23
dez
2017
Crítica: “Me Chame Pelo Seu Nome”
Categorias: Críticas, Festivais • Postado por: João Vitor Moreno

Me Chame Pelo Seu Nome (Call Me By Your Name)

Luca Guadagnino, 2017
Roteiro: James Ivory
Sony Pictures

4.5

A trama de Me Chame Pelo seu Nome (um jovem que se apaixona por um hóspede de sua casa) poderia dar origem a uma bobagem convencional, que usaria a homossexualidade apenas para promover uma história já contada tantas vezes, mas também poderia ter possibilitado um estudo de personagem interessante e comovente.

Felizmente, é na segunda categoria que ele se encaixa.

Este é um filme sobre sexualidade. Curiosamente, não é um filme com muitas cenas de sexo. Não que elas não existam, mas são relativamente poucas e bem menos gráficas do que a maioria dos diretores optaria. Porém, isso não o impede de ter um erotismo subjacente durante toda sua projeção.

Ao contar uma história sobre amadurecimento e despertar sexual, o diretor Luca Guadagnino cria uma narrativa delicada e que estabelece um envolvimento emocional de forma gradual, conseguindo então emocionar não por grandes momentos trágicos, mas, ao contrário, justamente por ser tão contido.

O filme conta também com performances fantásticas de todo seu elenco. Enquanto o jovem Timothée Chalamet vive o protagonista longe do clichê de garoto inseguro, conseguindo equilibrar muito bem suas inseguranças com suas tentativas de demostrar uma maturidade que ainda não conhece, Armie Hammer é uma figura apropriadamente imponente e que não precisa de momentos expositivos para demostrar sua própria fragilidade. Já Michael Stuhlbarg demostra uma faceta até então desconhecida de sua capacidade, e tem a oportunidade de protagonizar um monólogo que talvez seja o momento mais tocante do longa (e a força e sutileza de sua interpretação nessa cena são mais do que suficientes para lhe garantir uma indicação ao Oscar).

Aproveitando bem suas belíssimas locações no interior da Itália, que praticamente clamam por uma ambientação de época (o filme se passa nos anos 80), e tendo também uma perfeita trilha sonora, que vai desde piano erudito até rock n’ roll, Me Chame Pelo seu Nome é um belíssimo filme, que justifica seu título de forma interessante e comove por seus complexos personagens.

  • Crítica originalmente publicada como parte da cobertura do Festival do Rio 2017.


Cinéfilo. Crítico de cinema desde 2014. Músico. "Quando os filmes são bons, nos fazem sentir mais vivos, e escrever sobre eles tem o mesmo efeito" - Pauline Kael