09
mar
2018
Crítica: “Jessica Jones” (1ª Temporada)
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Jessica Jones

Melissa Rosenberg,
2015
Roteiro:
Melissa Rosenberg, Micah
Schraft, Hilly Hicks, Jr.,
Scott Reynolds, Dana Baratta,
Edward Ricourt, Jenna
Reback, Jamie King e Liz
Friedman
13 episódios (46-55 min.)
Netflix

2.5

Jessica Jones. A anti heroína que os maiores de idade amam. Criada por Brian Michael Bendis e Michael Gaydos, sua primeira aparição foi em Alias#1.

Como Safira, ela conseguiu salvar diversas pessoas e enfrentou alguns vilões, como o Escorpião, até se envolver em uma confusão em um restaurante onde estava o antigo vilão do Demolidor, Zebediah Kilgrave, o Homem-Púrpura. Ele usou seus poderes de controle mental para colocar Jones sob seu comando, psicologicamente torturando-á e forçando-á ajudar em seus esquemas criminosos. Depois de oito meses, Jones começou a perder a distinção entre o que era verdade e o que era criado por seus poderes.

Em um ataque de fúria, o Homem-Púrpura envia Jessica para matar seu rival, Demolidor. Ao voar atordoada por Nova Iorque, Jessica acaba encontrando a Mansão dos Vingadores – que chegavam de uma missão – e ataca a Feiticeira Escarlate. Os Vingadores, para defender sua aliada, batem exageradamente na confusa Safira, que acaba sendo salva pela Miss Marvel (Carol Danvers), por ser a única que conhecia Jessica. O que não impede a garota de entrar em um novo coma devido aos ferimentos.

Ela fica por meses em estado de latência na sede da S.H.I.E.L.D. recebendo tratamento psíquico com a telepata Jean Grey, que além de ajudar no combate ao estado vegetativo, também criou barreiras para ajudar a psique de Jones em um possível novo encontro com Zebediah.

A natureza profundamente violenta do encontro com o Homem-Púrpura fez com que ela desistisse de sua vida como vigilante. Jones deixou de ser uma heroína e abriu uma agência de investigação particulares. No entanto, a maior parte dos seus casos eram relacionados à vida dos mascarados, envolvendo até a identidade secreta do Capitão América.

Apesar de seu desejo de deixar a vida de super poderosa, ela encontra-se repetidamente atraída de volta para esse mundo. Nessa época, Carol Danvers apresentou Scott Lang (o segundo Homem-formiga) para Jessica e os dois acabam namorando por alguns meses. Posteriormente ela teve alguns encontros com Luke Cage.

Kilgrave, ainda obcecado por Jones, escapou da prisão de alta segurança chamada Balsa, graças a invasão fomentada pelos Skrulls junto com o vilão Electro. Ele tentou quebrar a confiança de Jones, fazendo-a passar por seu pior pesadelo: descobrir que Lang e Cage estavam em um encontro com Danvers. Desta vez, as defesas mentais que Jean havia construído permitiu que Jones se libertasse de seu controle. Ela conseguiu vencê-lo e o vilão foi recapturado.

Mais tarde, Cage e Jones admitem seus sentimentos um pelo outro. Depois de descobrir estar grávida, Jessica e Luke começam um relacionamento sério.

Eis que, na onda de Demolidor, a toda poderosa Netflix decidiu produzir mais uma série com o mesmo nível de profundidade que o herói encarregado de proteger o bairro de Hell’s Kitchen.

A trama segue na onda do quadrinho, mas com algumas alterações. Jones (Krysten Ritter) acabou sendo a responsável da morte de uma mulher que, até o momento, desconhecemos sua identidade. Alcoólatra, devido a bagunça que Kilgrave (David Tennant) causou em sua vida, ela tenta reconstruir o que ainda resta de normalidade, fundando uma agência de investigação particular, atuando em casos específicos dados por uma das únicas pessoas que a conhece: Jeri Hogart.

