12
jul
2018
Crítica: “Arranha-Céu – Coragem Sem Limite”
Categorias: Críticas • Postado por: Rafael Hires

Arranha-Céu – Coragem
Sem Limites (Skyscraper)

Rawson Marshall Thurber, 2018
Roteiro: Rawson Marshall Thurber
Universal

3

Dwayne “The Rock” Johnson, Dwayne Johnson ou simplesmente “The Rock”. Sinceramente, queira você ou não, este homem é capaz de um tudo. Seja atuando, seja produzindo, ele é considerado um dos maiores nomes na nossa sociedade atual, desbancando nomes muito considerados até 20 anos atrás como Harrison Ford, Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenneger. Nos últimos anos, desde que parou com a carreira de atleta, ele emendou um trabalho atrás do outro e há ainda mais filmes do ator chegando.

E este ano, ele está “competindo” pau a pau com outro grande ator Josh Brolin de quem estará em mais produções. The Rock tem sua cota de filmes bons e filmes totalmente esquecíveis, tais como Treinando o Papai, O Fada do Dente e o tenebroso Baywatch – S.O.S Malibu.

Graças a deus que este não está na lista dos esquecíveis.

Sete anos antes dos eventos principais, Will Sawyer (Dwayne Johnson) é um fuzileiro das forças americanas que está prestes a invadir uma casa, onde um homem mantém sua mulher e filhas como reféns. Porém, ao soltar a própria filha o mesmo revela um colete com bombas conectadas a um detonador. O mesmo se explode, deixando Will sem sua perna.

Will é socorrido por Sarah Sawyer (Neve Campbell), uma médica. Sete anos depois desses eventos, Will agora trabalha como técnico de segurança do maior prédio do mundo, superando o tamanho e complexidade do Burj Khalifa, o maior prédio do mundo até então.

O proprietário Zhao Long Ji (Chin Han) quer que o topo de seu maior empreendimento seja inaugurado o mais rápido possível, porém mal ambos suspeitam que Ben (Pablo Schreiber), ex-parceiro de Sawyer está por trás de um esquema que visa roubar um tablet que contém todo o esquema de segurança do prédio, só sendo controlado por Will.

Porém, Will é atacado e conseguem roubar o dispositivo. O grupo se infiltra no prédio, espalha um composto químico que, ao entrar em contato com a água, iniciará um incêndio gigantesco. O que Will não desconfiava é de que sua família havia voltado para o apartamento no tal prédio. O sprinkler é acionado e os dois andares do centro do prédio ardem em chamas.

O roteiro aposta em tramas paralelas como o grupo de vilões que quer acabar com Zhao, comandados por Kores Botha (Roland Møller), um membro alto entre os chefões das máfias que é descoberto por Zhao e agora, irá se vingar para evitar ser exposto ao mundo, Sarah junto de seus filhos tentando sair do prédio, Zhao se escondendo no topo da torre com seus seguranças, Will protagonizando feitos que deixariam Stallone e Schwarzenneger morrendo de inveja, além dos policiais japoneses estarem desconfiados de que o mesmo planejou tal feito.

As cenas de ação só impactantes quando aliadas a altura. Seja Will saltando de guindastes, descendo até uma turbina ou mesmo erguendo uma ponte quebradiça, já que são nestes momentos onde o 3D tenta se valer, criando camadas de profundidade, porém, nem todas são dignas de valerem o ingresso mais caro.

A direção de arte consegue impactar, seja mostrando o prédio em planos abertos, para demonstrar o quão imponente é a construção ou em planos aéreos, onde tentam explorar a profundidade do cenário, remetendo a filmes como Um Corpo que Cai. Se, no filme de Hitchcock, tínhamos uma sensação de vertigem, aqui ela será explorada no nível mais alto possível, porém sem a mesma competência. Uma das cenas a ser destacada é o momento onde vemos a Pérola: um local cheio de painéis em alta definição, onde estão instaladas várias câmeras 8K a fim de fazer um tracking de toda a área ao redor da construção, mostrando uma imagem única, quase como Deus olhando para o mundo (isso que eu chamo de complexo de Napoleão).

O design de produção conseguiu fazer um incêndio rico, cheio de explosões, típico de grandes filmes de ação.

As atuações são ok. Dwayne Johnson pinta e borda no filme por onde quer que passe. Neve Campbell, depois de sete anos de sua última atuação volta mostrando que não é apenas um ídolo feminino dos filmes de terror ou comédias românticas toscas. Porém, o mesmo não pode ser dito sobre Roland Møller, que faz o líder de um facção criminosa mais sem sal ou açúcar da história, até a parceira de crime Xia (Hannah Quinlivan) tem mais presença que o mesmo.

Arranha-Céu: Coragem Sem Limite está longe, muito longe de ser o pior filme de um prédio em chamas da história. Porém., devido a subtramas desinteressantes, vilões ultra caricatos e um sentimento de perigo a ser visto o tornam simplesmente desnecessário. Torçamos para que não comecesse uma nova leva de filmes com incêndios em prédios em 3D. Ai, ai, ai.



Fã alucinado da sétima, oitava e nona arte, decidi me aprofundar em seus conhecimentos ao entrar na faculdade. Faltando pouco menos de 1 ano para a formatura, espero sempre o melhor filme possível.