24
abr
2018
Crítica: “O Assassinato de Gianni Versace – American Crime Story”
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

O Assassinato de Gianni
Versace – American Crime
Story (The Assassination
of Gianni Versace –
American Crime Story)

Scott Alexander e Larry
Karaszewski, 2018
Roteiro:
Tom Rob Smith e Maggie
Cohn
9 episódios (30-64 min.)
FX

4.5

Gianni Versace. Você, estudante de moda, design ou que se interessa por esse assunto já deve ter ouvido falar nesse nome pelo menos uma vez em sua vida. Mas será que você sabe a sua origem e como ele mudou o mundo da moda?

Gianni Maria Versace foi um famoso estilista que nasceu na região da Calábria, em 2 de dezembro de 1946, junto com o seu irmão Santo e sua irmã mais nova, Donatella. Ele tinha uma irmã Tina, de 12 anos, mas ela morreu devido a uma infecção não tratada adequadamente de tétano. Começou ainda bem jovem, trabalhando como aprendiz na loja de costuras de sua mãe.

Ficou interessado em arquitetura, mas aos 26, o jovem se muda para Milão e começa a trabalhar em design de moda. Em 1973, quando trabalhava para a marca Genny, desenhou seu primeiro trabalho batizado de “Byblos”, uma linha de roupas voltada para os mais jovens. Quatro anos depois, fez outra linha chamada Complice, ainda mais experimental que sua primeira coleção.

Depois de algum tempo, ele decide fazer sua primeira linha para mulheres e apresenta no Museu de Arte de Milão. Seu primeiro desfile de moda ocorreu em Setembro daquele ano e sua primeira boutique no ano seguinte. Depois de abri-la, logo o jovem virou sensação da noite pro dia no cenário internacional.

Seus desenhos combinavam cores vívidas, estampas ousadas e cortes bem sexys, que serviam de contraste as cores frias e a simplicidade predominantes no mundo da moda. Sua estética combinando a imponência com a sensualidade, atraiu criticas de todos os lados. Ele dizia que não acreditava em bom gosto, visto que suas roupas eram consideradas descaradamente desrespeitosas, perante as regras da moda.

Um de seus rivais, Giorgio Armani, outro ícone da moda, dizia: “Armani veste noivas, Versace veste putas.” Ainda em 1978, ele construiu sua companhia com a ajuda de Donatella e seu irmão Santo, e depois sendo empregados como Vice-Presidente e Presidente, respectivamente. O alcance de sua irmã se estendeu a supervisão criativa, na qual, ela atuava como consultora chave de Versace.

Gianni também viria a empregar o marido de Donatella, Paul Beck, como diretor da linha de roupas intimas masculinas. Uma de suas mais famosas invenções foi o Oroton, uma malha de metal super leve que viraria sua assinatura.

Seus ternos eram inspirados pela sua experiência em alfaiataria feminina, partindo dos modelos masculinos de Savile Row, fazendo trajes que acentuassem a forma masculina e “insistisse que homens eram objetos sexuais.”Ele era muito orgulhoso, quanto a sua origem italiana e imbuiu seus designs com motivos inspirados na história da moda e nos movimentos artísticos, especialmente a arte Greco-Romana.

Isso se evidencia ao olhar o logo, a cabeça da Medusa, e os motivos recorrentes, como a Chave Grega. Ele também deixou seu amor pela arte contemporânea inspirar seu trabalho, criando estampas gráficas baseadas na arte de Roy Lichtenstein e Andy Warhol. Em 1982, ele expande o negocio em joalheria e mobiliário, desenhando móveis luxosos, louça, e têxteis. Ele era incomum, já que manter o controle criativo completo sobre todos os aspectos de sua empresa. Em 1989, a empresa expandiu-se para a alta costura com o lançamento do Atelier Versace.

Ele se tornou conhecido ao colocar celebridades em suas campanhas de marketing e pô-las na galeria da frente de seus desfile, se tornando pioneiro nesse ramo. Ele também é creditado por inventar a moda das supermodelos dos anos 90, por descobrir e apresentar grandes supermodelos como Naomi Campbell, Christy Turlington e Linda Evangelista, todas estiveram tanto nas passarelas quanto nas campanhas.

Em toda a careira, ele foi um desenhista prolifico para produções teatrais e performances artísticas. Ele alega que o teatro é uma liberação e seus desenhos foram bem servidos por sua propensão, devido ao uso das cores ousadas, tecidos, acessórios e um conhecimento amplo da história da moda. Ele foi um colaborador no Teatro de Ballet La Scala em Milão, e fez os figurinos para o balé de Richard Strauss Josephslegende, em 1982 e Don Pasquale, de Domenico Donizetti.

Ele também confeccionou roupas para cinco produções do Béjart Ballet: Dionysos, de Wolfgang Rihm, em 1984: Leda e o Cisne (1987), Malraux ou As Metamorfoses dos Deus (1986), Shaka Zulu (1989) e o Balé do Século XX. Em 1990, ele desenhou os figurinos para a produção da Ópera de San Francisco, Capriccio, além dos trajes para a turnê do cantor Elton John de 1992.

