26
dez
2017
Crítica: “O Rei do Show”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

O Rei do Show
(The Greatest Showman)

Michael Gracey, 2017
Roteiro:
Bill Condon e Jenny Bicks
20th Century Fox

3.5

Circo de aberrações. Hoje, considerado um ultraje com as minorias, anteriormente, visto como uma atração que levava multidões, acabou por cair em desuso. Vários empresários da época usavam dessas atrações para fazer seu nome. Mas, apesar de trazer tais “aberrações” como a mulher barbada, o homem mais alto do mundo, o homem mais gordo do mundo, é necessário esclarecer: nem tudo o que é mostrado nesse circo é verdade. E claro, se utilizavam dessa “curiosidade” para ludibriar o povo e enriquecer com isso.

Um dos exemplos retratados é Phineas T. Barnum, ou P. T. Barnum, em O Rei do Show. O filme retrata a historia de Phineas, um garoto pobre que trabalha como auxiliar de alfaiate, que sonha alto. Phineas (na infância Ellias Rubin, quando adulto Hugh Jackman) promete Charity (na infância Skylar Dunn, quando adulta Michelle Williams) que nada irá separá-los, nem mesmo a distância ou os pais da garota. Eles se escrevem durante o tempo em que a mesma fica fora. Agora, ele está de volta para assumir sua vida com sua amada. Porém, mesmo com duas filhas, Barnum ainda continua sonhador.

Trabalhando como auxiliar de escritório, ele é demitido, já que o lugar onde trabalhava foi a falência. Ele pede empréstimo a um banco, dando como garantia a escritura de navios afundados e consegue. Mas os negócios vão mal até conhecer um anão e isso lhe inspira a retrabalhar o conceito de seu negócio, fazendo o tal circo de aberrações. A grana começa a entrar, mas não atinge o pleno sucesso, devido as criticas ruins e a protestos. Ele se encontra Phillip Carlyle, a fim de alcançar o publico mais abastado e Phillip se une a Barnum.

O roteiro é conduzido como um musical, ou seja, teremos as pessoas começando a sair da curva de atuação para inciar a curva de número musical. Isso irrita alguns espectadores, mas aqui não é algo que afete o filme como um todo. Há alguns momentos em que seriam adequados se a transição fosse mais sutil e não abruptamente, como é na maioria dos títulos desse gênero.

O diretor do filme é estreante, mas é auxiliado pelo roteirista Bill Condon, que já tem certa experiência no gênero, já que Bill dirigiu não apenas a versão live action de A Bela e A Fera e Dreamgirls, como foi o roteirista de Chicago. Ou seja, fez com que o filme não saísse muito da curva e conseguisse ter uma identidade própria, diferentemente do que havia sido visto em A Bela e a Fera, que havia sido mais do mesmo e não tão empolgante quanto sua matriz.

O estilo de música tenta emular o estilo Broadway, mas sua tonalidade está mais voltada para o pop. Não que isso seja um problema, mas o espectador mais atento verá que a batida parece um tanto repetitiva e as diferenças são sutis, para não dizer que não há diferença.

Hugh Jackman é o mestre da batuta, ele conduz o show de forma inquestionável e mostra um vigor para dança, que poucos conseguem. Zac Efron mostra que seus dias de High School Musical ainda não ficaram para trás. Canta, dança, mostra desenvoltura e sua química ao lado de Zendaya, não fica muito atrás. Michelle Williams, apesar de ficar meio apagada na 2º ato, mostra competência e sabe se impor. Mesmo tendo as “aberrações”, essas personagens ficam apagadas pelo roteiro e só com o avançar do filme é que voltam a ter algum tipo de atenção pra si.

A direção de arte é perfeita. Os cenários são muito bem feitos, os figurinos bem detalhados e trabalhados. Quando Barnum não tem dinheiro, são roupas muito simples, por vezes até rasgadas, surradas e sujas, quando a grana está entrando são ternos muito bem cortados, vistosos e polidos. Apesar de haver presença de animais em tela, eles são, em sua maioria, feitos em computação gráfica e isso num cenário mesmo que extravagante em excesso, pode aparentar ser destoante, já que fica a sensação de não houve um refinamento nas cenas dos animais.

O Rei do Show é um primor em termos visuais e musicais, mas não soube aproveitar todos os personagens a disposição e poderia ter arriscado mais. É muito fácil jogar na zona de conforto, apresentar alguns números e algumas linhas de dialogo, mas poderia ter sido mais ousado em dar mais espaço aos rejeitados, desenvolver mais a sua dramaticidade e criar mais subtextos. Não que o filme seja ruim, mas havendo mais desenvolvimento, teria sido inovador e melhor aproveitado.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.