29
nov
2017
Crítica: “O Justiceiro”
Categorias: Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

O Justiceiro
(The Punisher)

Steve Lightfoot, 2017
Roteiro:
Steve Lightfoot, Dario Scardapane, Michael Jones-Morales, Christine Boylan, Bruce Marshall Romans, Felicia D. Henderson, Angela LaManna e Ken Kristensen
13 episódios (49-58 min.)
Netflix

3.5

O Justiceiro. Um anti herói bastante polêmico, devido à maneira que resolve suas desavenças. Brutal, teimoso, turrão e cabeça-dura, ele não mede esforços para acabar com a situação ao qual se encontra. E sempre será da maneira mais destrutiva possível.

Criado por Gerry Conway, Ross Andru e John Romita, tendo sua primeira aparição em 1974, na revista The Amazing Spider-Man #129. Era para nosso militar ser um antagonista do teioso, mas acabou sendo tão aclamado pela crítica e pelo público, que recebeu uma revista própria.

Sua origem é tão brutal quanto às suas ações. Um fuzileiro naval extra disciplinado acaba vendo sua família sendo destroçada num tiroteio frenético entre as máfias da cidade de Nova York. Movido pela sede de vingança, agora este exército de um homem só irá levar sangue, morte e caos aonde passar.

Ele já havia feito sua estreia em 1989, num filme protagonizado por outro brucutu do cinema, Dolph Lundgren (que o filme Mestres do Universo, baseado no mundo de He-Man), mas não deu certo. Outros dois filmes feitos na década passada foram feitos com o personagem, mas foram terríveis.

Ele também esteve envolvido em boa parte dos episódios da segunda temporada do Demolidor e agora está numa série própria.

A série se passa algum tempo depois da segunda temporada do Demônio de Hell’s Kitchen, onde Frank (Jon Bernthal) executou sua própria guerra aos responsáveis, até então, pela morte da sua família. Agora que está “vingado”, ele não tem mais uma motivação. Até arranja um trabalho, mas nada é capaz de tirar os fantasmas da sua mente.

O roteiro da série é bastante interessante. As subtramas acabam gerando discussões interessantes como até que ponto todas as coisas podem ter sido armadas pelo governo e como o sistema é falho com ele mesmo.

O primeiro episódio da série até dita um tom a ser usado como referência para a série, mas não quer dizer que os episódios sigam á risca o que é estabelecido. E isso é meio confuso já que, em vários episódios, só há a trama conspiratória e ação desenfreada é deixada quase que de lado, visto que cenas de ação e tiroteio abusivo são marcas do anti-herói parecendo uma série meio genérica de conspiração governamental e meio chatinha.

Ben Barnes conseguiu fazer o que poucos vilões da Marvel conseguiram foram relevantes, ameaçadores e sobreviveram para continuar a atormentar o protagonista. Resta saber por quanto tempo ele continuará assim.

Jon Bernthal passa a sensação de ser amargurado e sofrido, não apenas por ser um fuzileiro, mas por todas as desgraças que já ocorreram em sua vida. Um dos poucos personagens Marvel, que mesmo sendo o diabo em pessoa, no modo como trata seus desafetos, consegue fazer o público se importar com o seu sofrimento.

Os momentos onde ela brilha são com as cenas de ação, principalmente no fim do primeiro episódio, bem coreografada, bem dirigida, com poucos cortes, ultra violenta e com planos muito abertos que ajudam o entendimento da geografia.

As cenas de tiroteio são bem feitas e simulam um clima de guerra interessante. Nada muito impressionante, mas bastante satisfatório.

A paleta de cores da série é quase inteiramente preta. Existe cor, sim, mas o preto é a principal a ser usada, seja no uniforme do próprio Frank, nas roupas dos outros personagens ou mesmo nos cenários e quase sempre as cenas são á noite.

A montagem é bem diversificada. Nas cenas onde os momentos contemplativos acontecem, os planos são mais longos e silenciosos. Nas cenas onde a tensão toma conta, os planos são curtos e sucessivos. As cenas onde Frank está tendo alucinações tem um leve desfoque da câmera e uma espécie de fumaça toma conta da visão do personagem, além da iluminação ser muito puxada para o tom branco.

Alguns personagens são completamente dispensáveis a narrativa. Por exemplo, Karen Page (Deborah Ann Woll) não possui motivação, Sam Stein (Michael Nathanson) estava na trama igual ao Capitão Amarra (Adam Beach): só foi pra morrer, Marion James (Mary Elizabeth Mastrantonio) é interessante, mas não se faz presente e o senador Ori (Rick Holmes) acaba surgindo para ser um contraponto a outro antagonista que surge na trama. Achava que o mesmo seria implacável na questão do controle de armas, mas se mostra mais um personagem mal aproveitado e que só está na trama a fim de fazer o roteiro seguir em frente.

Se haverá uma segunda temporada de Castle e sua turma, é impossível dizer. Talvez o vilão de Ben Barnes faça ainda mais coisas que sejam moralmente questionáveis, mas é incerto. Gostaria de esperar talvez algum arco do Justiceiro, como Diário de Guerra ou Zona de Guerra, mas duvido. Em resumo, é uma série muito acima do padrão que havia sido estabelecido pela Marvel/Netflix. Empolga, sim. Diverte, sim. Revoluciona, não.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.