02
abr
2018
Crítica: “Jessica Jones” (2ª Temporada)
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Jessica Jones

Melissa Rosenberg,
2018
Roteiro:
Melissa Rosenberg, Aida
Mashaka Croal, Lisa Randolph, Jack Kenny, Jamie King, Raelle Tucker, Hilly Hicks Jr., Gabe Fonseca, Jenny Klein e
Jesse Harris
13 episódios (46-55 min.)
Netflix

2.5

Depois de um longo tempo, Jessica Jones está sob os holofotes novamente (isso antes dela ter entrado para Os Defensores). Mas será que esse tempo de espera ajudou a série de algum modo?

Jessica (Krysten Ritter), depois de um conflito intenso contra Kilgrave (David Tennant), o mata sem pestanejar. E aparentemente, sua vida volta ao normal, correto? Achou errado, otário! Mesmo depois da morte do Homem-Púrpura, sua vida não anda nada bem. Continuam os terrores noturnos sobre o acidente que matou seus pais e irmão.

Enquanto isso, um novo investigador tenta convencê-la a trabalhar para ele, mesmo ela se recusando. Trish (Rachel Taylor), além de ver seu programa perder cada vez mais a relevância, tenta fazer Jones investigar o seu passado. Para piorar, Jeri Hogarth (Carrie-Anne Moss), sua contratante, está lidando com um processo movido por sua ex-assistente e amante, além de estar sendo excluída de sua própria firma de advocacia por seus sócios.

E para fechar com chave de ouro, ela acaba descobrindo que não havia sido apenas ela que esteve na tal clinica experimental e que ganhou poderes. Um homem chamado Robert Coleman (Jay Klaitz), que se auto intitula como Ciclone, diz que está sendo perseguido. Jones acha que ele só está paranoico, até que vê uma demonstração de seus poderes, mas é soterrado por um pilha de construção.

Essa segunda temporada se assemelha e muito com a segunda temporada de Demolidor, onde havia menos casos esporádicos e mais tramas relacionadas ao tema central da temporada. Não que isso seja o calcanhar de Aquiles da série, mas era interessante ver as encrencas que ela se metia, querendo ou não. Apesar de Jessica voltar ao passado e tentar descobrir o que não era verdade desde o inicio, nem todos os momentos pelos quais a série vai passar são incrivelmente geniais.

O tal investigador que quer Jones trabalhando com ela é uma trama paralela tão fraca e dispensável que, se tivesse sido cortada, não teria surtido efeito nenhum. Só em um dado momento, justifica o motivo dela estar ali, mas no restante do tempo, o espectador até esquece do fato.

A paleta de cores aposta em tons azuis. Seja nas cenas externas ou nas internas, sempre há algum foco de cor que está azulado. Isso só reforça que o pessoal do departamento de imagem na busca de deixar uniforme, não consegue executar de maneira satisfatória o seu trabalho, visto que é possível notar algumas falhas, alguns pixels mais saturados em algumas partes.

As cenas de ação conseguem a façanha de serem menos impactantes quanto as da primeira temporada. Não existe um confrontamento físico que exija muito de nossa querida anti-heroína. Alguns leves conflitos, mas nada que despertasse um sentimento de perigo e fizesse você torcer pelo mesmo.

Krysten Ritter faz você crer na personagem e nas suas dores pessoais. Mas, devido ao roteiro, que força a barra para tentar amarrar as pontas soltas, além de tentar trazer alguns detalhes do seu passado, mostrando até como ela arranjou seu figurino de qualquer maneira, isso acaba por tornar a trama não tão convincente. Eka Darville se sai satisfatoriamente como ajudante de Jones. Ele se importa com ela, tem alguns momentos engraçados e sabe se destacar. Mas, devido ao excesso de zelo que tem por ela, acaba por se tornar pedante, repetitivo e incômodo.

Rachel Taylor age como uma insuportável garota que teve tudo na vida e quer mais. Em sua primeira temporada, ela já dado alguns momentos que faziam o espectador torcer para que ela fosse a próxima vitima do vilão. Aqui, ela, vez ou outra, acaba se tornando vilã, mas o péssimo desenvolvimento dessa personalidade dúbia acaba não fazendo sentido quando observado como um todo.

Janet McTeer consegue ser perturbada, ameaçadora e imponente em momentos chave. Infelizmente, ela não consegue manter essa personalidade ensandecida o tempo inteiro, tentando dar mais camadas a sua personagem. Nestes momentos, é possível ver uma atuação quase canastrona, além de tosca em várias cenas.

Jessica Jones tinha tudo para se redimir depois do fiasco que foram Luke Cage, Punho de Ferro e Os Defensores. Mas, devido as inconsistências na trama, personagens que só surgem para preencher lacunas, falta de ritmo, cenas de lutas pouco inspiradas e diversas tramas paralelas não concluídas de forma convincente, fica difícil querer apoiar esse Universo Marvel/Netflix. Resta saber se corrigirão os erros em Luke Cage e Punho de Ferro e torcer para não destruírem Demolidor, já que este universo está mais ameaçado de ruir do que da DC nos cinemas.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.