03
jan
2018
2017 – Até que foi bom (mas não excelente)
Categorias: Especiais • Postado por: Rafael Hires

Adeus, ano velho. Sei que já estamos em 2018, mas acho valido falar sobre o ano que passou. Alguns filmes realmente surpreenderam, mas não todos. Então, é hora do balancete.

A começar pelo inicio do ano, onde vimos a nova tentativa da Disney de emplacar mais uma princesa para seu panteão em Moana. O filme foi bem executado, mas o fenômeno Frozen continua tão presente quanto em 2013, principalmente com a Netflix, Globo e outros canais de TV por assinatura empurrando o filme para passar agora nas férias escolares.

Para onde eu vou? Pra qualquer lugar, mas não pro clube do bilhão.

O ano também foi marcado por uma enxurrada de filmes estrelado por celebridades da internet, mais especificamente os criadores de conteúdo para o site YouTube, também conhecido como YouTubers, como Christian Figueiredo, Kéfera Buchmann e Whindersson Nunes. Infelizmente, nenhum conseguiu emplacar um sucesso estrondoso, tanto de público quanto de crítica.

Ah, Gosto se discute, sim, Kéfera. Não que seu filme seja ruim, é muito água com açúcar, sem o açúcar ou a água.

O cinema também foi marcado pelo maior vexame da historia na apuração do Oscar, com La La Land levando por engano o premio de Melhor Filme, mas corrigindo o erro logo em seguida. Ao invés de #OscarSoWhite, #OscarQueBúro. Outro grande feito deste ano foi sendo este o primeiro ano desde 2012 que nenhum filme de heróis está na lista do US$1 bilhão. Será que estamos vendo o inicio da derrocada do gênero, assim como o ocorrido com o faroeste? Ó, dúvida cruel

Esse cara deve continuar muito irritado até hoje. E eu só vendo os memes da galera.

A Fox (antes da compra pela Disney realizada em dezembro) continua mostrando suas garras e decidida a fazer mais que apenas um mero filme pipocão, já que Logan e Planeta dos Macacos: A Guerra demonstraram ser alguns dos melhores filmes deste ano, pegando a todos de supetão. A Vigilante do Amanhã: Ghost In The Shell é bem produzido, mas seu roteiro não empolga ou cria empatia com a trama, mesmo com a maravilhosa Scarlett Johansson no papel principal.

Macaco vê, macaco estraçalha

A Bela e a Fera (mais um) é o filme que mais arrecadou grana no ano, mas a sensação de dejà vú é inevitável, principalmente se sua maior referência do clássico for a animação da Disney. Power Rangers tentou trazer uma nova geração de fãs prometendo algo “um pouco mais galgado na realidade”. O realismo ficou só no curta. O time de heróis mais zueiro da galáxia voltou, mas não foi tão surpreendente quanto a primeira vez. A surpresa foi a quantidade de cenas pós-créditos inseridas e nem isso foi suficiente para agradar a todos.

Power Rangers ganham sequência, hey! Power Rangers vão voltar, hey! Mas não é pela bilheteria, mas pra vender bonequinho!

Enquanto alguns emplacam, outros fracassam miseravelmente, como Alien: Covenant. Ridley Scott perdeu a sua mão, tal qual Luke Skywalker, e seria mais adequado ele deixar outra pessoa assumir as rédeas da franquia. Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar enterra (desculpe o trocadilho) de vez a franquia pirata que já perdeu a graça há muito tempo.

Diga-me: você baba? Não mais.

O terror mostra que, enquanto tiverem fãs sedentos por sustos, o gênero não cessará. Corra! começou timidamente com um orçamento muito restrito e mostra (de novo) que é possível fazer coisa boa com pouco dinheiro. It: A Coisa pega o que Strangers Things começou e eleva a um patamar até então pouco pensado. Uma história boa, um vilão inesquecível e uma atmosfera impactante. E Fragmentado não deixa por menos também.

Um estilista, um tarado, uma controladora, todos são loucos demais. A criança é a mais bizarra, são loucos demais.

A DC tentou se redimir de dois filmes que foram um tanto espinhentos. Apesar de Mulher Maravilha ser muito bem orquestrado, Liga da Justiça voltou a deixar um gosto amargo e a incerteza dos rumos do DCEU à assombrar a casa do Batman, do Super (bigodón), do Flash, do Aquaman e das outras Lendas.

