28
jun
2018
Crítica: “Sicario – Dia do Soldado”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Sicario: Dia do Soldado (Sicario: Day of the Soldado)

Stefano Sollima, 2015
Roteiro: Taylor Sheridan
Universal

3.5

Sicario. A principio, parecia ser só mais um filme de confronto entre policiais e carteis de drogas. Porém, Dennis Villeneuve mostrou que sabe brilhar e fez um filme cheio de reviravoltas e tramas secundarias bem arquitetado e com várias nuances. Eis que, somos tomados de assaltos (vou bater a cabeça ali na parede e já volto) por uma continuação bastante inesperada e agora, chegou a vez de falar dela.

Vemos um grupo de mexicanos invadindo a fronteira dos EUA, porém um dos membros desse grupo está com um bomba plantada em seu corpo e a explode. Nos é revelado que este grupo, na verdade, veio do Iêmen. Pouco mais tarde, agora em solo americano, três homens-bomba se infiltram num mercado local. Dois se explodem, uma mulher e seu filho tentam sair do estabelecimento, mas o ultimo homem-bomba ainda vivo se explode.

Eis que surge Matt Graves (Josh Brolin) torturando um preso na África. Na sua volta para a América, ele vai até o apartamento de Alejandro (Benicio del Toro) e o convida a uma nova missão onde eles sequestrarão uma garotinha (Isabella Moner), filha do chefão do cartel Matamoros, o principal cartel mexicano, a fim de começar uma guerra civil.

O roteiro ainda continua no mesmo estilo do primeiro filme, com uma pegada de suspense. Porém, aqui a tensão dá lugar para várias cenas de intenso tiroteio bem orquestradas, muito violentas, mas ainda mantendo a apreensão nos momentos certos.

Se antes, o ritmo era pura contemplação, aqui é ação frenética, não ao estilo Transformers onde nada de importante acontece. Cada novo enquadramento tem algo acontecendo que servirá de vital importância e ainda prevalesce o elemento convergente do primeiro, onde uma história iniciada em um ponto do filme convergirá para o ato principal.

O desenho de som, diferentemente do primeiro, é bem pontuada. No primeiro, quase todos os momentos, ouvíamos a mesma trilha, que parecia ser uma espécie de tema do filme, sendo tocada diversas vezes, a fim de pontuar o ritmo. Aqui, o som decide optar pelo som ambiente, sempre dando destaque aos tiros, quando são efetuados.

Quem havia visto o primeiro e tinha gostado de Emily Blunt e Daniel Kaluuya servindo de contraponto para as atitudes de Graver e Alejandro, aqui pode se frustrar um pouco, já que aqui não há personagens de contraponto para as atitudes dos mesmos, sempre os tentando fazer ficarem com os pés no chão.

As cenas intensas são muito mais presentes, como Alejandro sendo feito de refém pelo cartel. O nível de apreensão que o espectador sente algo bem feito, mesmo em se tratando de um anti-herói que faz atos um tanto quanto discutíveis, sendo frio e bastante calculista.

Josh Brolin se diverte na pele de Matt, sendo fanfarrão, irônico, debochado e sem papas na língua. Benicio del Toro continua a surpreender, já que, mesmo estando na pele de um anti-herói de poucas palavras consegue fazer o público se importar com seu personagem, já que o mesmo acaba tendo uma química com Isabela, numa relação pai e filha tal e qual Ellie e Joel do game The Last of Us. E Isabella não deixa por menos. No inicio, parecia ser só mais uma personagem fútil que poderia não dar em nada, mas mostra que tem presença e carisma para ser coadjuvante num trama de gente grande.

Sicário: Dia do Soldado parecia aquela sequencia que ninguém queria, porém se mostra um filme efetivo, bem violento, espinhento e que representou o perigo mais alucinado que o tio Trump já poderia sonhar em ter de lidar. É um filme bom e serve como aquele filme policial que deve se conferir, pelo menos, uma vez.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.