31
maio
2018
Crítica: “Dear White People” (2ª Temporada)
Categorias: Críticas, Séries de TV • Postado por: Rafael Hires

Cara Gente Branca (Dear White People)

Justin Simien, 2018
Roteiro:
Justin Simien, Chuck
Hayward, Njeri Brown,
Leann Bowen, Jack Moore,
Yvette Lee Bowser e
Nastaran Dibai
10 episódios (28-35 min.)
Netflix

5

Dear White People. Certamente uma séries mais pertinentes para os dias atuais, onde discursos de ódio inflamados são disseminados a torto e a direita. A série que veio para espalhar verdades que certos grupos extremistas precisam ouvir urgentemente. A primeira temporada foi um sucesso de público e crítica, trazendo um roteiro acima da média, questionador, com pitadas de humor bem colocadas.

Óbvio que algo com um nível de excelência sendo trazido assim, traria uma ansiedade igualmente comparável. Será que a nova temporada seguiu os passos e ficou no status quo ou decidiu se arriscar e leva-la a novos rumos?

A série segue imediatamente os eventos do último episódio da 1ª temporada. Troy Fairbanks (Brandon P. Bell) foi preso pela segurança do campus, depois de ter destruído uma vidraça da porta, Sam (Logan Browning) agora está lidando com um troll que, constantemente, a instiga através da internet.

Lionel (DeRon Horton) e todos que trabalhavam no jornal Independent agora estão demitidos. Gabe (John Patrick Amedori) está produzindo um documentário para contrapor as opiniões de Sam. Coco (Antoinette Robertson) ainda tenta fazer parte dos grupos seletos. E como se isso não fosse o bastante, a casa Davis pega fogo e os estudantes de lá são transferidos para a casa dos protagonistas.

Desta vez, o roteiro foca nas tramas paralelas e mostrar mais sobre o passado da faculdade, com foco nas tais sociedades secretas que se construíram ao longo dos séculos, além de ir mais a fundo nos eventos anteriores de cada um dos personagens. O humor ainda continua e ainda mais sarcástico que na temporada anterior, mas dobre a língua se você acha que a mesma ficou mais leve. Pelo contrário, é por causa do humor que os comentários passaram a ser mais ácidos.

Se anteriormente o ritmo era a denúncia dos comportamentos estúpidos dos brancos que se diziam não serem racistas, agora o ritmo é de luta e contra-atacar.

A direção de arte segue o mesmo padrão. Sempre usando de cores chamativas e agora, o uso de silhuetas dos personagens nas aberturas de cada episódio. Uma estratégia esteticamente linda.

A trilha sonora alterna entre músicas pouco conhecidas e relativamente conhecidas como Finally, da cantora Cece Peniston. A primeira vez que esta canção é usada em filme foi em Priscilla A Rainha do Deserto.

As atuações continuam no mesmo nível. Logan Browning como Sam assume uma personalidade paranoica, onde o tal troll parece assumir uma parcela considerável do tempo útil e do livre, além de estar com raiva, já que, agora, há um outro programa para atacar o Cara Gente Branca, chamado de Cara Gente de Direita, que só se inflama ainda mais com a presença de Rikki Carter (Tessa Thompson), uma mulher que possui um programa de TV para continuar a reforçar que tudo o que os negros passam é apenas mimimi.

Coco será uma das personagens mais afetadas com todos os problemas, já que ela também terá os seus próprios para lidar. Joelle (Ashley Blaine Featherson) cansada de ser sempre a segunda escolha já que, ao lado de Sam, ela sempre foi preterida, se apaixonará perdidamente por alguém que acha que finalmente a compreende. Troy, depois do incidente na assembleia, estará devastado e sem perspectivas para o futuro e Lionel estará dividido entre uma nova paixonite e Silvio (DJ Bickenstaff), seu ex-editor chefe e paixão recorrente, além de estar obcecado por tentar descobrir se realmente existe ou não uma sociedade secreta.

A personagem mais desconexa da trama é Muffy (Caitlin Carver), que está desesperada como louca tentando achar sua cadela de terapia Sorbet. Apesar de ser a mesma que terá uma profundidade maior quando Coco estiver entre a cruz e a espada, ainda assim não consegue ter brilho próprio, sendo que ela teve a oportunidade. Fica a torcida para que a mesma entre para o grupo principal.

Dear White People (ou Cara Gente Branca) continua ácida, crítica e poderosa como nunca. Haverão grupos tentando desmerecer quais atributos bons que a mesma tenha a oferecer, e para essas o que eu disse no post passado, ainda está válido. Mesmo tendo personagens com pouco ou nada a acrescentar, ainda continua altamente recomendável.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.