15
nov
2017
Crítica: “Liga da Justiça”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Liga da Justiça
(Justice League)

Zack Snyder, 2017
Roteiro: Chris Terrio, Joss Whedon e Zack Snyder
Warner Bros. Pictures

4

Liga da Justiça. Um grupo emblemático de heróis na história dos quadrinhos que teve origem nos idos tempos de 1960. A verdadeira origem do super grupo foi nos anos 1940, chamado de Sociedade da Justiça da América. Logo depois, veio a guerra e, com isso, os heróis ficaram em baixa.

No inicio da década de 60, o beisebol explodiu e isso inspirou o escritor Gardner Fox a criar a Liga da Justiça da América. O grupo fez sua estreia na revista The Brave and The Bold #28. Seus membros fundadores eram Aquaman, Caçador de Marte, Flash da Era de Prata (Barry Allen), o Lanterna Verde da Era de Prata (Hal Jordan) e a Mulher Maravilha. Alguns outros membros eram Superman e Batman.

Algum tempo se passa, mas o mundo ainda está de luto por causa da Batalha de Metrópoles em Batman vs Superman – A Origem da Justiça. As coisas ficam ainda mais complicadas quando Batman (Ben Affleck) acha uma criatura estranha perambulando por Gotham. Enquanto isso em Temiscira, uma criatura intitulada Lobo da Estepe (Ciáran Hinds) aparece para pegar algo chamado de Caixa Materna.

O filme introduz personagens que virão a estrelar produções como Barry/Flash (Ezra Miller), Arthur Curry/Aquaman (Jason Momoa) e Victor Stone/Ciborgue (Ray Fischer) e resolver algumas pontas soltas deixadas em BvS.

Ezra Miller é bem escrachado como Barry/Flash. Ele é justamente a maior fonte das piadas que estão no roteiro. Ele convence como o herói sem preparo, similar a situação em que Peter Parker (Tom Holland) estava em Guerra Civil. Não que seja algo ruim, mas acaba podendo cair no comparativo.

Ray é bastante resguardado no seu papel de ciborgue e possui muitos conflitos dentro de si, mas não parecendo um dramalhão mexicano. Ainda não foi possível ver todo o potencial do personagem, mas ele convence.

Momoa sempre continua com a posse imponente, desde que viveu Khal Drogo em Game of Thrones. E isso é diluído, de certa forma, quando começa a demonstrar mais camadas, conforme a necessidade da situação onde se encontra.

E Diana (Gal Gadot) é uma das personagens que mais evoluíram. Em BvS, até tinha momentos legais em tela, mas sua personagem não era exatamente fundamental. Agora, no Liga, é mais ciente do mundo onde está e age como uma segunda líder e, por vezes, sendo mais importante que o próprio Batman em decisões.

A dinâmica do grupo é bastante satisfatória. Nenhum personagem é o centro das atenções, apesar de Barry tentar roubar quase todas as cenas em que está. Os personagens mais explorados pelo roteiro seriam Flash, Mulher Maravilha e, em ultimo grau, Batman.

A direção de arte é bem feita. Tudo parece advindo de quadrinhos, mas é perceptível os momentos da troca de direção entre Joss Whedon e Zack Snyder. Nas partes onde a cor se sobressai, são as “correções” feitas por Whedon, nas partes mais escuras, o tom é ditado por Snyder. Isso acaba trazer uma espécie de distorção que, pode incomodar nos momentos iniciais, mas logo se torna aceitável.

A montagem é eficiente. Há planos longos, onde o uso de planos abertos é feito para situar o espectador em cada ambiente, tornando desnecessário os famigerados usos de letras, as vezes gigantescas, para localizar o espectador onde a ação se passa. Nas cenas de lutas, não há  uso de câmera na mão e um excessivo numero de cortes, sendo a maior parte planos detalhes, para pegar em que parte o golpe está sendo desferido. Isso pode causar uma distração de como a cena está sendo conduzida. O enquadramento é feito no maior plano possível, para termos a ideia de como está transcorrendo a ação, sem prejudicar a atenção em meio a ostentação de CGI.

O design de produção é bem feito. As roupas de cada herói são indiscutivelmente detalhadas, mostrando até marcas de alguns usos, as criaturas que voam parecem criveis, o vilão tem a aparência rudimentar, quase como tivesse brotado do solo, mas com toques metálicos, porém bastante desgastados. Porém, é possível distinguir em algumas cenas, o uso do chroma key, principalmente quando a câmera está desfocada e o cenário parece chapado, quase como uma fotografia, distoando da luz que aparece no rosto dos atores. Até mostra algumas cenas embaixo d’água, mas nada muito rebuscado.

A trilha sonora não é exatamente grandiosa. Danny Elfman, já teve sua grande parcela de trilhas icônicas, mas certamente essa não será uma delas. Uma das poucas faixas interessantes é a regravação de Come Together, emblemática na voz de John Lennon.

O 3D é dispensável. Não tem nenhuma cena realmente que faça valer o preço do ingresso mais caro. Só teria algum sentido se você pensasse em ver em IMAX para obter uma maior imersão, mas nada que salte os olhos, comparado a outras produções do gênero.

A ultima cena pós créditos será de futura importância para o Universo DC, mas não sabemos o quanto ela será extrapolada. Liga da Justiça se eu tivesse de resumir em uma frase seria, nas palavras do Comissário Gordon (Gary Oldman), de Batman – O Cavaleiro das Trevas: “não é o filme que merecíamos, mas o filme que precisávamos”. Não que tenha sido uma experiência ruim, mas faltou alguns elementos que ainda não estão 100% íntegros, mas vejo uma luz no fim.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.