20
jun
2018
Crítica: “Jurassic World – Reino Ameaçado”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Jurassic World – Reino
Ameaçado (Jurassic World
– Fallen Kingdom)

J.A. Bayona, 2018
Roteiro: Colin Trevorrow e Derek Connolly
Universal

3.5

Jurassic World foi um sucesso estrondoso no seu ano de lançamento, alcançando mais de US$ 1 bilhão de dólares no mundo inteiro e um sucesso considerável de critica, trazendo de volta, esses seres extintos há muito tempo, fazendo muitas homenagens ao filme original de 1993. Porém, ao ser anunciada uma nova sequência, muitos se perguntavam se era realmente necessária.

Eis que chega o 2º capítulo da recém inaugurada nova trilogia dos dinos. 3 anos se passaram. A Ilha Nublar, antes uma grande atração turística, comandada por Claire Dearing (Bryce Dallas Howard), agora está sob o perigo de extinção (perdão pelo trocadilho) por causa de um vulcão agora ativo.

Um time de mercenários tenta reaver os restos mortais do Indominus Rex, uma criatura criada pelo time de desenvolvimento de novas espécies, a fim de ser a mais nova atração, mas que só causou pânico e caos por onde passou, é quase exterminado pelo Mosassauro, um super dinossauro aquático que escapa pros oceanos, devido a incompetência de ter deixado os portões de contenção abertos.

Claire é contatada por Benjamin Lockwood (James Cromwell), um bilionário parceiro de John Hammond (Richard Attenborough) no projeto de clonagem dos dinos, que quer trazê-los de volta, agora num santuário, livres de interferência humana. Claire aceita, porém necessitará da ajuda de Owen Grady (Chris Pratt) para recuperar o último velociraptor ainda vivo.

Owen inicialmente recusa, mas acaba cedendo. Junto de Claire, ainda estão o técnico Franklin Webb (Justice Smith), que ajudará a reconectar o sistema da ilha e Zia Rodrigues (Daniela Pineda), uma paleo-veterinária. Porém, nem tudo serão flores para estes intrépidos salvadores de espécies já extintas.

O roteiro decide apostar numa trama mais adulta e com momentos de maior tensão e alguns momentos um tanto tristes, como a cena onde um braquiossauro, o dino de pescoço comprido, está tentando se aproximar das embarcações, mas logo é consumido pela lava corrente do vulcão explodido. Essa cena, honestamente, é capaz de fazer até o mais indiferente da plateia escorrer uma lagrima do canto do olho, mesmo que levemente.

Os efeitos visuais são muito bem feitos. Os bichos acabam criando uma empatia com o espectador, transmitida apenas pelo olhar. Se eles choram, você sente a tristeza, se eles estão com raiva, você fica apreensivo. Porém, ao invés de apostarem em humanos convincentes como vilões, novamente, usam personagens em CGI como nêmeses.

A direção de arte é competente. A mansão de Lockwood é o ambiente mais recheado de detalhes do filme. Esqueletos expostos, habitats simulados, laboratórios cheios de amostra de DNA de várias espécies, uma vasta gama de objetos, incluindo a tão famigerada pedra de âmbar com o mosquito dentro na bengala de Lockwood.

As cenas de ação, principalmente envolvendo esses bichões, são bem orquestradas e funcionam tanto no nível de combate quanto no nível da espreita, onde o filme decide fazer jogos de luz e sombra, sempre se utilizando de momentos de pouco silêncio e silhuetas contra a parede oposta para causar apreensão e impacto no espectador.

O 3D não é algo que realmente faça uma diferença inacreditável, são pouquíssimas as cenas onde o uso é feito de forma coerente como na cena do braquiossauro e na luta final.

A trilha sonora é bem feita. É mais do que evidente que ela utilizará a música-tema da franquia em alguns momentos, porém aqui é mais bem dosada do que em Jurassic World 1. O tom é mais soturno, já que a trama segue o mesmo caminho, mas não pensem que é assim o tempo inteiro.

As atuações mais destacáveis são de Chris Pratt sempre conseguindo arrancar risos por onde passa e Bryce, que sabe se fazer presente. As atuações mais dispensáveis vem de Justice Smith, que tenta sempre fazer uma piadinha, a fim de ser um alivio cômico, só que nenhuma tem o efeito desejado, Jeff Goldblum que não afeta em nada na trama e só está no filme para fazer discursos nada interessantes, Toby Jones que só um coadjuvante de vilão sem motivo nenhum e Rafe Spall, um vilão sem profundidade ou motivo convincente.

A cena pós créditos (Marvel está deixando descendentes) do filme é dispensável. Nem precisa perder seu tempo assistindo-a ou mesmo, pode sair da sala e depois, ver no YouTube da vida.

Jurassic World: Reino Ameaçado é um filme legal, pipoca como se propõe e trazendo um nível de tensão até então não apresentado com dignidade a franquia. Porém, devido a vilões sem motivações convincentes e, outra vez, um uso de personagem em CGI para ser o nêmeses, a torna um tanto repetitiva e pouco inovadora. Bom, mas não memorável.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.