26
maio
2018
Crítica: “Han Solo – Uma História Star Wars”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Han Solo – Uma História
Star Wars (Solo – A Star
Wars Story)

Ron Howard, 2016
Roteiro: Lawrence Kasdan e Jonathan Kasdan
Disney/Lucasfilm

2

Han Solo. Provalvelmente um dos personagens mais carismáticos da franquia Star Wars. Seja por seu tom sarcástico, seja por suas inúmeras desventuras pela gálaxia muito, muito distante, ou também por ele possuir uma das naves mais famosas do mundo, que fora capaz de realizar um percurso muito longo em um curto espaço de tempo.

Mas será que realmente havia uma necessidade de saber como esses fatos ajudam e moldaram a forma de como conhecemos um dos maiores contrabandistas?

O jovem Han (Alden Ehrenreich) vive no planeta Corellia até se envolver em um problema com uma gangster chamada Lady Proxima (Linda Hunt) que acaba por fazer ele se afastar forçadamente de sua amada Qi’ra (Emilia Clarke). Após isso, o mesmo se junta a Frota da Academia Imperial, mas é expulso por insubordinação.

Han, agora sob o nome de Han Solo, acaba por estar num front de guerra. Han tenta convencer algumas pessoas que acaba conhecendo neste lugar de que é uma boa coloca-lo na equipe. Porém, ele traído e acaba sendo mandado para um poço onde uma criatura lá vive, que revela ser Chewbacca (Joonas Suotamo), o wookie mais amado do mundo. Logo, os dois saem do poço e se unem a equipe de Thomas Beckett (Woody Harrelson)

O roteiro do filme é completamente focado em responder as perguntas “inquietantes” que poucas pessoas realmente se importavam em saber sobre o gangster. Ele tenta fazer com que o personagem tenha mais camadas, além das já apresentadas por Harrison Ford na franquia, mas não cativa, a fim de se fazer necessário uma explicação detalhada sobre os antecedentes até o momento em que ele e Chewie iriam encontrar Luke, os dróides e Obi-Wan para leva-los até Leia.

E aqui nós ainda temos um dos maiores problemas que afetam a maior parte dos filmes hoje em dia: a introdução de personagens que não irão acompanhar a jornada inteira e só estiveram no filme para fazer com que o mesmo seguisse o rumo “necessário”.

Por exemplo, o pequeno time de Thobias tinha um potencial, mas já na primeira luta, metade (com a exceção do próprio, Han e Chewie) é morta, causando diversos problemas de continuidade, onde as mortes (com a exceção de uma) terá um real peso no decorrer.

O ritmo também se torna um problema, já que uma hora decide ser uma aventura cheia de tensão e momentos conflitantes vide Rogue One, em outro, emula um pouco a atmosfera de Em Ritmo de Fuga e em outro, vira uma comédia pastelão, sem motivo algum, fazendo o público ficar confuso sobre qual ritmo é o real.

A direção de fotografia parece ter sido um tanto prejudicada pela grave alteração de tom entre uma cena e outra, já que uma hora, vemos personagens cobertos por sombras ou com fontes de luzes vindo de direções opostas ou mesmo luzes fracas. E isso fica refletido na saturação das cores, onde uma hora estamos num ambiente completamente acinzentado e em outra, num ambiente quente, onde a mesma ganha uma notoriedade gigantesca.

Os figurinos são bem feitos. O traje de maior destaque é o da Enfys Nest (Erin Kellyman), onde o mesmo lembra os visuais de Aloy, do jogo Horizon Zero Dawn, por ser um traje com várias decorações de sucata, evocando uma espécie de Mad Max no espaço.

O design de produção acerta principalmente quando falado sobre a robô L3 (Pheobe Waller-Bridge), onde ela difere dos robôs já apresentados na saga, onde mesmo parecendo um estilo já feito em outras produções clássicas como Os Jetsons, ela ainda possui um toque de novidade, principalmente pelo uso de suas “partes íntimas” onde lá se encontram os dispositivos necessários para ajudar quem necessita.

As atuações são boas. Uma das que mais se destaca é Emilia Clarke, onde sua personagem consegue ser misteriosa e jogo do gato e rato funciona de maneira crível. Woody Harrelson é outro que tem presença como gangster, onde não se pode confiar, assim como Paul Bettany , que consegue entrar facilmente na categoria vilões que amamos odiar. Uma que não se esperava que fosse roubar a cena era Pheobe Waller-Bridge, com a L3, uma robô que luta pelos direitos do dróides não serem usados como escravos ou forma de entretenimento, mas que possui uma personalidade bem forte além de vir acompanhada de piadas sarcásticas.

Porém, o mesmo não pode ser dito de Alden Ehrenreich. Seu Han Solo não evoca o espirito de Harrison Ford, nem possui outra faceta não apresentada do personagem, sem mencionar que o entrosamento entre ele e Emilia não soa natural. Outro que foi um tanto sabotado pelo filme foi o ator Donald Glover. Não digo que seu Lando não tenha importância, porém não lhe foi dada devida atenção, já que o personagem é de vital importância para a saga. Poderia ter tido mais desenvolvimento do mesmo, mas, infelizmente não foi para a versão final.

Isso sem falar da quantidade de auto referencia ao universo Star Wars, fazendo com que este se torne um filme mais vazio entre todos os títulos da saga, o deixando num mar de referencias que não o colocam nem como cânone, muito menos como de vital importância para o futuro.

Han Solo – Uma História Star Wars certamente não é o pior filme de todos os tempos, mas é um filme que não irá agradar nem quem é fã de carteirinha da saga, muito menos quem só conheceu estes personagens ontem. Não terá um real legado que poderá vir a ser usado como referência e/ou será lembrado, mas não se pode afirmar de que se trata do pior filme da saga (esse posto é ocupado entre os especiais de Natal e A Ameaça Fantasma, acho difícil algum outro pegar esse posto). É um filme para ver sem pretensão alguma, já que o mesmo se trata assim.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.