04
dez
2017
Crítica: “Rick e Morty” (3ª Temporada)
Categorias: Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Rick e Morty
(Rick and Morty)

Justin Roiland e Dan Harmon, 2017
Roteiro:
Mike McMahan, Jane Becker, Jessica Gao, Sarah Carbiener, Erica Rosbe, Ryan Ridley,
Tom Kauffman, Dan Guterman,
James Siciliano, Justin Roiland e Dan Harmon
10 episódios (22 min.)
Adult Swim

2.5

Rick e Morty. Uma série que pode ser descrita como um amálgama entre De Volta Para o Futuro e Doctor Who. Mas a maior diferença vem agora: ela lida com temas bastante diversificados como alcoolismo, preconceito, canibalismo, entre outros temas bastante polêmicos.

Os episódios surpreendem, porque trazem assuntos que poderiam facilmente ser considerados desinteressantes ou completamente inúteis e fazem muitos queimarem a língua devido a abordagem dada, desde um falando de um concurso de música intergaláctico até onde o personagem se transforma num alimento em conserva.

Na trama, nós vemos os efeitos que a prisão de Rick Sanchez teve na família Smith, na qual Jerry trabalha para a federação galáctica e a única pessoa irritada com o fato de Rick estar preso é Summer. Então ela e Morty, que está relutante com essa situação, vão salvar o avô. Eles acabam indo parar na realidade “Cronenberg”, que fora vítima numa das viagens da dupla. Só que, mais uma vez, Rick mostra porque é o ser mais brilhante da galáxia, num plot twist que nem mesmo o diretor M Night Shyamalan conseguiria pensar.

Nessa temporada, as cenas de ação deram um salto inimaginável, pois o traço, exigido principalmente no episódio Pickle Rick, foi algo muito lindo de ser visto. As cenas foram muito bem orquestradas, recheadas de gore, que podem fazer inveja perante a filmes de ação de grandes astros como Stallone, Schwarzenegger e Bruce Willis.

Algo curioso é como Morty parece estar cada vez mais distante de Rick, em contrapartida, Summer parece se aproximar do avô, visto que, uma boa parcela dos episódios desta temporada, Summer está protagonizando em pé de igualdade junto com eles. Ainda não é possível afirmar categoricamente que, um dos possíveis futuros onde Morty vira super poderoso e maligno, estará prestes a acontecer, mas sempre é possível esperar algo bombástico e de subverter o entendimento da realidade até então.

A direção de arte é absolutamente indiscutível. No episódio onde estamos na cidadela dos Ricks, a divisão do núcleo mais abastado para o núcleo mais marginalizado é feita de forma bastante convincente, lembrando filmes como Blade Runner, onde os marginalizados vivem na imundície, na sujeira e os mais abastados estão em pontos mais altos e mais reluzentes.

A paleta de cores contam com tons que variam desde os tons pastéis para episódios mais voltados para o desenvolvimento dos personagens ou aqueles centrados na realidade onde a dupla está, até tons mais escuros como o episódio do Pickle Rick, onde o esgoto é tomado por tons pretos, marrons fortes, cinzas muito escuros, verdes quase marrons.

A montagem é bem fluída, alternando entre planos mais longos, onde os personagens fazem algum tipo de reflexão e planos mais curtos, como as sequências de ação de tirar o fôlego.

A direção de arte é algo também inquestionável. Quando Rick se transforma em picles e passa a ter braços e pernas, ele parece uma versão sombria e totalmente deturpada do Homem de Ferro.

Rick and Morty é uma série que arranca risos de coisas que não fazem o menor sentido, faz questionamentos sobre assuntos polêmicos e faz uma vasta homenagem a diversos filmes icônicos. A fórmula ainda tem muita lenha a ser queimada e cada episódio lançado é quase como uma gigantesca biblioteca de memes só esperando para ser compartilhada. Se nessa temporada, os autores já subverteram diversas expectativas, principalmente, com a pseudo pegadinha de lançamento do primeiro episódio num 1º de abril, na próxima, as possibilidades são infinitas. E como diria Rick: “Wabalubbadubdub”.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.