14
dez
2017
Crítica: “Star Wars – Os Últimos Jedi”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Star Wars: Os Últimos Jedi (Star Wars: The Last Jedi)

Rian Johnson, 2017
Roteiro: Rian Johnson
Disney / Buena Vista

4

Quem diria que a franquia dos habitantes de uma galáxia muito, muito distante estariam em pouco tempo não só arrecadando bilhões em bilheteria, mas também completando 40 este ano e ainda se mantendo relevantes num cenário onde mudanças acontecem com uma frequência gigantesca onde o que era relevante, hoje já não possui mais peso. Isso é um feito para poucos.

E no mais recente capitulo da saga desses habitantes não irá me deixar mentir.

O filme continua seguindo a partir dos efeitos deixados pelo final do filme anterior. A Resistencia tenta continuar a se estruturar, mesmo com os ataques incisivos da Primeira Ordem. Poe Dameron (Oscar Isaac) lidera um ataque aos caças, mas acaba por colocar as forças em risco. Rey (Daisy Ridley), enquanto isso, está completamente afastada do mundo buscando Luke Skywalker (Mark Hamill) na esperança de que ele a ensine e una-se à ela na batalha contra Kylo Ren (Adam Driver) e o Supremo Líder Snoke (Andy Serkis).

O roteiro possui algumas referências de obras como Karatê Kid, quando Luke começa o treinamento com Rey e toda a explicação da Força e os Jedi como uma religião. E provando que a trilogia 2000 foi completamente descartada não há um só momento na sua explicação o termo famigerado midi chlorians, que fora uma falha tentativa de mensurar o poder da Força, feito que já foi tentado ser utilizado em diversas outras produções como Dragon Ball Z.

É apresentado novamente um recurso até então não muito usado na saga Star Wars: o uso do flashback. E o uso desse recurso é feito em doses muito homeopáticas, nada que possa estragar o entendimento dos fatos ou causar algum tipo de falha na linha do tempo, mas a saga nunca precisou usar o recurso a fim de explicar os fatos até então. Isso não o torna ruim, mas faz com que a originalidade caia alguns pontos.

A trilha sonora de John Williams é um espetáculo a parte. Existe inserções não só da já conhecida música-tema, mas também de faixas de personagens como Darth Vader. Tirando esses momentos a fim de fazer o fan service, a trilha consegue deixar o espectador na ponta da poltrona, principalmente nas cenas de batalha.

Daisy Ridley é exatamente como Luke Skywalker. Anteriormente, mais uma pessoa na multidão; hoje, uma guerreira disposta até as últimas consequências para lutar por aquilo que acredita, apesar de ainda haverem dúvidas permeando a sua aura. Oscar Isaac parece muito com Han Solo (Harrison Ford): aventureiro, impetuoso, teimoso e completamente subversivo. Adam Driver é mais parecido com Anakin Skywalker do que com Darth Vader, mas no quesito infantilidade. Apesar de ter a responsabilidade de assumir o posto que era de Vader, ainda demonstra descontentamento, frustração, imaturidade e agitação, algo que pode vir a ser danoso no futuro.

John Boyega mostra presença, mas seu carisma é um tanto duvidoso. Ele alterna entre seriedade absouta e palhaço de circo em questão de segundos. Pode vir a ser um problema, se o desenvolvimento de sua personalidade concreta não ocorrer no próximo filme. Mark Hamill segue a linha de atuação comedida: é sério nos momentos certos, faz piadas nos momentos apropriados e consegue fazer jus ao título de “último Jedi ainda vivo”. Carrie Fischer em seu ultimo papel faz uso da Força de uma maneira até então inusitada. Até soa um pouco irreal, mas nada que possa atrapalha.

O design de produção não apenas nos novos personagens como as criaturas, mas também nos soldados e no próprio Supremo Líder Snoke é muito competente. Novamente, Andy Serkis demonstra como é possível dar realidade e vida a criações digitais. Snoke é imponente, ameaçador e muito poderoso. É possível ver uma extensão da Força, não apenas do Lado Sombrio, mas do Lado da Luz inimaginável. As proezas realizadas superam qualquer outra já feita em quaisquer outros capítulos.

O 3D é algo muito bem feito. Os cantos das telas, antes pouco explorados pela maioria das produções, aqui recebeu uma atenção especial, principalmente na cena inicial na batalha de um X-Wing comandado por Poe contra um Star Destroier. Mas, se quer obter a máxima imersão, recomendo assistir em IMAX, já que a largura da tela acaba por fazer o foco da ação ser visto de modo competente.

O filme sofre de um mal que assola a maior parte dos filmes blockbusters: apesar de introduzirem um personagem, isso não significa que será de vital importância para a trama e poderá sair a qualquer momento. E neste filme acontece em vários momentos. Isso pode significar que talvez Star Wars esteja indo para um momento bem drástico onde parecerá quase um filme da Marvel. Não que seja algo depreciativo, mas que com certeza, irá despertar a ira de muitos fãs.

Os Últimos Jedi se mostra uma produção não apenas muito respeitosa em se ater aos elementos da saga, mas em fazer algo original e tentar fugir da mera homenagem, diferentemente do que havia sido seu antecessor. Infelizmente sofreu do mal da maioria dos blockbusters e esperamos que tais problemas sejam contornados.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.