05
nov
2017
Crítica: “Terra Selvagem”
Categorias: Críticas • Postado por: João Vitor Moreno

Terra Selvagem (Wind River)

Taylor Sheridan, 2017
Roteiro: Taylor Sheridan
California Filmes

4.5

Roteiristas são constantemente esquecidos quando falamos de grandes filmes, e não é difícil entender porque tantos deles optam por tentar uma carreira como diretor, tanto para conseguir maior controle sobre suas ideias, quanto para ter seu devido reconhecimento.

E depois dos ótimos Charlie Kaufman e Hilton Lacerda (para pegar apenas exemplos mais recentes), agora é a vez de Taylor Sheridan, roteirista dos fantásticos Sicário e A Qualquer Custo, se mostrar também um diretor muito promissor.

Utilizando mais uma vez uma interessante mistura de drama, ação, suspense e comentário social, o foco de Sheridan agora não é mais nos carteis e no falho combate às drogas, ou então na ganância selvagem dos bancos, e sim um problema tão grave tanto esses outros: o descaso com os nativos-americanos.

Passado quase todo em uma reserva indígena, o filme acompanha um caçador que perdeu a filha recentemente e passou por um divórcio, e se vê envolvido em uma investigação sobre o assassinato de uma jovem indígena, percebendo na situação uma forma de se vingar da morte da própria filha.

Se equilibrando muito bem entre o suspense, o drama e a ação, e deixando seu comentário social surgir mais como consequência, o filme também impressiona pela riqueza de seus personagens, não temendo em apostar em um protagonista imperfeito.

A trama de investigação é simples e não encontra quase nenhum obstáculo. O que importa aqui são muito mais as motivações dos personagens do que os fatos em si.

Demostrando um talento para a direção que faz jus ao seu já conhecido potencial como roteirista, Taylor Sheridan cria momentos de tensão com a mesma eficiência com que encontra momentos mais intimistas (a cena em que o protagonista desabafa sobre a morte da filha é um dos momentos mais fortes do filme). Além disso, Sheridan consegue também criar transições elegantes e discretas como aquela que corta de um golpe para um chute na porta, ou no momento em que uma batida da porta serve de entrada e saída para uma intensa sequência de flashback.

Mesmo ficando expositivo demais em seu letreiro final, Terra Selvagem tem uma trama simples, mas ótimos personagens e um excelente roteiro, apresentando mais um promissor diretor que não deixa a desejar em relação aos seus excelentes trabalhos como roteirista.



Cinéfilo. Crítico de cinema desde 2014. Músico.
“Quando os filmes são bons, nos fazem sentir mais vivos, e escrever sobre eles tem o mesmo efeito” – Pauline Kael