Ela acaba conhecendo Luke Cage (Mike Colter), um barman local que lhe oferece bebida de graça e os dois se envolvem. Jones é abordada por um casal, depois que sua filha começou a agir de forma diferente e desapareceu. Jones descobre que ela pode ter sido levada por Kilgrave, que possui habilidades de controle de mente. Ela quer fugir, mas seu vizinho e sua irmã a convencem a enfrentar o vilão, a fim de acertar as contas de uma vez por todas.

O roteiro é interessante. A trama se desenvolve de uma maneira prazeirosa, que faz com que o espectador passe a se importar com esses personagem. O ritmo é muito semelhante aos filmes noir das décadas de 1940 a 1950, num clima onde todos são suspeitos, dando ênfase aos casos esporádicos e menores que acabam tendo relação com a trama principal. Apesar de ser interessante, nem todos os personagens recebem uma atenção dedicada e isso faz com que furos no roteiro ocorram.

A fotografia possui um tom mais azulado em muitas cenas, tentando deixar o tom sério predominante, mas não é sempre que ela é usada de forma competente. Em um dado momento, conseguimos ver que o clima parece estar ensolarado e decidem saturar o azul, mas isso cria uma ruptura, causando um estranhamento grotesco e inexplicável.

A direção de arte tem como principal cor na paleta o roxo, a começar pela abertura da série. E isso se torna ainda mais visível, já que o vilão da série usa roxo em qualquer peça de vestuário em todos os episódios. Até mesmo os personagens principais, em algum dado momento, acabam usando alguma peça desta cor. Uma tentativa de rima visual tentando usar a técnica do foreshadow, mas que não consegue convencer.

O maior destaque é a atuação de David Tennant. Ele consegue se desvencilhar do papel de Doutor da série Dr. Who com maestria e faz um dos vilões do universo Marvel mais incríveis e icônicos de todos os tempos. Ele é frio, calculista, uma verdadeira força a ser temida, já que quem fica sob o seu controle, faz o que ele pedir, sem hesitar.

Infelizmente, seu personagem sofre o mesmo mal da maioria dos personagens deste universo: apesar de serem impactantes, a maioria acaba sendo morta ou pelos protagonistas ou algum tipo de armadilha orquestrada pelo mesmo alguns momentos antes no filme, dando a sensação de que é só mais um criminoso que teve importância neste momento, e que não terá uma segunda chance.

O mesmo não pode ser dito de Krysten Ritter. Ela não convence muito como uma heroína. Ela tem presença quando está investigando ou procurando algo, mas nas cenas de luta, é difícil crer que ela é super poderosa, além de sempre estar com a mesma expressão de emburrada, entristecida que acaba se tornando algo corriqueiro com o avançar da trama.

Carrie-Anne Moss faz um papel onde parece uma versão menos agressiva de Miranda Prestly de O Diabo Veste Prada, mas muito mais gananciosa. Não é uma personagem muito memorável, mas acaba tendo seu devido destaque e é muito mais interessante que Trinity da trilogia Matrix.

Outro que consegue fazer um papel mais interessante é Eka Derville, onde interpreta um viciado que ajuda Jones em situações conflitantes e mostra que, apesar de não ter super poderes, é possível ajudar os outros, sendo mais humano que Jones.

Jessica Jones é uma série que tem algum tropeços, principalmente pela atuação da protagonista. Mas que acaba sendo interessante, já que seu vilão principal dá um show de atuação e mostra que não vem para brincar. Entre todas as series da Marvel/Netflix já lançadas, ela consegue se sobressair um pouco acima da média. Tem a mesma vibe de seriedade de sua matriz Demolidor, mas isso não é capaz de sustentá-la por 13 episódios.

Algo que muitos vem reclamando sobre essas series, é que elas poderiam tranquilamente ter um numero menor de episódios com maior duração se é para poder desenvolvê-las da melhor maneira. Isso acabaria se tornando futuramente o calcanhar de Aquiles desse universo, já que a nova temporada tem mais 13 episódios. Resta saber se conseguiram resolver o tal problema de ritmo e conseguiram dosar o desenvolvimento do jeito certo, a fim de não prejudicar o ritmo.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.