23
abr
2018
Crítica: “Lemony Snicket – Desventuras em Série” (2ª Temporada)
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Lemony Snicket –
Desventuras em Série
(Lemony Snicket – A Series
of Unfortunate Events)

Mark Huddis e Barry Sonnenfeld, 2018
Roteiro:
Daniel Handler, Joe Tracz, Sigrid Gilmer e Joshua Conkel
10 episódios (40-52 min.)
Netflix

3

É melhor não olhar, é melhor não olhar. A série que vai destruir sua noite e seu dia e cada cena deprimente causa nostalgia. É melhor não olhar. Se você já assistiu a série, já decorou essa musiquinha muito amistosa (palavra que aqui define uma canção, com versos fáceis que grudam na cabeça, contendo humor negro (sim, Lemony Snicket, dois brincam desse jogo também)).

Quem gosta do tom tragicômico da obra de Lemony Snicket (Daniel Handler), só tem boas novas a esperar sobre o novo ano da série que conseguiu ser ainda mais sombria que seu perturbador primeiro ano. Este novo ano terá como fonte os livros Inferno no Colégio Interno, O Elevador Ersatz, A Cidade Sinistra dos Corvos, O Hospital Hostil e O Espetáculo Carnívoro.

Os órfãos Baudelaire: Violet (Malina Weissman), Klaus (Louis Haynes) e Sunny (Presley Smith) são deixados na Escola Preparatória Prufrock. Lá, eles são introduzidos ao vice-diretor Nero (Roger Bart), um diretor que pretende seguir carreira musical, apesar de não saber tocar direito e uma aluna irritante Carmelita Spats (Kitana Turnbull), que vive a chamar quem ousa a falar mal dela ou discordar-la de “bisbórrias”.

Eles conhecem também os gêmeos Isadora (Avi Lake) e Duncan (Dylan Kingwell) Quagmire (na verdade, trigêmeos, já que um morreu num incêndio, possivelmente causado pelo Conde Olaf (Neil Patrick Harris)) que foram mandados para lá e o agora quinteto descobrirá que seu encontro não fora mero acaso, já que eles possuem a parte final do artefato que os Baudelaire já possuíam (uma luneta).

O quinteto é hostilizado por todos os alunos, especialmente Carmelita, exceto pela bibliotecária Olivia Caliban (Sara Rue, a única pessoa sensata da instituição.

O roteiro trará situações ainda mais desafiadoras que os jovens irão passar desde um extenso e doloroso programa de exercícios ministrado por Olaf em Prufrock, com lema muito bonito, seus novos amigos sendo encarcerados num foço de elevador que não possui um elevador, com a ajuda de sua nova tutora Esmé Squalor (Lucy Punch), muito influente na cidade.

Indo até uma cidade onde corvos são as únicas aves que gorjeiam por lá, um hospital acumulador e quase sem verbas, até um misterioso circo de aberrações nem tão bizarras no meio do deserto.

As situações que as crianças são postas a prova, sejam o trio ou o quinteto são realmente de tirar o folego, desde um exame sobre fatos irrelevantes ou uma cirurgia orquestrada em pouco tempo. Todas com algum grau de bizarrice ou tensão envolvidas ou ambas ao mesmo tempo.

Mas, para quebrar a tensão, são inseridos números musicais estilo Broadway com pompa e circunstância, regados a esquisitice, aleatoriedade e letras que, inicialmente, soam absurdas e sem proposito, mas que conseguem se tornar relevantes e até macabras, se olhadas com atenção. Esses momentos não os melhores da série, nem os mais interessantes, mas Neil que conduz a maior parte desses momentos faz seu próprio e consegue ser carismático.

As crianças são os melhores atores dessa temporada sejam os Baudelaire, os Quagmire ou Carmelita, todos são bem ponutados e fazem o publico se importar ou odiar. Eles se verão obrigados a quebrar as regras e se questionarão se são iguais a Olaf. Lucy Punch entrega uma Esmé que você odiará com todas as forças. A sua obsessão por um açucareiro roubado a fará cometer atrocidades inimagináveis. Sara faz uma personagem que, inicialmente é apagada, mas ao avançar será a maior ajuda que os Baudelaire poderiam pedir.

A paleta de cores focará principalmente nos tons de cinza e preto, já que o tom da série está mais adulto que no ano anterior. E isso reflete nas vestes, nos cenários, nos objetos e na cor da cenas.

Existem algumas cenas onde aparecem criaturas feitas em CGI, só que, infelizmente, a qualidade é tão baixa, que os bichos não parecem possuir textura e os corvos, parecem piores que os feitos em Birdemic – Shock and Terror, produção trash desgraçadamente ruim que nem merecia ser mencionada.

A série flerta com a quebra da quarta parede encabeçada por Lemony Snicket (Patrick Warburton), mas não ache que a quebra ficará restrita apenas a ele. É visto uma série de referências até a própria Netflix (Tá corajosa, hein, Neflix. Tô gostando).

Desventuras em Série é uma série indicada para aqueles que curtem humor negro, referencias e uma espécie de auto depreciação. Se você não está acostumado com esse tipo de conteúdo, não é possível indicar que você gostará do que é apresentado. E óbvio, já estabelece no episódio final, um gancho que poderá ser ainda mais intrigante que a segunda temporada e promete para a 3ª um desfecho com um episódio bem mais longo que os demais no mesmo clima de Sense 8, outra produção do serviço. Resta aguardar se valerá o hype já proposto.

Conseguiu elevar um pouco tom, mas devido aos CGI e os números de dança sem proposito que só servem pra encher linguiça, não o tornam memorável a ponto de entrar nos anais com uma das melhores séries de todos os tempos. Será necessário se ater no humor negro, sem piadas forçadas e situações ainda mais escabrosas que as crianças terão de lidar para fazer um desfecho digno.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.