Foge, foge Mulher Maravilha, foge, foge desse barco caído

Eu sempre digo: se uma ideia já parece ruim, a execução não pode ser feita de outra maneira. Isso resume uma trinca de filmes pouco interessantes como Baywatch: S.O.S. Malibu, Uma Família de Dois e Meu Malvado Favorito 3. Um grupo de salva-vidas está investigando um esquema de drogas numa praia, uma mulher abandona uma criança com um cara que ficou há quase 1 ano atrás por não conseguir cuidar e volta depois de algum tempo para recuperar o tempo perdido e o mais novo bonzinho que entrou pro desemprego descobre que tem um irmão gêmeo nunca antes mencionado. Esse pessoal faltou as aulas de originalidade.

Não adianta colocar mulher de biquíni cavadão, se sua historia é a pior coisa a ser vista.

Quem não faltou foi Tom Holland. Entregou o Homem-Aranha (ainda não definitivo) mais bem articulado de todos. Sabe ser serio quando preciso, possui jovialidade e tem muito carisma. Tudo isso embalado a um ritmo á là John Hughes, mestre dos filmes adolescentes dos anos 80, o tornando ainda mais bem feito. Outro que mostra sua criatividade ilimitada é Edgar Wright com seu Baby Driver (me recuso a falar o titulo brasileiro, pronto, falei). Uma trilha sonora matadora, um roteiro básico, mas conciso e uma direção de arte maravilhosa. Nolan, dessa vez, se aventura em um gênero novo com seu Dunkirk. As cenas de batalhas aéreas dispensam comentários e as navais são um verdadeiro show de competência, mesmo com um roteiro pouco arrebatador.

Então, me ajude a segurar, essa barra que é gostar de você

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas tinha um potencial grandioso de ser a mais nova franquia de ópera estelar, mas voou longe e aterrissou onde Boba Fett foi comido pelo Sarlaac. O Brasil mostrou que seu cinema pode surpreender, se você decidir prestar atenção e Bingo: O Rei da Manhãs, mesmo não indo para o Oscar já tem seu espaço cativo em meu coração. Atômica é um ótimo filme de espião contra espião, mas, devido a pouca repercussão, só mais tarde, o povo deverá reconhecer a genialidade.

Dá uma bitoca no meu nariz, teréu teuteu

Todos conhecem o ditado “De boas intenções, o inferno já tá em super lotação”. E Amityville já deveria ter ido há muito tempo. Outro que é capaz de seguir o mesmo caminho é Policia Federal: A Lei É Para Todos, já que o levantamento sobre a maior operação de desbaratamento de esquema criminoso já realizado em nosso País não conseguiu ser nada a não ser muito errôneo, junto com os maiores caça-níqueis do ano: Emoji: O Filme e Lego Ninjago. Troféu ganancia e sem vergonhice pra vocês.

Cuidado, Flamenca. Merda acontece e das grandes.

Quem merece o troféu Não ganhei nada, mas sou lindinho é Mãe! e Blade Runner 2049. Ótimos exemplos de filmes que são levados a serio, poucos entendem, mas sofrem para conseguir se pagar. Prevejo que os recônditos mais obscuros da cinefilia os elevaram ao status de cult em pouco tempo, junto com Bom Comportamento.

Essa aí sim, é que é uma Mãe!

O fim do ano, além de marcado com muitos filmes grandiosos, também foi marcado de um severo problema de ritmo. Isso é visto principalmente em Thor: Ragnarok, que começa bonachão e termina sisudo e Star Wars: Os Últimos Jedi, que tenta fazer a subversão de todas as expectativas á là Aronofsky, mas não se sai bem como um todo.

A raiva é vermelha

Enfim, houve surpresas, sim. O ano teve um saldo bem positivo dos filmes que ninguém dava uma bala e daqueles que era necessário gastar os tubos, ficou faltando. O hype, desta vez, conseguiu ser um pouco mais contido, ao invés da avalanche de hypes ultra gigantescos armados pelos estúdios a fim de espremer até o ultimo suado centavo dos fanáticos por filmes, mas ainda é necessário um marketing mais pé no chão prometendo esperanças de menos e mais coisas a serem vistas.

Feliz 3º dia do ano

Espero que Aquaman, Jogador nº1, todos os filmes da Marvel (incluindo os da Fox), Tomb Raider: A Origem, Círculo de Fogo: A Revolta, Hellboy, Detona Ralph 2, Mamma Mia! Here We Go Again, Venom, A Garota na Teia da Aranha, Alita, Animais Fantásticos: Os Crimes de Grindelwald, Os Incríveis 2 e Han Solo: Uma História Star Wars sejam minimamente decentes. Senão, eu trucido alguém esse ano.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.