A série começa já no momento em que seu algoz, o jovem Andrew Cunanan (Darren Criss) vai até a casa do estilista (Édgar Ramirez) em Miami Beach, na Flórida e o alveja no portão com 2 tiros. A partir daí, se vê todas as polícias envolvidas numa caçada ao agora denominado “Foragido Mais Procurado do FBI”, já que tem em sua ficha corrida, mais 4 mortes: David Matson (Cody Fern), um arquiteto promissor, Jeff Trail (Finn Wittrock), um ex-fuzileiro da marinha que saiu da corporação, devido as suspeitas entre os seus iguais de que ele era gay, Lee Miglin (Mike Farrell), um empresário bem sucedido em Chicago e William Reese (Gregg Lawrence), um coveiro.

O roteiro mistura flashbacks, no caso, momentos do passado de Cunanan a fim de mostrar o outro lado da moeda. Cunanan era um jovem bem instruído, já que seus pais forneciam educação de primeira linha numa escola considerada a melhor da região, enquanto começava a dar uns “rolês” com homens mais velhos. Seu pai Modesto (Jon Jon Briones), plantador de abacaxis em Manila, nas Filipinas, agora um corretor na bolsa de valores acaba se apropriando indevidamente de dinheiro de idosos e perseguido pelo FBI, agora foge para Manila, deixando Andrew, sua mãe e seus irmãos sem nenhum centavo.

Vamos vendo Cunanan gradativamente entrando de cabeça no mundo gay e começando a fazer contatos e logo vemos que suas intenções não serão as mais nobres. Enquanto tem casos com homens mais velhos, decide namorar os mais novinhos, além de ver que sua metedice vai aumentando conforme ele vai se desenvolvendo até virar o psicopata de mão cheia que foi.

A paleta de cores aposta em tons vividos e bem intensos sejam tons rosados, dourados, amarelados até acinzentados. Isso é visto principalmente nas roupas e nos cenários. Cunanan começa com tons bem frios mas ao desenrolar da série, vemos que sua paleta vai mudando gradativamente e ganhando mais contornos.

As cenas de morte alternam entre a sugestão e o explicito. Nem sempre mostra as marcas deixadas nos corpos, mas todas as cenas são poéticas e bem intensas. O sangue espirra com violência e é bem vivo. As melhores cenas são as que não mostram os golpes, já que a tensão se cria e a expectativa de ver o resultado acaba por fazer o espectador ficar aflito e ver quanta crueldade pode ser desferida. Você não deve esperar cenas ultra violentas e cheias de membros decepados como em filmes de terror, mas elas fazem o trabalho de serem chocantes e precisas.

Também vemos cenas tragicômicas regadas a musica pop com artistas como Phil Collins em meio a momentos de fazer os cabelos arrepiarem, como um dos homens com quem Andrew vai para a cama que tem sua cabeça, até o nariz cobertos por silver tape. Simplesmente, genial.

A trilha sonora alterna é clima anos 80 e 90 e só está presente musicas icônicas como Pump the Jam, Easy Lover, etc. Mas, a parte orquestral quando decide colocar cantos gregorianos combina no meio da atmosfera pop e alucinante.

As atuações são incríveis. Apesar do exagero no sotaque de Penélope Cruz, que faz Donatella e de Édgar Ramirez, que interpreta Versace, eles dão um show. Quem verdadeiramente rouba a cena é Darren, seu Andrew é crível, odiável e até um certo ponto, gostável. Mesmo que você passe a maior parte do tempo querendo ver ele atrás das grades, ao contrário de Jordan Belfort, de O Lobo de Wall Street, que você quer vê-lo fazer ainda mais coisas escrotas, ele ainda tem um lado sofrido, embora que pequeno, fazendo o público sentir o mínimo de compaixão.

Nem todos os personagens são interessantes. Dasha Polanco, que já teve grande destaque em Orange Is The New Black, aqui está completamente apagada. Annaleigh Ashford, que interpreta um dos poucos personagens que ainda se importa com Andrew só aparece em poucos momentos e fica a maior parte do tempo sem importância, assim como alguns personagens que possuem participação curta e só foram colocados na trama para morrer.

O Assassinato de Gianni Versace é uma serie intensa e que faz nós termos uma outra visão de um dos maiores criminosos dos EUA. É uma série que vale a pena conferir, seja pelo interesse de tentar entender os motivos que fizeram esse jovem a cometer tais atos ou para aqueles que curtem obras sobre serial killers e verem um dos momentos mais vergonhosos da polícia americana. Não esperem realidade total nos fatos apresentados.

Agora, só resta especular se a tal trama sobre o furacão Katrina e o tal hospital que acabou causando a morte de 33 pacientes será tão bom quanto este ano.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.