Tobin Bell). Cinco integrantes estão acorrentados á uma parede, com várias serras circulares dispostas ao longo da mesma, e para se libertarem do capacete que as aprisiona e seguir para a próxima etapa, deve oferecer um sacrifício de sangue. Um dos cinco acorda tarde e infelizmente, é morto.

Logo chega ao necrotério, o cadáver que havia participado da armadilha mortal, porém é encontrado partes do sangue de Kramer na vítima. Mas o fato é de que Kramer já está morto há 10 anos.

O roteiro é mal costurado e tenta promover o velho espírito da saga, mas não se sai feliz. Primeiro porque bagunça a cronologia, apresentando elementos que, até então, nem sequer haviam sido cogitados em algum ponto da história. Segundo, porque decidem não continuar de onde o último filme terminou para fazer algo novo e fazem uma péssima introdução aos personagens, já que as vítimas tem as motivações mais pífias de todas e nenhumas delas possui carisma.

O roteiro tenta criar subtramas e fazer uma espécie de “batata quente”, uma hora o possível causador é este, outra é este. Nem preciso dizer que isso não funciona.

A única personagem que, seria possível ter alguma reação é a de Hannah Emily Anderson, que interpreta uma legista, cujo o hobby é acessar sites da deep web onde há uma espécie de culto ao “legado” de Kramer e colecionar as armadilhas usadas pelo mesmo. Só que ela é mal aproveitada e a parte de mostrar conteúdo da deep web relacionado ao legado do assassino é só introduzida e nunca desenvolvida.

A direção de arte decide apostar numa paleta de cores mais quentes, mas ainda está em ambientes fechados, onde, por via da regra, não há uma alma viva por perto, não tem sinal de celular, enfim. Situações que já foram utilizadas ao extremo.

O modo como a câmera se posiciona nas mortes é ruim. Sempre usa o plano mais aberto possível e as mesmas, não possuem o efeito de fazer com que o espectador sofra pela tortura infringida. Me lembra muito o filme The Final, onde as torturas nunca tem peso e nada parece fazer sentido.

O CGI, quando é usado, é tosco e risível de tão mal feito. Uma cena que acaba necessitando do uso de computação, mostra um desmembramento, só que a maneira que é usada faz com que o resultado fique muito artificial, sem textura ou refinamento.

As atuações são completamente desmotivadas. Um personagem que terá uma grande utilidade no futuro, é deixado de lado, quase que o tempo inteiro do filme, fazendo com que a revelação final seja ridícula e absurda.

Apesar da trilha sonora contar com a música tema remixada, ela não toca apenas no momento preciso. Ela se intromete em vários momentos para fazer o espectador lembrar de que ainda está no universo de Jigsaw, fazendo disso um desperdício de tempo e paciência.

Jogos Mortais: Jigsaw é a prova viva junto com outros filmes que, se algo é reaproveitado demais, logo ele acaba por não fazer mais ter impacto. Já é hora de meter na cabeça de alguns produtores que não é só porque algo fez muito dinheiro que, imediatamente, deve-se lucrar o máximo possível com tal produto (isso também vale pra você, M.B.).



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.