16
maio
2018
Crítica: “Deadpool 2”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Deadpool 2

David Leitch, 2018
Roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick e Ryan Reynolds
20th Century Fox

5

Deadpool. O mercenário tagarela mais amado do mundo dos quadrinhos atualmente ganhou uma fama inacreditavelmente gigantesca nestes últimos anos, principalmente com o filme para maiores de 18, lançado em 2016. Mas, pergunto, você a origem do personagem e sabe quem o criou?

DP (para ser mais sucinto) foi criado por dois papais: Fabien Niceza e (um zé ruela metido a desenhista, mas que só fez coisas ruins) Rob Liefeld, na revista New Mutants #98, de 1991. Muito tem se debatido sobre a real origem do personagem, mas a mais aceita é que Wade Winston Wilson (nome inspirado em Slade Wilson, o Exterminador da DC Comics) era uma criança que havia passado por uma infância traumática.

Na adolescência, o jovem se torna um mercenário e descobre que possui câncer. Até que o mesmo se envolve com o projeto Arma X (o mesmo responsável por fazer Wolverine ter as garras de adamantium e virar um lobo solitário), no caso, Wade acaba usando o soro do super soldado (o mesmo que conferiu a força do Capitão América) onde sua regeneração passaria a ser melhor que a do Wolverine.

Porém, não obteve o efeito desejado e ele logo foi descartado, principalmente devido a sua instabilidade mental, e foi mandado para um manicômio (não é o Arkham) onde passou a ser torturado pelos administradores do local, tanto que chegou a beira da morte e conheceu a encarnação da mesma em pessoa.

Depois de muita tortura, finalmente o fator de cura é ativado e seu câncer curado e logo Wade foge de lá. Mas por causa de todos as torturas, seu corpo ficou deformado e nunca mais foi o mesmo. Conforme os anos se passaram, sua loucura ficou gradativamente maior, até que as histórias se transformaram num completo carnaval de situações esdrúxulas, bizarras e completamente ensandecidas.

Mas não se engane quem acha que estas histórias são focadas só em piadas e coisas insanas. Um dos quadrinhos mais interessantes é Deadpool Massacra o Universo Marvel. Inspirada em outro quadrinho igualmente famoso, Justiceiro Massacra o Universo Marvel, aqui vemos o Mercenário Tagarela fazendo aquilo que só ele sabe fazer de melhor: matar todo e qualquer ser vivo que se oponha à ele.

Nos idos anos de 2015, num estratégia de marketing muito bem sucedida, é “vazado um vídeo teste” de como poderia ser um filme do Deadpool. A aceitação foi imediata. O filme, em 2016, fez uma bilheteria monstruosa, além dar um gás novo ao gênero filme de quadrinhos e logo, na cena pós-créditos (já caiu no lugar comum) foi prometida uma continuação com o personagem Cable, um dos heróis que mais contracenam com DP, ao lado de Wolverine e o Homem-Aranha.

No novo filme, Wade (Ryan Reynolds) está levando a vida ainda como mercenário, fazendo piadas e matando vorazmente quem estiver no caminho. Ele volta para o aniversario de namoro com Vanessa (Morena Baccarin), com ela anunciando quer ter filhos. Porém, alguns membros de um dos alvos anteriores acha Wade e mata Vanessa. Wade entra em depressão e tenta se matar com vários galões de gasolina. Porém, mesmo despedaçado (emocional e fisicamente), ele acaba tendo que achar sentido na vida.

Eis que uma urgência surge num internato de jovens mutantes, onde os mesmos são abusados e DP usa de violência. Porém, todos os ânimos são contidos. DP e Russell/Firefist (Julian Dennison), um mutante que atira bolas de fogo pelas mãos, são levados até uma cela de contenção máxima. Enquanto, um mutante com a aparência de ciborgue viaja e vai para onde DP e Russell estão, causando uma rebelião em massa.

O filme, traz em si, referencias a Exterminador do Futuro 1 e 2, não apenas narrativamente falando, mas também devido ás inúmeras piadas que existem no filme, já que Cable aparece seminu depois de sair de um portal perto de dois caras numa caminhonete ou Wade agindo como uma espécie de T-100, personagem da franquia interpretado Arnold Schwarzenegger protegendo Russell.

A paleta de cores agora foca num tom mais obscuro. Se antes, era focada nas cores principais do personagem: vermelho, preto e branco, aqui ela será dessaturada consideravelmente, podendo até parecer, em certo ponto, com Batman vs. Superman – A Origem da Justiça, que abusa e usa do clima soturno.

Mas não pense que, só por causa desse aspecto, que o humor foi deixado de 2ª mão. Muito pelo contrário, ele está presente, seja na sequência dos créditos, similar ao que foi feito na franquia 007, nas inúmeras referencias a cultura pop, nas piadas entre os próprios personagens ou nas situações completamente absurdas do filme.

A trilha sonora ainda continua na pegada do filme original, com várias canções tanto icônicas como desconhecidas, como X Gon’ Give It To Ya, do rapper DMX, Thunderstruck, da banda AC/DC, Take on Me, do grupo A-ha, 9 to 5, da cantora Dolly Parton e Escape (The Piña Colada Song), de Rupert Holmes.

Apesar de termos uma X-Force formada no filme, já devo adiantar: nem todos os personagens foram bem explorados ou tiveram algum tipo de importância na trama. A exceção a regra é a personagem Dominó (Zazie Beetz), que possui o poder da sorte, onde a realidade conspira ao seu favor.

As cenas de ação são bem executadas. O diretor David Leitch já havia dado uma amostra de era capaz de fazer em filmes como (a prestes a se tornar trilogia) John Wick e (na prestes a virar duologia) Atômica, com Charlize Theron, onde em ambos os filmes, vemos cenas bem coreografadas, intensas e com um jogo de câmeras bem orquestrado. Aqui, a situação se mantém: poucos cortes, planos mais longos e geografia compreensível (ouviu, Transformers?).

Há alguns problemas de ritmo, como em determinado momento, uma sequencia de eventos começam a acontecer, sem você entender tudo e logo voltamos para o desenvolvimento dos personagens de maneira mais refreada e calma. É algo que pode incomodar alguns, mas nada que tire o foco do filme por muito tempo.

Deadpool 2 é mais do mesmo. Admito, mas é um mais do mesmo que funciona, não enjoa e sabe entreter, mesmo que não costuma a ir de comédias. Mas se você não gosta de humor politicamente incorreto, humor negro e outros tipos de humor mais rudes e/ou grosseiros, melhor passar longe. Já quem gosta do personagem ou não vê problemas com os humores já mencionados acima, é uma excelente pedida numa época onde faltam filmes de humor com pitadas sarcásticas boas.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.