23
mar
2018
Crítica: “Círculo de Fogo – A Revolta”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Círculo de Fogo: A Revolta
(Pacific Rim: Uprising)

Steven S. DeKnight, 2018
Roteiro:
Steven S. DeKnight, Emily
Carmichael, Kira Snyder e
T.S. Nowlin
Universal Pictures

2

Uma homenagem feita pelo maior nome de filmes de monstros atualmente ao gênero tokusatsu. Parecia promissor, mas além de receber criticas mistas, mal conseguiu sobreviver nas bilheterias, o que colocou a “possível” franquia em cheque. Eis que, do nada surge um novo capítulo de robôs gigantes contra monstros ainda maiores. Será saiu algo bom desse caldo?

O filme começa 10 anos depois dos eventos do ultimo filme. A fenda está fechada e a humanidade ainda está reconstruindo as estruturas abaladas pelos quase 12 anos de invasão Kaiju. No meio disso tudo, surge Jake Pentecost (John Boyega), filho de Stacker (Idris Elba), ex-promissor piloto de Jaegers, que, agora, está ganhando a vida roubando partes de Jaegers caídos.

Depois de não conseguir uma dessas partes, ele conhece Amara (Cailee Spaeny), uma garota que vive fazendo exatamente a mesma que Jake, eles são perseguidos por um Jaeger responsável pelo patrulhamento. Ambos são capturados e para evitar ir para a prisão, sua meia-irmã Mako (Rinko Kikuchi) aconselha o garoto a voltar ao programa de combate.

Mesmo continuando no caminho estabelecido por del Toro, apresentando uma nova geração de combatentes prontos para evitar uma nova possível guerra robótica, nem tudo são flores no campo. Contamos agora com John Boyega, que mostrou algum serviço em Star Wars: Os Últimos Jedi sendo tanto um combatente quanto um piadista, mas, infelizmente, aqui este trabalho não é tão bem feito. Mesmo ele tendo mais carisma que o protagonista antecessor, isso não significa que todos os erros cometidos no passado foram corrigidos.

O roteiro continua com os mesmos problemas: somos apresentados a um grupo de personagens, mas logo, em seguida, os mesmos são mortos abruptamente e qualquer tipo de tentativa de elo entre esses personagens e o espectador logo é tirado de circulação, quase como se ninguém ali fosse mesmo essencial a trama. Então, pra que coloca-los, se não terão função na narrativa?

Aliás, erros são o que o filme mais tem a mostrar. Primeiro: até lembram algumas partes da história anterior, mas vários eventos como o sacrifício de Stacker e o do auxiliar quase nunca são mencionados ou mostrados em tela. Segundo: o protagonista anterior foi completamente apagado da história, tanto que nem sequer Mako parece se lembrar que teve algum tipo de relacionamento.

Terceiro: a dupla dinâmica Newt/Gottilieb volta como o chamariz para uma sessão de piadas desnecessárias e sem graça. Quarto: há uma nova antagonista que esta sendo desenvolvida para se tornar a vilã principal, mas, no meio do caminho, alguém decidiu que um personagem sem importância até então deveria ter maior acesso aos holofotes. Quinto: o roteiro muda de uma hora para outra e do nada, apresenta uma mutação entre monstros e robôs. Quem teve uma ideia tão ridícula quanto essa?

As cenas de ação, principalmente no IMAX, é que pode, talvez fazer o filme se pagar. Mas já estamos exaustos de ver filmes de ação com cenas de luta muito bem coreografadas, com roteiro genérico e que você não irá mais lembrar do que assistiu assim que sair da sala. Até o tal monstro final é feito a nível Transformers: A Vingança dos Derrotados, no melhor esquema junta 3 monstrinhos e mais uma porrada de outros pequenininhos pra fazer uma besta colossal. A preguiça no roteiro bateu, e a minha de prestar atenção no filme também.

Ainda contamos com a musica instrumental tema do filme anterior, mas parece que aqui ela recebeu uma espécie de remix. Ou seja, nem pra deixar um dos poucos aspectos que não precisavam ser alterados do filme anterior, eles prestaram? Assim, não há maneiras de te defender, né, migo?

Círculo de Fogo – A Revolta é nada mais, nada menos que o termo genérico escrito em letras garrafais em sua testa. Não há traços de algo original e, ao mesmo, desconversa com sua trama anterior, o fazendo ser um remendo feito ás pressas só pra justificar as cenas de lutas de robôs versus monstros gigantes. E pra isso, eu recomendo assistir qualquer temporada de Power Rangers: ambos são exatamente iguais, a diferença entre este filme e Power Rangers, é que, no último caso, é possível dar mais risadas do aqui.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.