10
maio
2018
Crítica: “Teu Mundo Não Cabe Nos Meus Olhos”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Teu Mundo Não Cabe Nos
Meus Olhos

Paulo Nascimento, 2016
Roteiro: Paulo Nascimento
Paris Filmes

2

Vários livros, filmes, documentários e series nos últimos anos abordam as dificuldades enfrentadas pelos portadores de necessidades especiais, em especial aos cegos. Vários abordam as sutilezas de suas vidas, tendo de enfrentar desde o distanciamento por parte de tal necessidade, a aceitação na sociedade até o relacionamento interpessoal.

Mas, porém, não é sempre que estes filmes conseguem fazer o publico tentar entender tais aspectos e o exemplo mais recente disto é Teu Mundo não Cabe nos Meus Olhos.

Vittório (Edson Celulari) é um dono de uma pizzaria localizada no bairro do Bixiga, em São Paulo. Porém, é cego de nascença. Lá, ele convive com sua esposa Clarice (Soledad Villami), sua filha Alice (Giovanna Echeverria) e Cleomar (Leonardo Machado), seu assistente.

Clarice é professora numa escola, mas tinha um futuro muito promissor e por amor ao seu marido, se contentou com o que ele pode oferecer. Até que convencida por seu pai, tenta fazer com que Vittorio aceite a oferta de fazer a cirurgia de reparar a visão.

Vittorio acaba voltando a enxergar e, aparentemente, o que poderia ser o ponto mais alto de sua vida acaba por se tornar o inicio do declínio de sua convivência, já que o mesmo continua a fazer os mesmos atos antes de ter feito a tal cirurgia e Clarice fica irritada com essa falta de ambição e contentamento.

Apesar de parecer uma trama interessante inicialmente, a produção é arrastada, onde o desenvolvimento é raso. Os motivos para a tal cirurgia se tornar importante são exclusivamente vindos de Clarice, que hora parece lutar para tentar melhorar de vida, hora parece quer ficar no marasmo da rotina.

Vittorio pode ser caracterizado como acomodamento em pessoa. Não possui ambição de tentar melhorar de vida, tentar buscar um jeito de enxergar ou qualquer outro aspecto. Não há como tentar você se identificar e enxergar aquilo como plausível.

Um dos únicos personagens que pode arrancar algum tipo de afeição por parte do espectador é Cleomar, que age tanto como melhor amigo de Vittorio quanto uma espécie de “consciência” que tenta manter o amigo com os pés no chão. A química entre os dois funciona com mais propriedade do que a relação entre ele e a esposa.

O roteiro mostra algumas sutilezas em seus momentos iniciais, como Vittorio cheirando os tomates a fim de identificar quais estão frescos, sentir através do calor o ponto da massa, parecendo até um Demolidor, só que sem super poderes. Mas, logo tudo é descartado, por diálogos maçantes, piadas nível 5ª série, e outros tipos de momentos vergonha alheia.

Filmes como Hoje Eu Quero Voltar Sozinho já abordaram com mais destreza esse tema, sem precisar recorrer a clichês, mas aqui os clichês de insultar a pessoa que possuem deficiência estão mais presentes que nunca, desmerecendo qualquer tipo de cuidado que fora visto nas primeiras cenas.

Em certo ponto, até chega a abordar o fanatismo pelo futebol, inserindo os personagens em momentos muito mal filmados em estádio, onde os planos de localização parecem mais imagens de arquivo com qualidade sofrível, onde não é possível diferenciar uma cabeça de um borrão.

A trilha sonora não tem nenhuma musica de destaque, sendo ela um instrumental básico, tentando simbolizar um tema italiano. Pífio.

Teu Mundo Não Cabe nos Meus Olhos parece mais um filme sem alma ou identidade, tentando pegar carona em títulos como Intocáveis, onde Omar Sy consegue fazer o publico se derreter com as presepadas entre ele e François Cluzet. Só que não convence e não gera empatia de nenhum lado. Em resumo, tédio.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.