26
abr
2018
Crítica: “Vingadores – Guerra Infinita”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Vingadores – Guerra
Infinita (Avengers – Infinity War)

Anthony Russo e Joe Russo, 2018
Roteiro:
Christopher Markus e Stephen McFeely
Marvel Studios

5

Quem diria há 10 anos atrás que a Disney seria a responsável por fazer o público embarcar numa incursão completa ao Universo Marvel e trazer a gloria que havia sido perdida nos anos 90, devido a invenção da Image Comics e outras decisões mal tomadas que acabariam fazendo que ela tivesse que abrir mão de seus personagens para que eles pudessem virar adaptações cinematográficas, algumas muito questionáveis, a fim de voltar a ter dinheiro no caixa, e depois adquirir tudo e mais um pouco nos anos seguintes?

A resposta para essa pergunta é quase tão óbvia que nem é necessário explicar. Nos últimos anos, vemos cada vez mais personagens de quadrinhos ganhando cada vez mais espaço na mídia e batendo recordes antes nunca pensados. E, depois de 18 filmes (20, ainda tem mais um esse ano) vemos que fomos tomados de assalto numa onda que varreu e ainda varrerá nos próximos anos, apesar da força ter diminuído um pouco.

Vingadores: Guerra Infinita é a 3ª incursão do grupo de heróis agora lidando com a maior ameaça ao universo inteiro já vista: Thanos, o Titã Louco.

Quem viu o final de Thor: Ragnarok (no caso, a cena pós-créditos) viu que uma nave gigantesca estava se aproximando da nave onde Thor (Chris Hemsworth) e os asgardianos estavam. Esta nave é do Titã Louco (Josh Brolin), que junto de seus asseclas, sobrepujou quase todos os habitantes. Enquanto Thor ainda tentava lutar contra o mesmo, Loki (Tom Hiddleston) tenta negociar com o mesmo. Hulk (Mark Ruffalo) aparece para bater no Titã, mas leva a pior.

Heimdall (Idris Elba) numa ultima tentativa, invoca a Bifrost e manda Banner ao templo do Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch) e Wong (Benedict Wong). Heimdall é morto por Thanos, Loki não pretende entregar a Joia, o Titã ameaça a matar Thor e Loki entrega a Joia. Thanos manda metade da sua tropa a Terra atrás das outras Joias, Loki se oferece como guia, apenas para enganar e matar o Titã, mas seu plano não dá certo e o mesmo é morto, agora, de uma por todas. Mas antes de ir, ele explode a nave de Thor, deixando o Deus do Trovão a deriva no espaço.

Banner pede que Stephen Strange que chame Tony Stark (Robert Downey, Jr.) e o mesmo vai até lá e descobre as ambições de Thanos. O quarteto vê a nave circular de Thanos chegando e logo todos decidem confrontar as tropas do Titã. Banner tenta invocar o Hulk, mas o mesmo não quer, depois da surra federal que levou de Thanos e logo, o Homem-Aranha (Tom Holland) vem pra briga. Os vilões pegam o Dr. Estranho e Peter se prende na nave. Stark vem para dar uma força e manda um novo traje para o Aranha e aciona-se um paraquedas para levá-lo de volta a Nova York.

Parker, que não nasceu ontem, se prende de novo na nave. Eis que, então o assecla Fauce de Ébano (Tom Vaughn-Lawlor) tenta tirar a Joia, e Stark, Parker bolam um plano e mandam Fauce pro espaço. E agora, o trio vai até a casa de Thanos para confronta-lo. Os Guardiões da Galaxia aparecem vagando e Thor acaba colidindo na nave deles. Thor diz a eles que pretende ir a Nivadellir, que lá tem uma arma capaz de aniquilar Thanos. Rocket (Bradley Cooper) e Groot (Vin Diesel) o seguem, enquanto Quill (Chris Pratt), Drax (Dave Bautista), Gamora (Zoe Saldana) e Mantis (Pom Klementieff) vão para Luganenhum, lar de Taneleer Tivan, o Colecionador (Benicio Del Toro) atrás da Joia da Alma.

O filme sabe dosar momentos de comedia com momentos de ação. O humor fica por conta do núcleo dos Guardiões e das referências pop. Mas se estão achando que as piadinhas serão o maior forte do filme, achou completamente errado, otário (Momento Choque de Cultura). A tensão já é criada na primeira cena, onde todos ficam embasbacados com a crueldade e a carnificina que Thanos é capaz de fazer. Se Thanos já parecia imponente Os Vingadores ou em Guardiões da Galáxia, aqui ela ganha ainda mais cores. Ele sabe brigar e não perdoa quem quer que seja.

A trilha sonora junta tudo o que havia feito sucesso em quase todos os filmes anteriores da empresa. Os temas de todos os personagens principais podem ser observados a quem possui ouvido atento. E nenhum deles se sobrepõe ao do próximo personagem que vai entrar em cena.

Os efeitos são bem feitos. Apesar do vilão soar um tanto falso em determinados momentos, a gente vê que sua imponência não é mentira. Desde simples gestos até o mais espalhafatoso dos movimentos, ele é crível. Até mesmo na cena em que é mostrado um pouco mais sobre o personagem, vemos que suas emoções são verdadeiras.

O roteiro sabe introduzir e movimentar a trama. A peteca não cai em nenhum momento, e todos os personagens são usados de maneira eficiente, o que normalmente acontece. Poucos achavam que Thanos teria profundidade, já que era necessário uma grande dose de conflito, mas conseguiram dar mais personalidade ao vilão e torná-lo multifacetado. Se você achava que Capitão América 2 – O Soldado Invernal tinha sido o filme mais ousado, em termos de seriedade, aqui ela sobe um degrau a mais. O sentimento que a trama traz é de perda e desprendimento.

Apesar de alguns momentos um tanto bobinhos que serão vistos no filme, se fossem retirados do filme, não fariam falta e o mesmo seria até mais simpático.

As cenas de ação são o que fazem o filme se pagar. Bem executadas e, em todas, é possível observar que a pancada foi pesada e muito bem aplicada. Em poucos casos, houve cortes excessivos que prejudicavam a geografia e o entendimento. Em sua maioria, é feito de maneira competente.

A paleta de cores, apesar de possuir diversas tonalidades, em todo o filme, a cor que predominará é o preto. Já que não só aparece nos trajes dos personagens, mas também nos ambientes e nos objetos. Mas não pensem que a cor está dessaturada, ela é gritante em vários momentos.

As atuações de todos os personagens, com a exceção de Benedict Wong está muito bem feita e, finalmente, todos os heróis estão começando a se conhecer e se enturmar. Não fiquem imaginando que o filme terá uma hegemonia do Homem de Ferro como o condutor de tudo. Quem realmente conduz é o Thanos, e o mesmo provocará pensamentos um tanto duvidosos no público, o tornando quase aceitável.

A cena pós créditos é bem feita e traz ainda mais desenvolvimento. Não vou revelar qualquer detalhe a respeito da mesma, já que não quero estragar a surpresa de quem irá ver.

Vingadores – Guerra Infinita é um filme grandioso e soube desenvolver ainda mais um universo já extenso de personagens. Possui uma trama muito bem orquestrada, digna das grandes obras feitas por mestres de quadrinhos. Mesmo havendo alguns momentos dispensáveis, ela consegue se fazer presente e mostra porque estes heróis são os mais poderosos da Terra. Simplesmente, um luxo.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.