04
nov
2017
Crítica: “Stranger Things” (2ª Temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Stranger Things

The Duffer Brothers, 2017
Roteiro:
The Duffer Brothers, Jessica Mecklenburg, Justin Doble, Alison Tatlock, Jessie Nickson-Lopez e Paul Dichter
9 episódios (42-55 min.)
Netflix

2.5

A série misteriosa de vibe oitentista que se tornou um dos fenômenos de audiência mais inesperados dos últimos anos está de volta para uma segunda temporada.

Mas será que ela consegue ser tão impactante quanto seu primeiro ano, mesmo não possuindo seu elemento de surpresa?

A série inicia alguns meses depois do fim da primeira temporada, numa perseguição onde um grupo de pessoas mascaradas estão fugindo dentro de uma van. Eles vão para um túnel, onde aparentemente está sendo desmoronado, mas acaba sendo algo feito por uma das integrantes que possui habilidades telecinéticas que pode transformar o pensamento.

Os garotos se programam para ir ao fliperama jogar, e Dustin fica surpreso ao ver que seu recorde foi superado. Will começa a ver uma partícula flutuando, mas percebe que seus amigos já não estão lá e agora está no Mundo Invertido e vê uma tempestade enorme e uma criatura obscura e gigantesca ao fundo.

A série decidiu adotar um fundo mais adulto, mais maduro. Isso se reflete até mesmo nos diálogos e nas interpretações dos personagens. Como a maior parte do elenco, principalmente o mirim não tinha quase nenhuma experiência com atuação, então, eventualmente viria o amadurecimento, não apenas pelo próprio elenco (na questão de ficarem mais velhos, ou seja, hora de assumir mais responsabilidades) como também a trama teria de ficar ainda mais sombria.

Hopper (David Harbour), antes pacato e meio bobão, agora está sério, aflito o tempo inteiro. Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin (Gaten Matarazzo) começam a se interessar por garotas, tanto que esse acaba sendo um arco entre os dois personagens. Will (Noah Schnapp) parece ainda mais frágil com todas as alucinações com o Mundo Invertido. Onze/Eleven/Jane (Millie Bobby Brown) antes sóbria e muito retraída, começa a ser um pouco mais impaciente e mais explosiva em algumas situações.

Algumas pontas soltas deixadas no fim da temporada passada foram resolvidas, de forma satisfatória, nada muito surpreendente, exceto a parte onde voltamos a ver do passado de Onze/Jane e como foi o processo pelo qual sua mãe passou nas mãos do cientista chefe (Matthew Modine).

Neste novo ano, Sean Astin, interprete de Sam Gamgee da trilogia O Senhor dos Anéis, faz o papel de Bob, namorado de Joyce (Winona Ryder). Bob é bastante ingênuo, mas bem intencionado. Soa meio deslocado quando é colocado em situações bastante adversas, mas Sean consegue fazer Bob ter sentido e algum motivo para estar ali.

A montagem é bem eficiente. Nas poucas cenas, onde vemos o Mundo Invertido, os planos são longos com o intuito de trazer tensão. Quando muda para cenas de ação, os planos são um pouco mais curtos a fim de dar dinamismo a cena. As poucas cenas de luta que acontecem usam planos abertos e relativamente longos, o que ajuda o espectador a se situar onde a ação está acontecendo e como ela vai evoluindo, geograficamente falando. Pode soar algo bobo, mas infelizmente, acreditem ou não, o uso da já famigerada câmera na mão tremida, seguida de cortes, vez ou outra, imprecisos e mostrando muito uso de planos detalhes que, nem sempre são necessários para o entendimento do que se propõe, acabou se tornar um vicio e quando vemos algo fora da curvas se torna um alivio.

A direção de arte nem é preciso comentar. O visual oitentista continua presente, não só na construção do cenário, ou seja, cheio de pôsteres de filmes da época, como Tubarão, como isso se reflete no cabelo e figurino, com direito a mullets, topetes estilo Elvis Presley, além de uma cena onde os garotos se vestem de Caça-Fantasmas e acaba rolando uma discussão. Simplesmente, genial.

A paleta de cores ainda continua no mesmo padrão estabelecido na temporada anterior. Há alguns momentos, onde a cena parece um tom pastel, puxando para algo terroso, o vermelho é bem vivo, o preto e o azul também são muito presentes, principalmente nas cenas do Mundo Invertido.

Stranger Things continua no mesmo caminho que havia trilhado na temporada anterior. Não que isso seja algo ruim, mas isso pode acabar virando um problema se decidirem manter a alegoria oitentista e usar isso como força motriz.  As atuações estão mais convincentes, a trama deu um salto gigantesco de futuras possibilidades, sendo agora, bastante improvável podermos dizer o que pode acontecer na segunda temporada. Creio que personagens como Steve, já não tenham mais relevância a trama, mas nunca se sabe.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.